sexta-feira, 3 de abril de 2015

A perda de um filho (Por Thiago Muniz)

Criticas a política e partidarismo a parte, como seres humanos temos que solidarizar a perda de um pai perante seu filho. É triste quando a lei natural da vida é invertida, ver um pai perder um filho é doloroso.

Meus Pêsames ao Governador Geraldo Alckmin e primeira dama Lu Alckmin, mas também meus pêsames a senhora Maria Terezinha de Jesus e ao senhor José Maria Ferreira de Sousa, que perderam o seu filho Eduardo, de apenas 10 anos, de uma forma cruel. Não que uma perda seja menor que a outra, mas a forma que o menino morreu foi uma barbaridade.

Na sociedade em que vivemos, o status social ao qual o indivíduo pertence é o que define a importância de sua vida. É por isso que a repercussão não é igual. Logico que tem mais repercussão quando é alguém da mídia. Isso é normal. Ou vai dizer que quando morre algum artista que vocês gostam, vocês pensam nas outras pessoas que morrem diariamente também?

Não é porque uma morte tem menos repercussão, que não seja lamentável também. É somente uma questão de mídia. Não sei porque ainda se espantam com isso.

Morreu o filho de Geraldo Alckmin. Evidentemente não vibramos com a notícia. Ontem morreu o sr. J, pai de família, vítima de assalto. Morreu a sra. A., assalariada, mãe solteira: negligência médica. Morreu um professor de Ciências, baleado. Uma diretora de escola, espancada, permanece hospitalizada, estado grave. Todos são impotentes nessa hora, todos são iguais. Todos são heróis. A diferença, é que essa gente simples, anônima, vira um número nas estatísticas. Que nosso respeito, nossas sinceras vibrações e condolências sejam por todos.

Quem perde os pais fica órfão; e quem perde um filho? A dor é tão grande que não tem denominação. É uma dor sem nome. Diante da inversão do curso da vida, em que os pais estão enterrando seus filhos, como lidar com a perda repentina? Como reconstruir a vida e superar essa dor?

Os sentimentos diante da perda são universais e atemporais e acometem todos os seres humanos viventes e em todas as épocas de nossa história. Mesmo assim, não se pode dizer que alguém esteja absolutamente preparado para aceitar com naturalidade a perda de uma pessoa querida. Alguns sofrem mais que outros, mas todos sofrem. Este sofrimento, entretanto, pode variar de acordo com a sensibilidade pessoal, com o tipo de pessoa que se perde e com as circunstâncias da perda.

Existem muitos pais que perdem os filhos para a morte, mas existem muitos também que perdem os filhos em vida, para as drogas e para o crime. Por isso, disse antes que as circunstâncias da perda são relevantes. A dor específica pela morte de um filho representa a perda de uma parte de nós mesmos, alguma coisa que sabemos ser definitiva e irreversível e, muitas vezes, nem sabemos se a parte que ficou foi maior ou menor do que aquela que se foi. A base do sofrimento existencial humano são as frustrações, um sentimento de aborrecimento que surge quando nosso destino foge totalmente de nosso desejo.

Vivenciar o luto é uma contingência obrigatória diante das perdas. Algumas pessoas conseguem superar perdas depois de muito empenho e sofrimento, outras precisam de atenção especial ou profissional. Os consultórios psiquiátricos e psicológicos estão cheios de casos de depressão grave, de transtornos de estresse pós-traumático, de sérias limitações decorrentes de síndromes do pânico, de ansiedade crônica e grave. Isso sem contar as cardiopatias ocasionadas emocionalmente e muitas outras doenças psicossomáticas.

Aprende-se a viver apesar dessas perdas, mas esquecê-las ninguém esquece, e a qualidade da vida emocional jamais será a mesma. Acho que este é o ônus doloroso e silencioso ao qual estamos todos sujeitos a pagar pela vida em sociedade, porém, todos sabemos que em algumas sociedades esse ônus é mais frequente e maior.


BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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