quarta-feira, 1 de abril de 2015

A rendição da menina síria (Por Thiago Muniz)

A reação desta menina síria, se rendendo assustada diante de uma câmera fotográfica pensando que é uma arma, mostra como o problema da infância não será enfrentado localmente, por políticos e políticas locais. De certa forma, esta menina é símbolo do "Movimento Parlamentares sem Fronteiras pelos Direitos das Crianças do Mundo".

Ela e sua tragédia simbolizam cerca de um bilhão de meninos e meninas em situação de risco e de abandono no presente e de riscos que viverão no futuro. Só um movimento mundial vai permitir aos políticos do mundo poderem olhar nos olhos desta menina e todas as outras com a consciência de que estamos fazendo algo para que esta cena não se repita. As crianças do mundo não podem ser vítimas de fronteiras que elas não criaram e que as aprisionam porque os políticos se fecham nos interesses específicos de suas bases eleitorais.

Como melhorar o mundo se tratamos e ser indefeso com tanto descaso?

Cidadania e bem estar não podem ter fronteiras.

Em nosso país especificamente falando quantas hoje não estariam na marginalidade se tivéssemos espalhado por esse Brasil afora escolas de qualidade em tempo integral com professores bem remunerados.

Não dá mais pra sermos limitados ao nosso bairro, cidade, estado, país, continente. Hoje temos que ser cidadães do mundo, do jeito que podemos nos conectar e trocar informações não vejo por que não nos tornamos realmente globais sem nos limitarmos ao pedaço de terra que vivemos.

Nosso país nos últimos cinco anos negligenciou completamente sua participação no mundo, preferindo recolher-se no conforto do mal sucedido Mercosul. Falo no conforto porque não tem, ali, que lidar com o contraditório: todos se aplaudem e se apoiam por mais desvairada que seja a ação.

As crianças brasileiras que tem uma arma apontada pra cara todo dia não tem nem uma fração dessa comoção toda. Crianças sem teto, sem terra, sem chance ou perspectiva. O Brasil está cheio delas... Ah, deve ser por que essa criança da foto é da cor certa para comover.

Independente da foto ser verdadeira ou não, diminuir a maioridade penal continua sendo como "tapar o sol com a peneira num dia de verão sem protetor". Obviamente após marginalizada a criança precisa de alguma intervenção pelo bem das pessoas e dela. Porém este ato não é preventivo e sim tem foco eleitoreiro.

Aí me faço uma pergunta: como pedir pra sociedade realizar um esforço coletivo de pensar e agir de forma preventiva se cada vez mais esta mesma sociedade se apresenta cansada e entregue a soluções rápidas?

Como se até mesmo ALGUMAS pessoas do meio religioso que deveriam ser agentes de paz começam a apoiar estas "soluções rápidas", e até intervenção militar ou comunismo?

Como uma parte da realidade se torna viral, colocando em evidência não a criança em questão, mas o sentimento de como reagimos com a imagem, a semiótica explica, como compartilhar infinitamente algo e não fazer nada pela situação... Pensem! O semiólogo francês Roland Barthes costumava chamar de “efeitos de realidade” ou um gesto semioticamente estratégico para incitar uma sensação de algo aparentemente real (BARTHES, Roland, S/Z).

Quando as bases eleitorais se transformam em armas e bombas e a indústria que as desenvolve é o seu reduto enquanto que alguns poucos governam o mundo com estas premissas, quando o interesses por riquezas naturais e a especulação sobre estes ficam acima dos valores humanos mais autênticos e verdadeiros é isto que acontece. Os mais inocentes são violentados com a maior brutalidade.O mundo precisa de outra política. É época de um humanismo, de um resgate, de reconstrução da dignidade do homem. Há também a absoluta falta de compreensão de que o fanatismo e extremismo aqui mencionados por pessoas que não entendem o mundo ou apenas pela ótica que lhes é revelada para que compreendam tudo de uma maneira unilateral. Assim as causas diretas são vistas e colocadas como solução. As bombas dos saqueadores são vistas como libertação. E causam o ódio fanatisador.

Vejo que ultimamente está havendo nas redes sociais um grande incentivo ao ódio, ódio religioso, ódio de gênero, ódio político, e vejo que estamos rumando para o caminho do fundamentalismo que acaba com cenas como estas; Temos que começar a cultivar o respeito a diversidade.

Convido o "Movimento Parlamentares sem Fronteiras pelos Direitos das Crianças do Mundo" a conhecer a realidade das crianças que buscam refúgio no Brasil. Centenas de crianças sírias, assim como essa pequena, estão no nosso país e enfrentam grandes desafios para se integrar. Uma delas vê árvore e acha que é polícia então se esconde para não ser baleada... tantas outras ao ouvir um barulho saltam em desespero porque acham que é uma bomba... e por mais que nossas fronteiras estejam abertas elas na verdade não estão enquanto nossa sociedade ainda resistir ao fato de que a vida de uma criança tem que ser mais importante que a sua nacionalidade.

























BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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