sábado, 30 de maio de 2015

O que realmente os EUA quer em interceder o futebol? (Por Thiago Muniz)

As denúncias contra a FIFA evocam a política descaradamente intervencionista do estadunidenses: há evidentes interesses geopolíticos por trás de tudo isso.

O mundo ficou estupefato com a notícia da Fifa; não que alguém, de sã consciência, discorde da necessidade de se sanitizar a Entidade, cuja corrupção campeia há tempo, e não d´agora, deste arroubo “vestal” das rapinas, até onde isto for possível.

O evento, longe de significar fato isolado (nada o é, em se tratando de EUA!), evoca a política descaradamente intervencionista do Big Stick (grande porrete), dos estadunidenses, os xerifes da humanidade; sempre, com a aquiescência dos que ou não enxergam a gravidade das ações destes reacionários neo-romanos e a falta de noção dos que clamam pela própria, ou da intervenção militar constitucional (Sic!); (os políticos brasileiros, notadamente os de direita, que têm à escrivaninha uma bandeira dos EUA, em vez da nossa, que o digam!).

A responsável pela emissão dos mandados de prisão no escândalo que abalou a Fifa (e o mundo!) ora, a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta E. Lynch, afirmou:

“… O Departamento de Justiça do país está ‘determinado a acabar com a corrupção no mundo do futebol’.”

Lindo. Como são diligenciosos, estes estadunidenses. De uma hora para outra, eles tentam varrer a corrupção (dos outros!). Num país em que o lobbie é uma atividade regulamentada, os escândalos sempre ficam impunes (vide caso Enron), desde que os corruptos sejam “amigos do rei”, falar em corrupção soa no mínimo estranho. Sem se falar em um país onde se financiam derrubadas de Governos contrários à democracia (pois sim!) e a sociedade civil não se manifesta ou não tem força para. A corrupção dos outros é realmente mais fácil de detectar e de combater, sabe-se. Tanta fome na África, moléstias em todo o mundo, doenças que já deveriam ter sido erradicadas há séculos, tecnologia biomédica, há, e a preocupação destes honrados estadunidenses é com o futebol na Fifa!

Felizmente, nem todos caem neste conto manjado dos “vestais da humanidade”. A Rússia já alertou para as reais intenções da “palmatória do mundo“, embora possa se crer que o problema é bem mais complexo do que continuar a ser simplesmente a régua deste ou somente prejudicar a Rússia, futura sede da Copa: a agenda aponta claramente para um recado. Recado sutil como os são os daqueles senhores falconiformes: — “não vos esqueçais do Destino Manifesto, pois vós sois o meu quintal!“.

O recado, como se diz, nada sutil, é para os bolivarianos (Sic!); a Fifa é só o transdutor, ou seja, — “Nós podemos tudo, inclusive intervir, em qualquer lugar“. É a manifestação inequívoca, embora com o mesmo discurso protoudenista de sempre: a América Latina como nosso (deles, claro) quintal; afinal, para um povo ‘superior’, se lhe parece apenas o cumprimento da ‘profecia’.

Resta saber como a AL se comportará, diante deste farol de udenismo triunfante: ou aceitará o “Destino Manifesto” ou lhes dará um manifesto cacete, ou “Big Stick”, como eles gostam de falar, como fez a pequena, porém imponente Nicarágua, quando lhe tentaram anexar. Anexar o cacete, diriam os nicaraguenses. “peia” para vinte, os valentões “escolhidos” pela “providência” (talvez seja a mesma que “escolheu” o avião onde viajava Eduardo Campos!) levaram sozinhos.

Assim se faz um povo. Viva a Nicarágua. O tal de “Destino Manifesto” não resiste a um povo. Apenas, onde eles e seu “Big Stick” atuam, têm sempre aqueles que vaticinam “A Teoria da Dependência”; depois, fica fácil: uma imprensa a serviço dos ‘superiores’, ‘escolhidos’, e o escritor da teoria da Dependência (É o cacete!) cria leis que facilitam a transferência de patrimônio. Funciona, mesmo. Vale, Petrobrax (felizmente, não deu tempo), nióbio, pedras preciosas, estrutura de telecomunicações, etc. Beleza de teoria. Não funciona na Nicarágua, na Bolívia, na Venezuela. sabe-se… nem em Cuba.

Façam com a Fifa e com seus carcamani o que quiserem, mas, fora da América Latina! É o Pré-Sal, estupendo!

Recém reeleito presidente da Fifa, Joseph Blatter afirmou que as prisões de dirigentes da instituição foram uma revanche de Washington contra o fato de ter perdido a Copa de 2022 para o Catar, na escolha realizada em 2011.

"Ninguém vai me tirar a ideia de que foi uma simples coincidência esse ataque americano, dois dias das eleições da Fifa", declarou em entrevista à televisão suíça RTS. "Depois tivemos reações da Uefa e de Platini", disse. "Não cheira bem".

Para Blatter, isso foi algo programado. "Eles tentaram me denegrir e usaram o momento para dizer que é tempo para que eu deixe o poder", disse, lembrando que ameaçaram boicotar. "Existe sinais que não podem ser escondidos", insistiu.

"Os americanos eram candidatos [à Copa de 2022] e perderam. Então foi a imprensa britânica e o movimento americano que surgiu. Olha, com todo respeito ao sistema judicial americano, se eles tivessem um problema com crimes financeiros ligados a cidadãos americanos ou sul-americanos, então precisam prender essas pessoas lá e não em Zurique onde temos um congresso", declarou.

"Há algo que não cheira bem", insistiu. "Isso é um caso de corrupção entre a América do Norte e a América do Sul. Agora trouxeram para a Fifa para dizer que é aqui", acusou Joseph Blatter.

O presidente da Fifa lembrou que os EUA são os principais aliados da Jordânia, país de seu opositor nas eleições, Ali bin Hussein. Ele também criticou os comentários da Justiça dos EUA, que acusou a Fifa de corrupta. "Fiquei em choque", disse. 

Os senadores dos EUA Robert Menendez e John McCain pediram ao congresso da FIFA para reconsiderar o seu apoio ao presidente Sepp Blatter devido ao seu apoio ao Mundial de futebol de 2018 na Rússia.

"Há muito tempo que estou preocupado com a escolha da Rússia pela FIFA e as notícias de hoje apenas sublinham a necessidade de eleger um presidente que não somente apoie os valores da FIFA, mas que assegure que a FIFA não recompense países que não apoiam esses valores", disse em nota o senador Menendez, do estado de Nova Jersey.

Na carta enviada ao congresso do organismo máximo do futebol, que é também assinada pelo ex-candidato presidencial John McCain, Menendez critica a escolha da Rússia, "apesar das constantes violações da integridade territorial da Ucrânia e as outras ameaças a arquitetura de segurança do pós II Guerra Mundial".

A missiva foi divulgada no dia em que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da FIFA, acusando-os de conspiração e corrupção nos últimos 24 anos, num caso em que estarão em causa subornos no valor de 151 milhões de dólares (quase 140 milhões de euros).

Entre os acusados estão dois vice-presidentes da FIFA, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caiman e que é também presidente da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol).

"Dadas as violações da integridade territorial da Ucrânia, os esforços de Putin para minar princípios de cooperação multilateral, normas partilhadas e acordos internacionais, acreditamos que permitir que a Rússia receba o Mundial vai apoiar o regime de Putin numa altura em que ele deve ser condenado", escreveram os dois senadores na carta enviada terça-feira, antes das detenções serem conhecidas.

Menendez e McCain lembram ainda que mais de 40 países, todos membros da FIFA, impuseram sanções a Rússia.

"Ao permitirem que [o país] receba a competição, vão oferecer um salva-vidas econômico que contraria as sanções multilaterais impostas pela comunidade internacional", acrescenta a missiva.

Desde o anúncio das detenções, a FIFA anunciou a suspensão provisória de 11 pessoas: os nove dirigentes ou ex-dirigentes indiciados e ainda Daryll Warner, filho de Jack Warner, e Chuck Blazer, antigo homem forte do futebol dos Estados Unidos, ex-membro do Comitê Executivo da FIFA e alegado informador da procuradoria norte-americana, que já esteve suspenso por fraude.

Na carta, Menendez e McCain defendem que "o próximo presidente da FIFA tem a responsabilidade de assegurar, não apenas o sucesso e segurança do mundial de 2018, mas também a permanência da missão da FIFA de promover o futebol globalmente de forma a unir os seus valores educacionais, culturais e humanitários".

Há muitos anos esperamos pelo desmascaramento desta máfia do futebol, destes corruptos e corruptores facínoras (é a nossa chance de avançar neste processo, principalmente em relação à CBF e à Globo). Mas fiquemos bem atentos, tem interesse geopolítico dos Estados Unidos nesta ação. Eles querem apenas passar a mão no tabuleiro para que a próxima Copa não aconteça na Rússia. Esperem os próximos ladrões que vão substituir os atuais.

"Eu estou chocado, você não está?", diz John Shulman ao atender a reportagem do UOL. Ele tem uma opinião diferente sobre o envolvimento dos Estados Unidos no escândalo da FIFA. Professor convidado da Fundação Dom Cabral, especialista em mediação de negociações, cofundador do Centro para a Negociação e a Justiça dos EUA, e formado em direito pela Universidade de Harvard, ele acredita que a intervenção "não teve cunho legal, mas geopolítico".

"Com essa ação, os EUA enviam dois recados. Para o mundo, o de que o nosso sistema legal pode te pegar se você estiver fazendo algo errado. Internamente, mostramos que tomamos a iniciativa de resolver a corrupção dos outros", diz o professor.

E John entende tanto de geopolítica quanto de futebol. Seu currículo de mediador inclui diversos trabalhos ao redor do mundo, incluindo no Oriente Médio, na Índia e em Ruanda. Sobre o "soccer", uma curiosidade: o hoje professor já jogou profissionalmente na Índia, onde, segundo ele, foi o primeiro jogador ocidental por aquelas bandas.

"Os Estados Unidos nunca deram a menor bola para o futebol. De repente, pela primeira vez na história, o The New York Times vem com a primeira página inteira falando do assunto. Aí eu me pergunto: por quê?", questiona John. Para o professor, há vários pontos obscuros no envolvimento americano. "A logística de uma operação internacional deste porte simplesmente não vale a pena. Até porque não há um número de vítimas nos EUA que justifiquem tamanha mobilização", argumenta ele. "Há empresas nos EUA muito mais corruptas do que a FIFA, pode ter certeza", crava o especialista.

"Para mim, trata-se claramente do seguinte: são os EUA mobilizando seu aparato legal interno em prol de questões geopolíticas. No caso, para colocar pressão na Rússia (sede da Copa de 2018), com quem o país tem tido problemas recentemente, e no Qatar (sede da Copa de 2022), onde também existem questões geopolíticas".

John cita ainda a chance para os EUA desestruturarem uma organização que, corrupta ou não, tem tentáculos de poder que fogem ao seu alcance. "A ONU está presente em vários países, mas os EUA têm poder sobre ela. Isso não acontece com a FIFA, o que causa uma ruptura da hegemonia americana."

Quer dizer, se você está feliz que alguém finalmente tomou a iniciativa de enquadrar a FIFA, comemore com moderação. "É claro que a FIFA é corrupta. Todo mundo sabe disso. Mas os EUA não estão fazendo isso pelo bem do futebol", completa John.





































BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ricardo Teixeira: o oculto aos escândalos do futebol (Por Thiago Muniz)

Ricardo Terra Teixeira (Carlos Chagas, 20 de junho de 1947) é um ex-dirigente desportivo brasileiro, 18º presidente da Confederação Brasileira de Futebol, onde permaneceu no cargo de 16 de janeiro de 1989 até 12 de março de 2012. Seu quinto mandato consecutivo terminou em 2007, mas havia sido prolongado, e deveria durar até 2015.

Durante sua gestão na CBF, seleções brasileiras, de todos os níveis, conquistaram 11 títulos mundiais e 27 sul-americanos, consolidando a sua hegemonia no cenário mundial. Por outro lado, durante seus cinco mandatos aumentou em muito a êxodo de craques brasileiros para o exterior, nem sempre para os grandes clubes do futebol europeu.

Deve-se ainda a Ricardo Teixeira e a Eurico Miranda (na época, diretor de futebol da CBF), a criação da Copa do Brasil, que propicia a pequenos clubes, alguns de fora dos grandes centros, a oportunidade de aparecerem no cenário nacional.

O jovem mineiro do interior, filho de um bancário, estudava Direito no Rio de Janeiro quando conheceu Lúcia, filha de João Havelange, no carnaval de 1966. Tinha apenas dezenove anos.

Ao nascer seu primeiro filho (1974) fez um agrado ao sogro ao registrá-lo com o nome de Ricardo Teixeira Havelange, colocando por último o sobrenome materno, ao contrário do que determinava a lei brasileira.

Teve uma mal-sucedida passagem pelo mercado financeiro, numa sociedade com o pai, o sogro e um irmão.

Chegou ao comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em 1989, sucedendo Octávio Pinto Guimarães, após derrotar na eleição o então vice-presidente da entidade, Nabi Abi Chedid. Encontrou a entidade quase sem condições de arcar com os custos da preparação da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 1990, na Itália.

Escândalos atingiriam a gestão de Teixeira, que é marcada por denúncias, com acusações de nepotismo no preenchimento de cargos na CBF, pagamento de viagens para países sedes da Copa do Mundo a magistrados e a outras autoridades, importação irregular de equipamentos para sua choperia El Turf, no Rio de Janeiro, após a Copa de 1994, a celebração de contratos lesivos para o futebol brasileiro, em especial com a fabricante de artigos esportivos Nike, omissão das declarações de rendimentos apresentadas nos exercícios de 1991, 1992 e 1993 dos valores por ele mensalmente auferidos, omissão de rendimentos provenientes de atividades rurais nas fazendas Santa Rosa I e II, localizadas no município fluminense de Piraí.

Também deu dinheiro da CBF para campanhas políticas de dirigentes esportivos, com o intuito de manter no Congresso Nacional uma bancada de deputados e senadores para defender a seus interesses (manter-se no controle da CBF, impedir investigações sobre corrupção dentro da CBF), que ficou conhecida como bancada da bola. Com a montagem deste esquema de poder, assegurou suas quatro reeleições.

Em 1998, vê-se envolvido em comissões parlamentares de inquérito na Câmara de Deputados e no Senado Federal, mas, com auxílio de congressistas fiéis, consegue se livrar das acusações. Prestou depoimento em duas CPIs, a do futebol e a da CBF-Nike.

Em 2000, Ricardo Teixeira prestou depoimento na CPI do Futebol. Até 1996 a CBF apresentava lucro. Neste ano assinou um contrato com a Nike de 160 milhões de dólares e a partir de então começou a ter prejuízos, ano após ano. A entidade então tomou dinheiro emprestado de origem duvidosa, pagando juros muito mais altos do que os de mercado, em alguns casos de cerca de 43%. Descobriu-se uma série de empresas suas e de comparsas ligadas a transações irregulares de dinheiro. Afirmou em depoimento na CPI que havia ganhado tanto dinheiro investindo em ações, mesmo sabendo-se que havia falido neste ramo no início de sua carreira. Também prestaram depoimentos Vanderlei Luxemburgo, Eurico Miranda e o empresário J.Hawilla. A Receita Federal autuou a CBF em R$ 14.408.660,80 por dívidas com o Fisco.

Na CPI da CBF-Nike, que contou com declarações de Zagallo, João Havelange e do atacante Ronaldo, Ricardo Teixeira foi acusado por Aldo Rebelo de fazer complô para tentar enfraquecer o trabalho das CPIs, por unir forças com Pelé, que antes o acusava de corrupção. Teixeira prestou esclarecimentos sobre a CBF, atividades pessoais e de suas empresas, como o restaurante carioca El Turf. Em janeiro de 2002, Teixeira obteve liminar da Justiça proibindo a impressão e distribuição do livro "CBF-Nike", de autoria dos deputados Sílvio Torres e Aldo Rebelo. A obra relatava todas as investigações que devassaram seus negócios. Atualmente Aldo Rebelo é amigo pessoal e confidente de Ricardo Teixeira. Está disponível na internet um resumo do relatório final da CPI.

Em 2007, a bancada da bola agiu novamente sob influência de Ricardo Teixeira e de 12 governadores, que previamente foram à Europa a convite de Ricardo Teixeira, por ocasião da escolha do país sede da Copa do Mundo de 2014, para impedir a instalação da CPMI do Corinthians/MSI, com a retirada de votos a favor da CPMI na última hora. 

O argumento era que a CPI poderia influenciar na escolha da sede. No epsódio, 71 parlamentares mudaram de opinião, e apenas 3 se justificaram.

Sobre o epsódio, Juca Kfouri escreveu: "Momento trágico: nada mais repulsivo que a campanha do presidente da CBF contra a CPMI Corinthians/MSI. E nada mais revelador de quem são alguns parlamentares de todos, rigorosamente todos, os grandes partidos. Daí o "jogo da família" ter sido o do senta, levanta. Elementar." Em seu blog, Juca Kfuri publicou ainda a lista com os nomes dos parlamentares que mudaram seus votos. São 18 parlamentares mineiros e 8 paulistas, entre muitos outros.

Por ocasião da escolha das cidades que receberiam jogos da copa, o apoio político à Ricardo Teixeira esteve ameaçado brevemente. Porém, novamente, a corrupção na CBF não esteve ameaçada.

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que não apoiou o pedido de abertura da CPMI, declarou "Será que teremos de apoiar a CPMI de Corinthians e MSI para que expliquem em Brasília a escolha das cidades?" Numa clara atitude "toma-lá-da-cá".

Investigação na Fifa atinge Ricardo Teixeira

Presidente da CBF por mais de 20 anos, ele teria recebido US$ 15 milhões em apenas um contrato.

A investigação do FBI sobre o esquema de corrupção na Fifa e na Confederação Brasileira de Futebol atinge de forma direta Ricardo Teixeira, que presidiu a CBF entre 1989 e 2009. O nome do dirigente não é citado abertamente, mas a investigação das autoridades norte-americanas deixa claro que ele recebeu propina em ao menos dois negócios: no contrato da entidade que comanda o futebol brasileiro com a Nike e na venda de direitos de transmissão da Copa do Brasil.

O Departamento de Justiça dos EUA tornou públicas duas peças acusatórias na quarta-feira 27: uma delas contra o empresário J. Hawilla, dono da Traffic, e outra contra uma série de integrantes da Fifa, inclusive José Maria Marin, sucessor de Teixeira na presidência da CBF até 2015, quando deu lugar a Marco Polo del Nero, atual dono do cargo.

Nos dois inquéritos, os investigadores citam o caso de patrocínio fechado entre a CBF e a Nike, cujas negociações tiveram início em 1994 e foram finalizadas em 1996. Segundo as autoridades, Ricardo Teixeira e J. Hawilla negociaram o contrato com a Nike para a empresa norte-americana se tornar a fornecedora de material esportivo da seleção brasileira. Com validade de dez anos, o contrato era avaliado em 160 milhões de dólares.

Do valor total previsto no contrato, 40 milhões de dólares deveriam ser remetidos diretamente pela Nike à Traffic, como comissão pelos serviços prestados pela empresa de marketing esportivo de J. Hawilla. Os inquéritos não explicam como isso ocorreu, mas em vez de 40 milhões de dólares chegaram à Traffic 30 milhões de dólares. Metade desse valor, afirma J. Hawilla, foi entregue para Teixeira, ou seja, 15 milhões de dólares.

Esse personagem que negociou o contrato entre a CBF e a Nike ao lado de Hawilla (Teixeira, como mostram registros históricos) aparece como "co-conspirador número 11" no inquérito em que Marin é citado nominalmente e como "co-conspirador número 13" na ação contra Hawilla. Designado como um integrante de “alto nível” da Fifa e da CBF e membro da Conmebol, o "co-conspirador número 13" só pode ser Teixeira, pois ele foi o único todo-poderoso do futebol brasileiro por mais de duas décadas.

A prova mais cabal sobre o co-conspirador ser Teixeira, no entanto, está posta no inquérito contra Marin. Ali, os investigadores detalham como os direitos de transmissão da Copa do Brasil, torneio anual de clubes brasileiros, eram alvo de corrupção. De acordo com a acusação, a Traffic pagava propina a Marin e a outros dois dirigentes da CBF 2 milhões de reais por ano por esses direitos.

De acordo com a denúncia do FBI, em 2014 Marin se encontrou com J. Hawilla em Miami, nos Estados Unidos, e foi questionado sobre a necessidade de a propina continuar fluindo para "seu antecessor como presidente da CBF", que era Ricardo Teixeira. Marin, então, respondeu: “’Já é tempo de vir na nossa direção [a propina]. Certo ou errado?’ O Co-Conspirador #2 [J. Hawilla] concordou dizendo ´Claro, claro, claro. Esse dinheiro tem que ser dado a você. Marin concordou: ´É isso. Está certo’”.

Na peça contra J. Hawilla, esse diálogo entre Marin e o empresário não consta, mas é possível saber quando a corrupção na Copa do Brasil teve início: em 1990, ainda durante a segunda edição da competição, criada pelo próprio Ricardo Teixeira ao assumir a CBF. Segundo Hawilla, ele pagou, entre 1990 e 2009, propina pelos direitos da Copa do Brasil “de tempos em tempos” a Teixeira.

Ricardo Teixeira também é suspeito de receber propina

José Maria Marin, preso nesta quarta-feira (27) na Suíça, não é o único ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sob suspeita de ter participado do esquema de corrupção da Fifa denunciado pelo Ministério Público dos Estados Unidos. Documento obtido por ÉPOCA aponta que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, que comandou com mão-de-ferro a entidade de 1989 a 2012, teria recebido propina de José Hawilla, dono da Traffic Group, empresa que negocia direitos de transmissão de torneios de futebol, como a Copa do Brasil. De acordo com a investigação do FBI, Marin também recebeu dinheiro ilegal na mesma transação.

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

No fim de 2011, porém, a Klefer, empresa concorrente da Traffic, passou a rival para trás na disputa e obteve da CBF o contrato pelos direitos de todas as edições da Copa do Brasil entre 2015 e 2022. Não saiu de graça. Para conseguir o negócio, a empresa do ex-presidente do Flamengo Kleber Leite “concordou em pagar uma propina anual” a um alto dirigente da CBF, como Hawilla “tinha feito no passado”. Durante as negociações, Leite viajou aos Estados Unidos para discutir o assunto com o dirigente, que não é identificado nominalmente na denúncia. O presidente da CBF, na ocasião, era Ricardo Teixeira, que renunciaria em março de 2012.

Havia um problema, entretanto. Kleber Leite informou a Hawilla que havia acertado pagamentos de propina ao dirigente da CBF. Passado algum tempo, porém, avisou que o valor do suborno negociado originalmente tinha aumentado, diante de novas circunstâncias. “Outros dirigentes da CBF – inclusive o réu José Maria Marin [que se tornou presidente da CBF em 2012], e o co-réu 12 [não identificado nominalmente] também exigiram pagamento de propina”. Segundo a denúncia, Hawilla “concordou pagar metade do custo do suborno, que totalizava R$ 2 milhões por ano”, a ser distribuído entre Marin, o novo dirigente, e o anterior.

De acordo com a denúncia, José Maria Marin e Hawilla se reuniram em abril do ano passado em Miami, na Flórida, para conversar sobre os pagamentos que Hawilla lhe devia pelos direitos de transmissão da Copa do Brasil. O documento do Ministério Público americano afirma que, na conversa, Hawilla perguntou a Marin se “era realmente necessário continuar a pagar propinas ao antecessor de Marin [Ricardo Teixeira]”. O ex-presidente da CBF então afirmou: “Já está na hora de... de começar a vir para a gente. Verdade ou não?’ Hawilla respondeu: ‘Claro, claro, claro. Esse dinheiro tinha de ser dado a você’. Marin concordou. “É isso aí, está certo.”

Principal empresa de marketing esportivo no Brasil, a Traffic teve exclusividade de direitos comerciais para a Copa do Brasil entre 1990 e 2009. De acordo com a denúncia norte-americana, esse direito havia sido obtido mediante o pagamento de propina a um “alto dirigente da Fifa, da Conmebol e da CBF”.

Hawilla, acusado dos crimes de extorsão, fraude e lavagem de dinheiro, fez umacordo com a Justiça dos Estados Unidos e pagará US$ 151 milhões (o equivalente a R& 470 milhões), dinheiro que teria lucrado ao pagar propinas para fechar contratos.

Del Nero liga contratos sob investigação à gestão Ricardo Teixeira

O presidente da CBF, Marco Polo del Nero, afirmou que a prisão do ex-presidente José Maria Marin em Zurique nesta quarta-feira (27) é "péssima" para a imagem da entidade.

Ele, no entanto, defendeu o cartola, atual vice-presidente da confederação. Segundo Del Nero, os contratos da Copa do Brasil colocados sob suspeita pelas autoridades americanas nesta quarta foram assinados antes da gestão de Marin. Marin assumiu o cargo em março de 2012 após renúncia de Ricardo Teixeira.

"São contratos firmados antes da administração de Marin, não tem nada firmado após. Eu conheço os contratos", disse.

Questionado pela Folha se a prisão de Marin, junto a outros seis dirigentes da Fifa, prejudica a imagem da CBF, Del Nero respondeu: "Não é boa né? Lógico que não é boa, é péssima, mas temos que saber o que se passa", afirmou.

O dirigente brasileiro diz que foi informado pela mulher de Marin da prisão, ocorrida num hotel de luxo em Zurique onde os cartolas estão hospedados para o congresso da Fifa que elege o novo presidente na sexta-feira (29).

Del Nero fez as declarações após reunião da Conmebol, entidade que reúne as confederações sul-americanas.

A CBF divulgou uma nota em que diz que aguarda as investigações e que não fará julgamentos antes disso. Leia na íntegra:

"Diante dos graves acontecimentos ocorridos nesta manhã em Zurique, envolvendo dirigentes e empresários ligados ao futebol, a CBF vem a público declarar que apoia integralmente toda e qualquer investigação. A entidade aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente. A nova gestão da CBF iniciada no dia 16 de abril de 2015 reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência."

CBF monta estratégia para pôr culpa em Ricardo Teixeira e livrar Marin e Del Nero

Pressionada com a prisão de seu vice, José Maria Marin, a CBF monta uma estratégia para lavar as mãos e se isentar de culpa nas investigações dos EUA.

A confederação age para transferir os holofotes para Ricardo Teixeira, ex-presidente que renunciou em 2012 após denúncias de corrupção. Ao colocar a culpa em Teixeira, o plano da diretoria da CBF é limpar a ficha de José Maria Marin e, especialmente, de Marco Polo Del Nero, novo presidente da entidade.

O discurso, alinhado entre Del Nero e sua diretoria, diz que a maior parte dos contratos da CBF foram assinados na gestão de Teixeira e que Marin “é a continuidade”.

De Zurique, aliás, o novo presidente da CBF entrou em contato com sua diretoria, no Rio, para emitir esse discurso. Foi Del Nero quem mandou soltar a nota oficial da CBF que diz: “A nova gestão da CBF iniciada no dia 16 de abril de 2015 reafirma seu compromisso com a verdade e a transparência.”

Ricardo Teixeira segue escândalo e se vê traído por Del Nero

Ricardo Teixeira, confidenciou a amigos sua irritação e desapontamento com o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, por causa dos desdobramentos do escândalo no futebol mundial, desvendado em ação da Justiça dos Estados Unidos. Os dois eram aliados até recentemente. Segundo uma fonte revelou ao site Terra , Teixeira está se sentindo "traído" por Del Nero.

O motivo da irritação do ex-mandatário é por causa da declaração do atual presidente de que as atividades ilícitas investigadas pelo FBI teriam sido cometidas em administrações anteriores a de Marin, no caso a de Teixeira.

Teixeira tem acompanhado de sua casa, no bairro de Itanhangá, zona oeste do Rio, as notícias sobre a operação, que prendeu dirigentes de futebol de vários países, acusados de corrupção, incluindo o também ex-presidente da CBF, José Maria Marin.

Na última quarta, ele já recebeu a visita de pelo menos dois advogados, a quem recorre há vários anos, e conversou por telefone com amigos que ainda trabalham na CBF para saber em que pé estão as investigações que já receberam o reforço até de procuradores do Ministério Público Federal. De acordo com o senador Romário (PSB-RJ), o aprofundamento das investigações da justiça americana vai levar Ricardo Teixeira para a prisão.

Desde que renunciou à presidência da CBF, em 2012, por causa do acúmulo de denúncias de corrupção contra a CBF e ele próprio, o ex-dirigente se mantém recluso. Primeiro, foi morar em sua casa de Miami. Depois, voltou ao Rio. Também desfruta de uma residência no Uruguai. Recentemente, esteve em Mônaco.

Ricardo Teixeira faz acordo financeiro e corta vínculos com a Fifa

Num esforço para se afastar da Fifa e evitar um possível processo, o brasileiro Ricardo Teixeira rompeu com todos os vínculos financeiros com a entidade. O ex-presidente da CBF era membro do Comitê Executivo da Fifa até 2012, o que lhe dava direitos a receber uma aposentadoria até o ano de 2030. Mas um acordo foi fechado, fazendo com que ele recebesse um pacote de benefícios em uma só parcela milionária.

— Teixeira faz parte do passado — declarou o chefe do Comitê de Auditoria da Fifa, Domenico Scala, que confirmou a "bolada" recebida pelo brasileiro.

Ele, porém, não aceitou revelar o valor. Pelas regras da entidade, todos os cartolas têm o direito de receber a aposentadoria. Em 2013, o brasileiro teria, em tese, uma pensão da Fifa de cerca de R$ 60 mil, valor que entraria em sua conta até ele completar 82 anos. O dinheiro é considerado uma retribuição aos serviços prestados ao futebol.

A Fifa reservou US$ 16,8 milhões para as pensões dos 24 membros de seu Comitê Executivo, um "pé de meia" que eles mesmos criaram em 2005. Com o corte de todos os vínculos com a Fifa, Ricardo Teixeira tenta se afastar de qualquer processo legal na entidade. Pelo seu estatuto, a Fifa apenas pode julgar e punir quem mantém algum vínculo com a entidade.

No caso da investigação sobre os votos dados ao Catar para receber a Copa do Mundo de 2022, Ricardo Teixeira faz parte do informe de 200 mil páginas. Ele foi um dos que deu seu apoio à candidatura do país árabe. 

Mas uma eventual punição pode ser comprometida pelo fato de ele ter se afastado da Fifa e nem mais estar recebendo aposentadoria. Isso não significa, porém, que uma ação não possa ser tomada.

Ricardo Teixeira deixou a CBF e a Fifa em março de 2012, diante dos escândalos que se acumulavam. Alguns meses depois, a entidade com sede em Zurique chegou a tornar público documentos da Justiça da Suíça que comprovavam que o cartola brasileiro havia fraudado a Fifa e recebido propinas no valor de R$ 45 milhões durante anos. Além dele, o também brasileiro João Havelange, que já foi presidente da Fifa, estava envolvido no escândalo de corrupção.

Mas nem a Fifa e nem seu presidente, Joseph Blatter, jamais tomaram qualquer ação em relação a Ricardo Teixeira e Havelange. Pela publicação dos documentos da Justiça, ficou evidenciando que os dois brasileiros pagaram uma multa e o processo foi encerrado.

Meses depois, Blatter justificaria o fato de jamais ter agido contra o esquema, ainda que ele tivesse sido por todos esses anos o "braço direito" de Havelange na Fifa.

— Saber o quê? Que comissões eram pagas? Naquela época, tais pagamentos podiam ser deduzidos até mesmo de impostos como gastos de negócios — respondeu Blatter. — Hoje, seriam punidas pelas lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões de hoje — indicou. — Caso contrário, acabaria como justiça moral. Eu não poderia saber de uma ofensa que na época não era ofensa.

Investigação contra Ricardo Teixeira é aberta pela Polícia Federal

Assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro confirma que cartola e irmão serão investigados por lavagem de dinheiro.

O delegado Vitor Poubel, chefe da Delegacia de Combate a Crimes Financeiro (Delefin), abriu inquérito contra Ricardo Teixeira. A informação foi confirmada pela assessoria de comunicação da Superintendência da Polícia Federal do Rio de Janeiro. O nome do delegado que vai conduzir o caso, no entanto, ainda é mantido em sigilo.

Poubel vai coordenar as investigações contra Ricardo Teixeira e Guilherme Terra Teixeira, irmão do cartola, suspeitos por crime de lavagem de dinheiro no episódio da empresa Sanud - sediada no paraíso fiscal de Liechtenstein. A tendência é que ambos sejam ouvidos em breve.

A Sanud seria uma porta de entrada para dinheiro remetido ilegalmente ao Brasil. A empresa, de propriedade de Ricardo - Guilherme é procurador da Sanud - teria absorvido US$ 9,5 milhões (cerca R$ 16,7 milhões) no caso de pagamento de propina da extinta empresa ISL, acusada de dar dinheiro a integrantes da Fifa em troca de privilégios no contrato de televisão da Copa do Mundo.

Os documentos que comprovariam os subornos podem ser solicitados pela Justiça do Brasil.

O instauração do inquérito atende solicitação do procurador Marcelo Freire. Freire pediu que a evolução patrimonial dos Teixeira seja investigada.

Inicialmente, a equipe da Delefin tem 90 dias para concluir as investigações, mas o prazo pode ser esticado caso haja necessidade.

Onde está Ricardo Teixeira?

Será que ele é uma das peças do “Quebra Cabeça” que o FBI está quase fechando, mas, parece, alguém surrupiou e colocou dentro da cueca?

É preciso muita calma nesta hora. ‘Uma coisa é uma coisa’ e ‘outra coisa é outra coisa’.

Até agora Santo Ricardo, mesmo canonizado pela SRF/MF, um ex-presidente e por políticos (à exceção do sagaz Romário, a quem nunca o Santo ousou benzer) e resolveu não subir ao céu e ficar por aqui mesmo cobrando às bençãos aos afilhados. Bem isto “é uma coisa”.

Já o FBI e o Deptº de Justiça Norte Americano … aí, “é outra coisa”. Se eles estão falando em 24 anos, a única peça que falta só pode ser ele, pois o sogro aos 99 … noves fora, nada. Mas Herdeiros e Sucessores deste que se acautelem, ainda não se passaram vinte anos.

E isto é extremamente grave, na oportunidade em que o agente das propinas, J. Havilla, dono da Traffic, em seu acordo com a Justiça Norte Americana, admitindo uma série de crimes, concordou em pagar uma multa, devolvendo US$ 151 milhões. Essa foi uma das condições para não ser preso. Agora, vá saber se, também não falou coisas que não se divulgou.

Repórter da BBC fala mal de Ricardo Teixeira no Sportv

O inglês Tim Vickery é presença frequente no Redação Sportv, programa do canal de esporte das Organizações Globo. Correspondente da BBC no país, ele fala com conhecimento sobre futebol brasileiro e várias vezes aponta absurdos que ele vê no nosso país.

O inglês aproveitou para alfinetar Ricardo Teixeira, presidente da CBF. Duramente criticado pela imprensa e alvo de uma campanha que pede sua queda, o cartola mostrou proximidade com a Globo à revista Piauí, quando deu a entender que uma entrevista sua à emissora tinha temas proibidos, como denúncias à sua administração.

Apesar de ter sido alvo de uma reportagem no Jornal Nacional recentemente, Ricardo Teixeira dificilmente é citado negativamente em canais da Rede Globo. Tim Vickery ignorou a regra e alfinetou o cartola.

“Vocês [brasileiros] são muito intolerantes com várias coisas, mas são muito tolerantes com outras, como o Ricardo Teixeira”, disse o inglês, sem que André Rizek, apresentador do programa, e o comentarista Renato Maurício Prado o interrompessem ou alongassem o assunto.

O comentário gerou repercussão imediata no Twitter. Internautas parabenizaram o inglês pela postura de criticar o cartola-mor do futebol brasileiro em um canal da Globo.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

Eduardo Cunha permitirá que Congresso se chame Arena Odebrecht (Por Thiago Muniz)

Após aprovar uma mudança na Constituição que legaliza o financiamento privado de campanhas, o cancioneiro de Orlando Morais e a pizza doce, Eduardo Cunha apresentou seus planos para o segundo semestre. "O momento é difícil e exige criatividade. Precisamos estar abertos para os novos tempos”, declarou, para logo emendar: “Nada mede o tempo como os relógios Longines, novo patrocinador oficial do painel de votação do Congresso.”

Após lavar as mãos com panos umedecidos Kleenex –“patrocinador oficial da bancada ética do PMDB” –, Cunha negociou a venda de naming rights de todos os imóveis do Eixo Monumental. "Já temos um acordo para renomear o Congresso de Arena Odebrecht. Paralelamente, graças ao empenho de Gilmar Mendes, o STF está prestes a ser rebatizado de Supremo BTG Pactual."

Cunha não confirmou os rumores de que já é certo que o Itamaraty será administrado por um consórcio formado por PDVSA, Granma e o Partido Comunista Chinês. “Há conversas nesse sentido, sim, mas o esforço de parte importante tanto da base quanto da oposição, notadamente do PSDB, é para que o Ministério seja cedido a um grupo liderado pela OAS, Moët & Chandon e Air France.”

O presidente do Congresso informou que ainda não há data para a oficialização do nome Palácio do Planalto Lubrax.

Com o intuito de economizar recursos públicos, Cunha pretende que, até o fim do ano, todos os vencimentos dos deputados sejam pagos diretamente pelos patrocinadores.



















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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

FIFA: Raízes Corruptas (Por Thiago Muniz)

A prisão de sete diretores da FIFA obriga a refundar a organização. Corrupção da FIFA chega a 150 milhões de dólares em 24 anos

A escandalosa trama de corrupção destampada pela justiça dos Estados Unidos, pelo FBI e pela agência tributária norte-americana compromete gravemente a credibilidade da FIFA, a federação internacional que governa desde 1904 os destinos do futebol mundial. Sete diretores da organização, muito próximos ao presidente, Joseph Blatter, foram detidos nesta quarta-feira em Zurique acusados de suborno, chantagem, fraude e lavagem de dinheiro. Loretta Lynch, procuradora-geral dos EUA, foi clara e taxativa ao apresentar as acusações: é uma trama com “raízes profundas” que operou por, pelo menos, 24 anos. A conclusão é que o futebol mundial viveu em um ecossistema corrupto durante as duas últimas décadas.

A espetacular prisão de diretores mostra que não foi um simples episódio, mais ou menos grave, na história da FIFA. De entrada, confirma as persistentes suspeitas de corrupção que mancharam as concessões dos negócios adjacentes à organização dos campeonatos internacionais; e, claro, questiona até a raiz a decisão de realizar as Copas do Mundo na Rússia e em Qatar. A ponto de que uma das primeiras disposições que deveria tomar a nova equipe diretora (há eleições na próxima sexta-feira nas quais, com certeza, Blatter se apresentará) se quiser recuperar um pouco da credibilidade perdida seria revisar e investigar a decisão das duas Copas do Mundo. Elas estão sob suspeita e não deixa de ser um mau sinal que o porta-voz da FIFA tenha ratificado as duas datas.

A prisão de vários diretores salpica, sem dúvidas, em Joseph Blatter. Não dá para acreditar que o presidente desconhecesse as raízes profundas de corrupção citadas por Loretta Lynch. Durante seu mandato, os gestores de marketing esportivo subornaram os diretores da FIFA a ponto de que, na expressão do FBI, “os pagamentos ilícitos eram a forma de fazer negócio” na organização. Mesmo que não soubesse de nada, Blatter era e é o responsável. A decisão mais lógica, por mais que dentro da organização assegurem que o presidente “não está implicado”, seria a renúncia. O que não implica aceitar culpa, mas responsabilidade.

Não é surpresa que o sistema de direção da FIFA – obscurantista, arbitrário, fechado ao exterior, servido sempre pelos mesmos mandarins constituídos, estes sim de uma casta perene – tenha facilitado o desenvolvimento de tramas corruptas em seu interior. O golpe de ontem, dado a partir de Washington, pode ser uma oportunidade para profundas mudanças. Eleição aberta dos presidentes, abertura nos negócios adjuntos às Copas do Mundo, auditorias independentes sobre as contas da organização e limite de mandatos poderiam ser as bases de uma renovação. Os 17 anos de governo de Blatter em uma organização federada (o presidente anterior, Havelange, ficou por 24) degradam qualquer eleição em uma armação entre amigos.

Apesar disso, a renovação da FIFA será impossível se houver uma ação sobre a raiz, que são as federações nacionais. Neste nível, as presidências se eternizam, quase sempre como consequência de compensações, trocas de favores ou interesses comuns entre os clubes e aqueles que os representam. Loretta Lynch e o FBI fizeram seu trabalho na superestrutura da FIFA; as autoridades nacionais teriam que fazer o mesmo nos níveis das federações. Assim, seria possível evitar as presidências eternas tão suspeitas como a de Ángel María Villar, presidente da Federação Espanhola de Futebol, que declarou em voz alta, com clareza e entusiasmo a “honradez” da diretoria da FIFA. Só por colocar a mão nesse fogo, ele deveria pedir demissão. Ao mesmo tempo que Blatter.

A recente prisão de sete membros da FIFA acusados de corrupção manchou ainda mais a imagem do órgão internacional que representa o futebol internacional e a de seu presidente, Joseph Blatter, que em dois dias disputa as eleições para se manter no cargo enfrentando outro candidato, Ali bin al Hussein. Com esse novo escândalo, surgem muitas perguntas a respeito da FIFA, uma entidade que, apesar de seus esforços para ser transparente, continua projetando grandes sombras.

Quando e como foi criada?

Segundo o site da organização, a Fédération Internationale de Football Association (FIFA) foi fundada em 21 de maio de 1904 como consequência da expansão do futebol no início do século XX. Em razão da popularidade do esporte, julgou-se necessário formar uma organização para estabelecer normas ao futebol no âmbito internacional. Com exceção da Inglaterra na fase inicial, Dinamarca, Bélgica, Suíça, França, Suécia, Holanda e Espanha decidiram criar uma entidade garantidora do futebol. A Inglaterra passou a fazer parte da organização um ano depois. A FIFA é uma associação regida pelas leis suíças, com sede em Zurique.

Como está formada?

A FIFA é formada por 209 associações nacionais que se encarregam de organizar o futebol em seus respectivos países. No âmbito continental, são divididas em seis confederações: Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL), da União das Federações Europeias de Futebol (UEFA), Confederação Asiática de Futebol (AFC), Confederação Africana de Futebol (CAF), Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (CONCACAF) e Confederação de Futebol da Oceania (OFC). Além disso, está organizada com os seguintes departamentos: o Congresso (órgão legislativo), o Comitê Executivo (órgão executivo), Secretaria Geral (órgão administrativo), e as Comissões (que dão suporte ao Comitê Executivo).

Quantas pessoas trabalham na FIFA?

310 pessoas de 35 países diferentes trabalham na organização.

Qual o volume financeiro movimentado?

Cerca 90% da renda da FIFA é obtida com a organização da Copa do Mundo e com a venda dos direitos de marketing e transmissão do evento pela TV. De acordo com dados recentes publicados no site da entidade após o 64o Congresso, a renda da FIFA subiu para 4,5 bilhões de dólares (14,3 bilhões de reais), sendo que as redes de TV responderam por 60% desse total. Segundo os cálculos da organização, a FIFA desembolsou cerca 2 bilhões de dólares (6,3 bilhões de reais) para os custos operacionais da Copa do Mundo do Brasil em 2014. Como a entidade tem sede em Zurique, o lucro total da FIFA está sujeito à tributação suíça. De acordo com o Relatório de Finanças de 2013, a FIFA pagou 17 milhões de dólares (54 milhões de reais) em impostos.

Como o presidente da FIFA é eleito?

O fato de Joseph Blatter ocupar o cargo de presidente da FIFA desde 1998 gerou todos os tipos de suspeitas sobre a transparência e a legalidade do mecanismo de eleição do posto máximo da entidade. O suíço pretende renovar sua permanência no cargo no Congresso que será realizado no próximo dia 29 de maio, em Zurique, no qual disputará o posto com outro candidato, o príncipe jordano Ali bin al Hussein. Será a primeira vez desde as eleições realizadas em Seul, em 2002, que o suíço terá um adversário. O príncipe jordano foi o único candidato que se manteve firme em seu objetivo. Não ocorreu o mesmo com Luis Figo, que na última quinta-feira anunciou sua desistência denunciando "uma grave falta de transparência democrática", tachando as eleições como "um plebiscito de entrega do poder absoluto para um único homem". Também desistiram do páreo o francês Jérome Champagne, de 55 anos, e ex-vice-secretário geral da FIFA, e o holandês Michael van Praag, presidente da Federação Holandesa de Futebol.

A eleição do presidente da FIFA será realizada por voto secreto. Nessa votação, participarão os representantes das 209 associações que estejam presentes durante o ato. Cada um receberá uma cédula e, seguindo a ordem alfabética em inglês das associações, começará a votação. Antes, os candidatos terão a oportunidade de apresentar seus programas para o Congresso. Para que o presidente seja escolhido na primeira votação, serão necessários dois terços dos votos. Para a segunda (não há mais etapas devido à ausência de um terceiro candidato), é necessário apenas atingir a maioria simples (mais de 50% dos votos). O mandato do presidente eleito começará após o encerramento do Congresso.

Quem foram os presidentes da FIFA?

Até o momento, a FIFA teve oito presidentes: Robert Guérin, Daniel Burley Woolfall, Jules Rimet, Rodolphe Seeldrayers, Arthur Drewry, Stanley Rous, João Havelange e Joseph Blatter. Juntos, os dois últimos ficaram 41 anos no cargo (24 anos e 17 anos, respectivamente).

Quem foi a favor de uma renovação?

Nas quase duas décadas do mandato Blatter, muitas vozes apontaram o dirigente suíço como responsável pela corrupção nas estruturas de governança da organização. Desde as recentes renúncias de ex-candidatos ao cargo até os antigos aspirantes, todos exigiram um novo rosto na presidência da instituição que se encarrega de administrar um esporte praticado por mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo.

Recentemente, o presidente da Comissão de Assuntos Externos do Senado dos EUA, Bob Menendez, do Partido Democrata, e o senador republicano John McCain enviaram uma carta aos congressistas da FIFA, para que reconsiderem sua posição e se inclinem a favor de um candidato que esteja disposto a reconsiderar a escolha da Rússia para sediar a Copa do Mundo em 2018. Ambos os senadores destacam o fato que a receita gerada pelo Governo de Putin com a organização do evento viola as sanções multilaterais impostas pelos Estados Unidos em razão das “contínuas agressões na Ucrânia".

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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

CBF e FIFA: o mar de escândalos e sujeiras (Por Thiago Muniz)

Marin e o mar de lama...ops! Conta Bancária polpuda

Quantos analfabetos políticos vestiram a "amarelinha" e foram para as ruas protestar contra o "mar de lama" que assola o país?

Segundo a Justiça dos EUA, José Maria Marin recebeu propinas de 2 milhões de reais por ano de parceiros comerciais para a realização da Copa no Brasil quando presidente da CBF. Tentou ainda transferir para suas contas o dinheiro que era antes destinado a Ricardo Teixeira.

Na manhã de quarta, Marin era um dos detidos em Zurique, com outros seis cartolas da Fifa, a mando do FBI. O atual chefão da entidade, Marco Polo del Nero, tratou de atirar a bola no colo de outros. “Isso é algo antigo “, disse, corajoso. O secretário geral Walter Feldman, ex-coordenador de campanha de Marina Silva, conseguiu afirmar que as denúncias são “casos do passado” e que Marin tem hoje “papel decorativo”.

Compreensivelmente, em se tratando de gente desse tipo, os amigos de Marin sumiram todos, a empresa onde ele trabalhava tornou-se correta em dois meses e um pessoal quer que você acredite que ele operava sozinho diretamente de sua penteadeira nos Jardins.

Um companheiro fiel, particularmente, desapareceu e não dá pinta que de vai oferecer uma palavra de solidariedade: Aécio Neves. A relação de ambos é próxima, antiga e cheia de passagens edificantes.

Em 2013, Marin inaugurou uma placa em homenagem a Aécio no Mineirão do dia de um amistoso entre Brasil e Chile. Lembrou que o tucano foi dos primeiros a parabenizá-lo quando ele assumiu o cargo. Deu-lhe uma réplica de uma camisa da seleção de 58 e participou de um jantar em torno do senador.

Foi uma cortesia em retribuição a serviços prestados. Juntamente com o colega Zezé Perrella, o dono do Helicoca, ex-presidente do Cruzeiro, Aécio ajudou a enterrar a CPI da CBF, que visava investigar abusos de poder econômico na eleição de dirigentes, transferências irregulares de recursos, desvios de verbas, entre outras mumunhas.

Perrella e Aécio conseguiram que nove senadores retirassem suas assinaturas do pedido de abertura da comissão parlamentar de inquérito, inviabilizando-a (entre eles, Cássio Cunha Lima, paladino da moral e dos bons costumes). Na época, Perrella falou no plenário que “não achava motivo que fundamente uma CPI”.

Na campanha presidencial, Marin declarou voto no mineiro. Após a Copa, a ligação não esfriou. De acordo com um comunicado da CBF, Aécio ligou duas vezes para Marin na ocasião de um jogo com o time de Messi: “Antes da partida, Aécio Neves desejou boa sorte para a seleção brasileira que iria enfrentar a Argentina. Terminado o jogo, Aécio voltou a telefonar, dessa vez para parabenizar o presidente da CBF, jogadores e integrantes da comissão técnica pela bela vitória sobre a Argentina e pelo tricampeonato do Superclássico das Américas”.

A confederação ainda conta com um antigo aliado de Aécio, o pessedebista João Doria Jr, empossado chefe da delegação. Galvão Bueno estranhou o fato de Doria não ter nada a ver com o esporte, como se esta fosse a especialidade da casa.

Os telefonemas devem estar fazendo falta a José Maria Marin, que pode pegar até 20 anos de prisão. Numa das manifestações pelo impeachment, aquela em que chegou mais perto da rua, Aécio se deixou fotografar na janela do apartamento no Leblon com a camiseta da CBF, orgulhoso.

A mesma camiseta que milhares de coxinhas usam para bater suas panelas e gritar pelo fim da corrupção, num tributo enviesado a brasileiros do bem como Marin, Teixeira, Del Nero e tantos outros que estão, neste momento, em pânico.

A era Blatter na FIFA é marcada por escândalos

A Fifa já passou por uma série de escândalos. Agora, dois dias antes de seu congresso anual, a prisão de sete altos dirigentes da entidade causa mais um embaraço. Mesmo que o presidente Joseph Blatter não esteja diretamente envolvido, ele já esteve no centro de várias controvérsias que mancharam a imagem da entidade máxima do futebol.

Em 1997, Blatter esteve envolvido num escândalo, mesmo antes de assumir o cargo que ocupa hoje. Os pivôs do caso foram seu antecessor, João Havelange, e o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Ambos teriam recebido milhões em subornos por contratos de marketing para a Copa do Mundo. Blatter foi inocentado de todas as suspeitas, embora ele, como secretário-geral, tenha transferido pessoalmente um pagamento a Havelange de 1,5 milhão de francos suíços.

Em 1998, o então secretário-geral Joseph Blatter ganhou a eleição à presidência da Fifa, derrotando o então presidente da Uefa, Lennart Johansson, pouco antes do início da Copa do Mundo da França. Até hoje, há acusações sobre supostos pagamentos de 50 mil dólares, cada, a delegados africanos, realizados em um quarto de hotel em Paris. Blatter nega a acusação.

Em 2006, o então vice-presidente da Fifa, Jack Warner, assumiu a comercialização dos cobiçados ingressos para a Copa da Alemanha em seu país de origem, Trinidad e Tobago. Sua empresa teria recebido 900 mil dólares de comissão. No entanto, as investigações da Fifa não conseguiram encontrar indícios contra Warner, somente contra o filho dele.

Em 2010, Rússia a Qatar foram definidos como sedes das Copas de 2018 e 2022. Já antes da escolha, dois membros executivos da Fifa foram suspensos por causa de corrupção comprovada. Acusações contra os futuros países-sede do Mundial foram investigadas pela Fifa, mas sem resultados definitivos. Suspeitas ainda pairam sobre o então processo de escolha, atualmente investigado também por promotores suíços.

Em 2011, Mohamed bin Hammam, do Qatar, se candidatou para enfrentar Blatter na eleição para presidente. Pouco antes da votação, foram reveladas suspeitas contra o funcionário vindas do Caribe. Os 35 votos da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) são considerados cruciais. Enquanto Blatter prometeu às confederações um milhão de dólares como auxílio oficial da Fifa, Hammam tentou extraoficialmente oferecer 40 mil dólares a cada organização. Ele foi descoberto, após denúncias de outros funcionários, posteriormente condenados por participar de esquema de corrupção.

Em 2014, houve notícias de suspeitas de venda ilegal de bilhetes da Copa do Mundo no Brasil pelo dirigente argentino Julio Grondona, morto no ano passado.

Os sete cartolas envolvidos:

José Maria Marin, ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Até o início de 2012, José Maria Marin era um desconhecido do futebol brasileiro. Mas bastou embolsar uma medalha durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior para ficar relativamente famoso. Dois meses depois, em março, ele assumiu a presidência da CBF, entidade que comandou até o fim do ano passado. Nos anos 50, foi jogador do São Paulo. Na década de 60, entrou para a política. Foi vereador e deputado estadual por São Paulo, além de vice e governador do Estado entre o final dos anos 70 e início dos 80.

Eugenio Figueredo, vice-presidente e membro do comitê executivo da Fifa. Ex-lateral-direito do pequeno Huracán Buceo, de Montevidéu, Eugenio Figueredo presidiu o clube nos anos 70 e, entre 1997 e 2006, assumiu o comando da Associação Uruguaia de Futebol (AUF). Foi presidente da Conmebol entre 2013 e 2014, depois de atuar como vice entre 1993 e 2013.

Jeffrey Webb, vice-presidente da Fifa e presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf). Aos 50 anos, o cartola tem mais de duas décadas de atuação no futebol americano, principalmente na América do Norte e no Caribe. Natural das Ilhas Cayman, ele foi eleito presidente da associação do país em 1991. Em 2012, assumiu a Concacaf.

Eduardo Li, presidente da Federação Costarriquenha de Futebol (Fedefutebol). Li assumiria esta semana seu cargo no comitê executivo da Fifa. É membro do comitê executivo da Concacaf.

Julio Rocha. Presidiu a Federação Nicaraguense de Futebol por 26 anos. Renunciou ao cargo no final de 2012.

Rafael Esquivel. Natural de Tenerife, na Espanha, Esquivel tem 68 anos e comanda a Federação Venezuelana de Futebol desde 1988.

Costas Takkas. Trabalha na Concacaf e foi secretário-geral da Associação de Futebol das Ilhas Cayman.

Além deles, foram indiciados:

Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). O dirigente paraguaio de 86 anos presidiu a Conmebol entre 1986 e 2013 — mesmo ano em que renunciou ao cargo que ocupava no Comitê Executivo da Fifa, igualmente alegando motivos de saúde. Entre os anos 40 e 50, foi jornalista esportivo. Depois, estudou direito e foi professor até começar a atuar como dirigente de futebol, na década de 70.
Jack Warner. Natural de Rio Claro, em Trinidad e Tobago, Warner atuou como político, empresário e professor. Presidiu a Concacaf entre 1990 e 2011, quando foi suspenso e renunciou ao cargo.

Como Marin montou uma máquina de propinas, segundo os investigadores americanos

A administração de José Maria Marin cobrou propinas milionárias para fechar contratos comerciais e ceder competições a outros países. Investigações conduzidas pela Justiça americana e pelo Ministério Público da Suíça revelam que o ex-presidente exigia pagamentos e chegou a alertar parceiros comerciais que os valores de propinas pagos ao seu antecessor, Ricardo Teixeira, deveriam agora ser redirecionados a ele.

Num dos pagamentos, a CBF ficaria com uma propina de US$ 20 milhões (R$ 63 milhões) para contratos comerciais envolvendo a Copa América de 2019 no Brasil. No total, os contratos oficiais estavam avaliados em US$ 80 milhões (R$ 254 milhões).

Marin ainda cobrou R$ 2 milhões por ano de parceiros comerciais para a realização da Copa do Brasil enquanto foi presidente da CBF e tentou negociar o fim dos pagamentos de propinas para Ricardo Teixeira, transferindo os lucros para suas contas. Nesta manhã, ele foi um dos presos na Fifa pela polícia suíça e à pedido do FBI nos EUA.

Segundo a investigação americana, a CBF cobrou propinas de parceiros para que tivessem o direito de transmissão dos eventos. O valor, porém, subiu quando Marin assumiu a presidência, em 2012. Marco Polo Del Nero, presidente atual da CBF, saiu nesta manhã em defesa de Marin, alegando que todos os contratos eram da época de Ricardo Teixeira.

O cartola brasileiro que está preso na Suíça aceitou dividir os R$ 2 milhões anuais com outros dois dirigentes esportivos, não mencionados. Parte do pagamento foi feito por meio de contas no banco Itaú de Nova Iorque para outra no HSBC de Londres. Numa delas, o dinheiro ia para uma conta de uma empresa que fabrica iates de luxo.

Em abril de 2014, Marin usou uma coletiva de imprensa nos EUA para, nos bastidores, falar da Copa América para negociar o fim de pagamentos a Ricardo Teixeira. No encontro, segundo a Justiça americana, Marin declarou: “Chegou a hora de vir em nossa direção. Verdade ou não?”. O interlocutor, não identificado, apenas respondeu: “Claro, claro. O dinheiro teria de vir para o senhor”. Marin respondeu: “Está certo”.

As propinas não começaram com Marin. Desde 1990 e até 2009, a investigação americana indica que um “alto funcionário da Fifa e da CBF solicitou receber propinas em conexão com o contrato de venda dos direitos da Copa do Brasil” Marin ainda recebeu em 2013 mais US$ 3 milhões (R$ 9 milhões) em propinas por contratos da Copa América, pagos pela empresa Datisa.

Outra constatação é de que a Nike pagou uma propina de US$ 40 milhões em uma conta na Suíça para fechar um contrato com a CBF para patrocinar a seleção brasileira. A informação faz parte da investigação conduzida nos EUA e que acabou com a prisão de José Maria Marin, ex-presidente da CBF.

Segundo o levantamento, o acordo avaliado em US$ 140 milhões (R$ 127 milhões) rendeu em pagamentos paralelos e depositados no paraíso fiscal alpino. As suas duas empresas que teriam recebido o dinheiro seriam a Traffic Sports International Inc. E a Traffic Sports USA Inc. -, que estão sediadas na Flórida (EUA). Ambas são citadas pela Justiça americana. Os suíços já indicaram que contas foram bloqueadas.

Empresário envolvido no escândalo da Fifa, J Hawilla devolveu US$ 151 milhões em acordo

Um dos envolvidos no processo investigado pela Justiça norte-americana, o empresário José Hawilla, dono da Traffic, empresa de marketing esportivo, devolveu US$ 151 milhões (R$ 473 milhões) ao fazer um acordo e assinar sua confissão. Em 12 de dezembro do ano passado, Hawilla, de 71 anos, assumiu as acusações de conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. No dia 14 de maio deste ano, foi considerado culpado por fraude bancária.

Destes US$ 151 milhões devolvidos, US$ 25 milhões (R$ 78,8 milhões) foram pagos no momento do acordo, segundo o documento divulgado pela Justiça dos Estados Unidos. Além dele, outros dois réus assumiram-se culpados. Daryan Warner, filho de Jack Warner – ex-secretário de desenvolvimento da Fifa e também réu – devolveu mais de US$ 1,1 milhão (R$ 3,4 milhões) ao longo do processo em que foi acusado por conspiração para fraude, lavagem de dinheiro e estruturação de transações financeiras. Ele fez um acordo para devolver novos valores, ainda não definidos.

Charles Blazer, ex-secretário-geral e ex-membro do comitê executivo da Fifa, assumiu-se culpado nas acusações por conspiração para extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e evasão de imposto de renda. Ele devolveu US$ 1,9 milhão (R$ 6 milhões) ao longo do processo e também fez um acordo para novas devoluções.

Confira a nota da Justiça dos Estados Unidos:

“Em 12 de dezembro de 2014, o acusado José Hawilla, dono e fundador do Grupo Traffic, o conglomerado de marketing esportivo brasileiro, foi indiciado e declarado culpado por extorsão, conspiração por fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução da justiça. Hawilla concordou em devolver mais de US$ 151 milhões, sendo US$ 25 milhões destes pagos no momento de seu apelo.

Em 14 de maio de 2015, os acusados da Traffic Sports USA Inc. e Traffic Sports International Inc. foram considerados culpados por fraude bancária.

Todo o dinheiro devolvido pelos acusados estão sendo guardados na reserva para assegurar sua disponibilidade para satisfazer qualquer ordem de restituição em sentenças que beneficiem qualquer pessoa ou entidade qualificada como vítima dos crimes destes acusados sob a lei federal”.























A Fifa chamou a mulher errada... (Dorrit Harazim)

No domingo 5 de maio de 2013, este artigo publicado na página de Opiniões de "O Globo" pela companheira Dorrit Harazim chamou minha atenção.

Guardeio-o, como faço com diversos outros que julgo interessantes.

E agora compartilho com vocês.

É ou não é interessante?

Dorrit Harazim, O Globo

Foi no 61º congresso da Fifa, realizado em Zurique em meados de 2011, que Sepp Blatter, o presidente eleito pela quarta vez, anunciou a novidade às 206 confederações ali representadas: a partir daquele ano seria criado um novíssimo comitê, inteiramente independente, para monitorar o funcionamento e aprimorar a idoneidade do órgão máximo do futebol mundial.

Medida um tanto tardia considerando-se que as primeiras provas da avalanche de falcatruas e alegações de corrupção na entidade haviam sido expostas pela primeira vez doze anos antes, pelo autor de livros investigativos David Yallop. Em "How They Stole The Game" (Como eles roubaram o jogo, não editado no Brasil), o inglês Yallop focara na compra de votos africanos para que Blatter sucedesse a seu padrinho brasileiro João Havelange.

O colossal escândalo "ISL", referente ao generoso suborno embolsado por Havelange e seu genro Ricardo Teixeira da empresa de marketing International Sports and Leisure, também já vinha sendo escarafunchado há anos.

Repórteres internacionais incômodos e obcecados como o escocês Andrew Jenkins (autor, entre outros, de "Jogo sujo — O mundo secreto da Fifa") ou jornalistas determinados como o brasileiro Juca Kfouri não deixavam o escândalo morrer. As muitas outras improbidades que se seguiram também não conseguiram ser varridas para baixo do tapete.

Urgia, portanto, fazer algo antes que os negócios da Fifa começassem a ser afetados.

A instalação do inovador Comitê Independente de Governança recebeu elogios até mesmo da Interpol. Presidido pelo professor de Direito Criminal Mark Pieth, o comitê era composto por dez membros vindos de oito países. Além de Pieth, nove homens e uma mulher — a canadense Alexandra Wrage.

Sepp Blatter, João Havelange e todos os encrencados da Fifa deveriam ter lido pelo menos o livro de Wrage, "Bribery and Extortion: Undermining Business, Governments, and Security" (Suborno e extorsão: Minando negócios, governos e segurança, sem edição no Brasil) para saber que ela entende de corrupção tanto quanto eles. Se não mais. O título do primeiro capítulo é "Ladrões, bandidos e cleptocratas".

Formada em Direito por Cambridge e há seis anos na lista das 100 Pessoas Mais Influentes na Ética Empresarial da revista "Ethisphere", Wrage já presidiu o Comitê Anticorrupção da Ordem dos Advogados dos Estados Unidos.

É fundadora da Trace, a principal entidade internacional de apoio a corporações no combate a todo tipo de corrupção. Organização sem fins lucrativos, tem afiliados que pagam anuidade espalhados por todo o mundo e um site em 21 línguas para denúncias anônimas de práticas de extorsão e suborno por qualquer pessoa, em qualquer canto do mundo.

Pois bem, foi com essa mulher a bordo que o Comitê Independente de Governança montado pela Fifa produziu um primeiro relatório em março de 2012, em apenas três meses de trabalho.

É possível que o grupo tenha detectado procedimentos e lacunas tão gritantes que achou conveniente elencá-los de imediato para correção rápida. Mas nada foi feito.

O Comitê trabalhou mais doze meses e produziu um segundo relatório, apresentado em fevereiro último. Tudo indica que tampouco esse novo lote de sugestões foi encampado.

Assim, duas semanas atrás, Alexandra Wrage abandonou a Fifa à própria sorte. Ou, como diz, deixou "esse antiquado clube de homens a lustrar o verniz" enquanto a fundação continua a ruir.

Desde então, ela atende quem se interessa em saber o que houve. BBC, CNN, "Forbes" correram atrás. O retrato que emerge de suas entrevistas é de uma Fifa entrincheirada.

Um dos papéis cruciais atribuídos ao Comitê dito Independente fora o de indicar nomes para cargos críticos numa nova estrutura mais arejada. Após criteriosa seleção, o Comitê sugerira oito nomes, entre os quais os de duas mulheres recomendadas para o setor de Ética. Todos foram vetados.

Wrage conta que foi instada por dois altos executivos da casa a garimpar mais candidatos homens uma vez que candidatas mulheres não seriam aceitas. Ficou estarrecida.

A canadense, que trabalha em países e continentes reputados pela fraca adesão ao catecismo feminista, não tinha ouvido afirmação de preconceito tão explícita e direta há pelo menos três décadas.

O Comitê também recomendara que o Conselho Executivo da Fifa cogitasse aceitar membros de fora da entidade, para sinalizar um início de transparência e alinhamento com modernas corporações e organizações mundiais. Proposta rejeitada. A Fifa continua sendo uma sociedade secreta, sem prestar contas a ninguém.

A recomendação de acompanhar a tendência mundial e tornar públicos os salários e gratificações de seus executivos foi descartada com o argumento de que a questão serviria mais à curiosidade pública do que a uma melhora de governança.

Wrage conclui que somente o governo da Suíça é capaz de fazer com que a Fifa, algum dia, se dobre às leis da transparência. Isso porque a entidade está sentada em cima de um baú de US$ 1,4 bilhão em reservas. Livres de impostos.

"Blatter virtualmente declarou sua missão de saneamento cumprida, não vai debater com ninguém nem vai se explicar", diz a canadense. "O que não é surpreendente para um homem que descreve a Fifa como se fosse um Estado soberano presidido por ele."

Mas ainda que Blatter seguisse à risca todas as recomendações caras a Wrage, dificilmente os dois se entenderiam. É que alguma sequela deve ter ficado em Blatter de um cargo que ocupou nos anos 1970: foi presidente da Sociedade Mundial dos Amigos das Cintas-Ligas. Repetindo: presidente da Sociedade Mundial dos Amigos das Cintas-Ligas.

A organização se formara em protesto à substituição das sensuais cintas-ligas pelo uso das meias-calças, bem mais práticas, que apareceram com a invenção do náilon. Trinta anos depois, o mesmo Blatter, já presidente da Fifa, sugeria que as jogadoras de futebol deveriam usar "short mais apertadinho e camisa mais decotada" para "criar uma estética mais feminina".

Cada qual com sua visão de transparência.


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

Jose Maria Marin é preso na Suíça (Por Thiago Muniz)

Polícia suíça prende Marin e outros dirigentes da FIFA na Suiça.

Policiais invadiram hotel cinco estrelas de Zurique e detiveram sete dirigentes da entidade. O ex-presidente da CBF José Maria Marin é um dos detidos.

A polícia da Suíça prendeu nesta quarta-feira nove dirigentes da Fifa a pedido da justiça dos EUA sob a acusação de corrupção e diversos outros crimes. Os suspeitos foram detidos num hotel em Zurique e poderão ser extraditados para os Estados Unidos. O departamento de justiça americano confirmou que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, foi um dos detidos. O Departamento Federal de Justiça suíço informou que está questionando os dirigentes sobre a votação para escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022.

Delegados de quase todas federações de futebol estão em Zurique para o congresso da FIFA marcado para esta sexta-feira - no qual Joseph Blatter tentaria buscar seu quinto mandato como presidente da entidade. O porta-voz da FIFA, Walter de Gregorio, disse que Blatter não está entre os acusados.

- Ele não está envolvido de modo algum - disse.

Segundo o jornal, as acusações baseadas numa investigação do FBI que começou em 2011 apontam corrupção generalizada na FIFA nas últimas duas décadas - envolvendo a disputa pelo direito de sediar as Copas da Rússia (2018) e Catar (2022) - além de contratos de marketing e televisionamento. O rival de Blatter na eleição, o príncipe saudita Ali Bin Al Hussein, comentou para a emissora inglesa BBC:

- Hoje é um dia triste para o futebol. É uma história em andamento - cujos detalhes ainda estão aparecendo.

Os outros dirigentes detidos na Suiça, além de Marin, foram Jeffrey Webb (Ilhas Cayman), vice-presidente da comissão executiva e presidente da Concacaf; Eugenio Figueredo (Uruguai), que também integra o comitê da vice-presidência executiva e até recentemente era presidente da Conmebol; Jack Warner (Trinidad e Tobago), ex-vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Concacaf, acusado anteriormente de inúmeras violações éticas; Julio Rocha (Nicarágua), presidente da Federação Nicaraguense; Costas Takkas; Rafael Esquivel; Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol; e Eduardo Li, presidente da Federação da Costa Rica.

A Justiça Suíça divulgou nota oficial informando que seis acusados foram presos e aguardarão processo de extradição para os EUA. Segundo a nota, as autoridades americanas acusam os suspeitos de receberem milhões de dólares em subornos. 

As escolhas de Rússia e Catar como sedes para as duas próximas Copas (2018 e 2022) podem ser o tema central das investigações. O Departamento de Justiça americano informou que as investigações incluem até o contrato da CBF com uma "grande marca americana" - supostamente a Nike.

Joseph Blatter não está entre os acusados, porém seu nome figura na lista de investigados pela polícia. Segundo informações da TV americana "CNN", o FBI já vinha atuando sobre o caso há cerca de três anos.

A operação surpresa foi realizada por policiais à paisana, que se dirigiram ao balcão de registros do Hotel Baur au Lac e, já de posse das chaves, subiram aos quartos dos suspeitos, efetuando as prisões. Todos os acusados responderão, entre outras, por fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro.

. O objetivo do dirigente era deixar encaminhado, na sexta-feira, o acerto para o seu quinto mandato à frente da entidade maior do futebol mundial.

Ainda na manhã desta quarta-feira, a Fifa informou que irá realizar uma conferência de imprensa às 11h (6h no horário de Brasília) em sua sede de Zurique.

Veja quem são os cartolas presos na Suíça:

José Maria Marin - brasileiro, ex-governador de São Paulo 1982-83), ex-presidente da CBF (2012-15) e ex-presidente do Comitê Organizador da Copa 2014;

Nicolás Leoz - paraguaio, ex-presidente da federação paraguaia (1971-73 e 1979-85), ex-presidente da Conmebol (1986-2013) e membro do Comitê Executivo da Fifa de 1998 a 2013;

Eugenio Figueredo - uruguaio, ex-presidente da federação uruguaia (1997-2006) e ex-presidente da Conmebol (2013-14);

Jack Warner - trinitário, ex-presidente da Concacaf (1990-2011)

Jeffrey Webb - caimanês, presidente da federação das Ilhas Cayman (desde 1991) e presidente da Concacaf (desde 2012)

Eduardo Li - costarriquenho, presidente da federação costarriquenha (desde 2007) e representante da Concacaf na Fifa

Julio Rocha - nicaraguense, ex-presidente da federação nicaraguense (1988-2012)

Costas Takkas - caimanês, secretário-geral da federação caimanesa

Rafael Esquivel - espanhol, presidente da federação venezuelana (desde 1988)

Patrocinadores da Copa 2022 têm seus logos recriados para criticar apoio ao trabalho escravo































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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.