quarta-feira, 8 de abril de 2015

Restinga da Marambaia: o paraíso protegido (Por Thiago Muniz)

A Restinga da Marambaia é uma restinga no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. Faz parte da Costa Verde. A região é administrada pelo Exército Brasileiro e pela Marinha do Brasil. Suas praias públicas têm acesso restrito por ser área militar. Contudo, por vezes, algumas excursões são feitas no local com fins educacionais por escolas, famílias dos militares em recreio e, às vezes, para locação de cenas de novelas de televisão.

"Marambaia" é originário do termo tupi kamarambaîa, que designa a planta camarambaia.

A região faz parte do território de três municípios do estado do Rio de Janeiro: Rio de Janeiro, Itaguaí e Mangaratiba. Possui, ao todo, 42 quilômetros de praias. Apresenta uma área total de 81 quilômetros quadrados e o seu ponto culminante é o Pico da Marambaia, com 647 metros de altura. Separa-se do continente pelo Canal do Bacalhau, em Barra de Guaratiba, no município do Rio de Janeiro.

A vegetação praticamente intacta, rasteira, formada por árvores e arbustos de pequeno porte – ou seja, a restinga – compreende ainda o que é conhecido como floresta praiana, uma vegetação que nasce do solo encharcado e muito fofo. Apesar de ser um santuário ecológico, a Praia de Marambaia sofre com o lixo que chega levado pelas correntes marítimas. Solos sob vegetação de restinga são arenosos e, em geral, apresentam baixos teores de matéria orgânica e limitada capacidade de suporte para o desenvolvimento das plantas. A baixa capacidade de reter água e nutrientes, que são essenciais à manutenção dos componentes biológicos do sistema, faz com que as formas orgânicas e a biota exerçam papel crucial na fertilidade desses solos.

O acesso é complicado e precisa de autorização da Marinha, mas Exército e Aeronáutica também fazem operações no local – no entanto há áreas de preservação onde sequer os militares podem entrar, como a parte reservada a sapos e pererecas e a outra a um tipo de sabiá branco raro. A pouco mais de uma hora de carro a partir da Zona Sul carioca, a Praia da Restinga de Marambaia é um dos lugares mais encantadores do Rio de Janeiro, mas por ser restrita não dispõe de nenhuma infraestrutura – apesar disso é possível encontrar acomodações e restaurantes na Estrada Burle Marx, na parte aberta ao público, e em Barra de Guaratiba.



O primeiro documento formal da posse de Marambaia foi registrado em 1856, em nome do comendador Breves, que veio a falecer em 1889, passando a região para sua viúva. A ilha passou para a Marinha do Brasil em 1908 e, nela, foi instalada a Escola de Aprendizes-Marinheiros em 16 de junho de 1908. Desde então, é utilizada ainda para exercícios militares e experimentos de armamentos (principalmente pelo Corpo de Fuzileiros Navais), e, desde 1981, funciona, lá, o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).

No passado, a Marambaia foi usada para “engorda” dos negros trazidos da África, antes de serem vendidos. Com o fim da escravidão, ex-escravos e seus descendentes permaneceram no local, ocupando a terra de forma tradicional e trabalhando como pescadores artesanais. Na década de 70, a ilha passou a ser usada como área de treinamento pelos fuzileiros navais, tendo surgido, a partir daí, os conflitos fundiários e a batalha judicial em torno da posse da ilha.

Sempre há rumores de que a Restinga será vendida à iniciativa privada e transformada em um resort, mas felizmente até agora isto não ocorreu, e tomara que nunca venha a acontecer. Melhor continuar de difícil acesso, porém não impossível, e controlada pelas Forças Armadas do que se tornar uma propriedade privada acessível apenas aos ricos.

As novidades já começaram no longo caminho até o local. Há anos não passava pelo fim do Recreio via Avenida das Américas, e constatei que melhorou bastante. Antes parecia uma favela, com construções desorganizadas e uma estrada estreita. Agora, está tudo bem mais bonito, com divisórias entre as pistas recapeadas e redesenhadas e um mato aparado enchendo a região de verde. As construções irregulares foram demolidas, e grandes empreendimentos imobiliários já anunciam suas ofertas em placas, oferecendo salas comerciais e imóveis residenciais para breve.

Conheci o túnel Vice Presidente José Alencar, que simplificou o acesso à Barra de Guaratiba, antes feito predominantemente pela bela, porém sobrecarregada serra da Grota Funda. Barra de Guaratiba continua a mesma, preservada que é por causa dos mangues. A restinga da Marambaia oferece 42km de praia até o canal mais estreito que a separa da Ilha Grande, já em Angra dos Reis. A salinidade da região é muito alta, exigindo troca de equipamentos como computadores desktop a cada dois anos, no máximo, e reformas constantes nas instalações militares, que ficam bem precárias devido à maresia.

Descobri que as áreas técnica e operacional do Exército foram unificadas na restinga da Marambaia. Antes, ficavam em sedes diferentes. A restinga possui áreas de acesso limitado a militares, onde são feitos testes com armamentos e equipamentos. Armas pesadas, sinalizadores, morteiros, tudo é testado ali. A restinga é dividida entre as três Forças: o Exército (que fica com a maior parte), a Marinha e a Aeronáutica. A falta de estrutura para o adequado policiamento permite que durante a noite a restinga seja invadida por pessoas procedentes das cidades banhadas pela baía de Sepetiba, como Sepetiba, Itacurussá, Mangaratiba. Existem áreas de preservação ambiental na restinga em que ninguém pode entrar, nem os militares, salvo com autorização especial: uma delas é para os sapos e as pererecas e outra para um tipo de sabiá branco raro, e que possui outra área de preservação em Salvador. É uma pena o lixo que vem do mar e que é nele atirado pelos banhistas invadir as areias, maculando o espaço que deveria ser reservado apenas às conchas (belas e de todos os formatos) e a espécimes como a Maria Farinha, um tipo de siri albino.

Vi também pássaros tranquilos na areia, como o Quero Quero e até um urubu que não se cansou de posar para as lentes de minha máquina fotográfica. Rememorei que o Rio de Janeiro tem espaços que não parecem o Rio de Janeiro nosso de cada dia. São locais agrários, de mangue, que nos remetem ao interior, a uma vida mais tranquila. Foi um passeio de fato revigorante, uma radical mudança de cenário a cerca de uma hora do Centro do Rio, (com trânsito bom, é claro) e que renovou minhas forças para encarar mais uma semana.

A Restinga da Marambaia é o único lugar no Rio de Janeiro onde ainda podemos apreciar as belezas deste encontro entre a floresta e a praia. Apesar do lixo trazido às praias pelas correntes marinhas, é tarefa fácil encontrar belas visões que jamais veremos em outras praias da cidade do Rio de Janeiro. É um santuário ecológico que apesar de preservado, sofre alguns problemas. Um deles é o lixo que chega as suas praias de águas limpas e areias brancas; trazidos pelas correntes marítimas.

Outra preocupação é com o problema da elevação do nível dos oceanos, que caso tendam a aumenta nos próximos anos, podem acabar com a fina faixa de areia de suas praias, abrindo assim, mais um canal de acesso entre a Baia de Sepetiba e o mar.

Há anos atrás a Marinha e os 150 moradores que habitam nas proximidades da Ilha da Marambaia, queimavam e enterravam todos os detritos produzidos por estes. Mas por sugestão de especialistas resolveu-se que todo o lixo produzido deveria ser coletado tanto entre os militares e moradores e levados ao continente, deixando assim, este paraíso ecológico ainda a salvo das intervenções do homem.

Barra de Guaratiba é um bairro litorâneo de classe média da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, faz limite com os bairros de Guaratiba, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes e Grumari. É um bairro praiano repleto de manguezais em seu entorno e caracterizado por montanhas impregnadas de mata atlântica virgem. É aquele lugar onde existem mais de cem restaurantes e bares especializados em frutos do mar e é o melhor e mais barato recanto do Rio de janeiro para se comer este tipo de comida.

Não sou a favor de qualquer tipo de repressão militar ou qualquer coisa do tipo. Mas sou a favor da proteção e coordenação da Restinga pelos militares. Eu sempre frequento Barra de Guaratiba e sei a tremenda degradação ambiental que estão fazendo no manguezal, que se chama Coroa; porque o Exército entregou para a Prefeitura do RJ uma área bastante considerável. Lá se encontram diversas invasões, grilheiros e especulações imobiliárias que tomam conta da região. É uma total falta de respeito com o meio ambiente. Nem imagino se por ventura liberarem a Restinga da Marambaia para todos. Em 5 anos acabam com toda a biodiversidade, disso dou total certeza.

Sem dúvida, se algum dia as Forças Armadas saírem deste paraíso protegido, logo será invadido por imobiliárias e construtoras de políticos com grandes empreendimentos, e ai certamente simples mortais como nós não terão acesso, seja com permissão ou não das Forças Armadas. Vamos ver até quando as Forças Armadas resistirão aos anceios dos políticos e milionários, cujo propósito é construir suas próprias mansões.

A Restinga somente está preservada por causa do respeito imposto pelas Forças Armadas que muitos da opinião pública desprezam. Como é cedido, o homem por tendência natural destrói tudo o que toca, e a presença dos militares naquele ambiente tem colaborado em muito, para a preservação local. Quanto ao impedimento à frequência por pessoas externas, isto se dá realmente ao teste de armamentos, e treinamento de militares que é feito ali.

Características:

Mar: Muito limpo e azul.

Areia: Branca e fofa, outra parte com manguezal.

Público: Só pessoas com autorização do Exército Brasileiro podem frequentar o local propriamente dito.

Dicas:

• Em Marambaia fica a Casa do Pontal, o maior museu de arte popular do país. Vale a pena conhecer o acervo de 40 anos de pesquisas do designer Jacques Van Beuque;

• Ali pertinho fica também o Sítio Burle Marx, comais de 3.500 espécies de vegetais colecionadas pelo falecido paisagista;

• Vale a pena conhecer também a Capela Magdalena, que oferece um concerto seguido de jantar e há ainda um museu com minitiatura dos meios de transportes.

Onde comer e onde ficar: Os lugares mais próximos ficam na Estrada Burle Marx e da Barra de Guaratiba, onde há bons hotéis e restaurantes de todos os tipos.

Praias próximas: Praia Grande e Praia do Canto (Guaratiba), Pedra de Guaratiba, Sepetiba, Recreio, Grumari e Barra da Tijuca.




























































BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



3 comentários:

  1. Estimado Thiago,
    Parabéns pelo excelente relato. Tive o privilégio de passar alguns finais de semana de minha infância na Restinga da Marambaia, pescando em companhia de meu avó e meu pai. De lá para cá muitas coisas aconteceram e a vida acabou levando algumas coisas, dentre elas a permissão para volta a Marambaia. Venho a algum tempo buscando um caminho para obter uma nova permissão para ingressar neste paraíso e levar meu pai comigo, mas sem sucesso. Você conseguiria me orientar em como obter uma nova permissão?
    Antecipadamente agradeço.
    Cordialmente
    Rafael
    rafaelpalha@gmail.com

    ResponderExcluir
  2. Oi Rafael,

    Primeiramente obrigado pelo seu relato sobre a Marambaia, nos últimos anos tenho um contato maior com o local. Com relação a permissão para entrada pelo que eu tenho conhecimento somente militares com autorização prévia podem entrar, mas pode ser que moradores tenham autorização do comandante local, é mais fácil ir na guarnição local e perguntar o novo procedimento.

    Desde já agradeço a sua visita no meu blog, compareça mais vezes.

    Grande abraço!

    Thiago Muniz

    ResponderExcluir
  3. Muito bom o conteúdo da matéria. Show!!!

    ResponderExcluir