quarta-feira, 8 de abril de 2015

A Baía de Guanabara está um lixo (Por Thiago Muniz)

A Baía de Guanabara foi um recurso magnífico, degradado e abandonado pela cidade e pelo estado, hoje seu projeto de "despoluição" se desenvolve lentamente, à mercê dos desmandos das autoridades.

A Baía de Guanabara foi o elemento fundamental da posição desempenhada pela Cidade do Rio de Janeiro no cenário brasileiro, por ser ampla e bem abrigada, devido ao estreito espaço de sua barra, 1.600 metros, ladeados por dois morros que formam um baluarte natural de proteção: o Pão de Açúcar e o de Santa Cruz. Seu interior é calmo, de boa profundidade e grande espaço para ancoragem de navios, chegando a ter vinte e oito quilômetros de extensão na direção norte-sul.

Nas suas duas pontas de entrada foram construídas duas importantes Fortalezas: a de Santa Cruz e a de São João e qualquer embarcação que penetrasse a barra ainda teria que passar pela Fortaleza de Lage, construída um pouco mais para dentro, formando com as outras duas Fortalezas da barra um triângulo.

Desta forma a Baía do Rio de Janeiro era uma praça mais fortificada que a da Bahia, tendo chegado a abrigar nove Fortalezas e tendo ainda o Arsenal do Trem para abastecimento, que possuía material de reposição para as Fortalezas. A posição da Baía permitiu que nela se desenvolvesse um importante Porto da Cidade.

Estas condições transformaram a cidade em um centro econômico importante e nele se estabeleceram os armazéns reais que forneciam materiais bélicos para o Rio Grande, no sul do Brasil, mas esta situação despertava também, a cobiça de outros povos interessados nas riquezas que a cidade guardava em seus muros e a manutenção e conservação de todo o seu poderio bélico era oneroso e demandava muito trabalho.

A baía de Guanabara, possuía uma grande possibilidade de interiorização através do Rio Paraíba do Sul e seus afluentes, que vinham desaguar na Baía estabelecendo uma importante ligação e permitindo uma intensa rede de navegação no interior da baía.

No século XVII a cana de açúcar foi o fator de desenvolvimento do Porto do Rio de Janeiro, que só perdia para a Bahia e para Pernambuco, os dois centros de produção açucareira nordestina. No século XVIII, com a descoberta do ouro, o porto passou a ser o "porto do ouro", mas a partir de 1770 o açúcar voltaria a ter sua importância, com a diminuição do ouro das Minas. O açúcar manteve sua importância até o século XIX, quando o café tomou o seu lugar.

O Porto do Rio de Janeiro teve sua importância até o início do século XX e existe uma corrente que acha que o esvaziamento do Rio de Janeiro teve seu início não com a transferência da capital para Brasília, mas no final do século XIX, quando o Porto de Santos passou a ser o mais importante da região.

A Baía está repleta de ilhas: a maior delas o do Governador com 32 Km2, onde do final do século XVI até o do século XVII operou o principal engenho açucareiro da família Sá, inicialmente pertencente ao Governador Salvador Correia de Sá; seguida da de Paquetá com aproximadamente 1 Km2 de extensão. Hoje muitas ilhas foram integradas ao continente.

As ilhas foram inicialmente locais de fortificação militar, zonas de produção de alimentos e colônias de pesca. A Marinha sempre teve importantes instalações nas ilhas, como: a de Villegagnon que abriga a Escola Naval; a Ilha das Cobras com o Arsenal de Marinha; a Ilha Fiscal onde atualmente se encontra um Centro Cultural, mas que já foi sede do Centro Oceanográfico da Marinha e a Ilha das Enxadas ocupada pelo Centro de Treinamento da Marinha. Muitas ilhas se transformaram em depósitos de petróleo e derivados de munições e a Baía tem sido muitas vezes castigada por desastres ecológicos deles provenientes. A Ilha de Sapucaia foi utilizada como depósito de lixo e hoje está incorporada à Cidade Universitária da Ilha do Fundão.

Rios que desaguam na Baía de Guanabara

Rio AcariRio AlcântaraRio BombaRio CacebiruRio CariocaRio EstrelaRio GuapiRio Guaraí
Rio GuapemirimRio GuaxindibaRio IguaçuRio ImboaçuRio InhomirimRio IrajáRio IririRio Macacu
Rio MagéRio MaracanãRio MarimbondoRio MéierRio MeritiRio PavunaRio PiraqueRio Quitungo
Rio RoncadorRio SaracurunaRio SarapuíRio SuruíRio TimbóRio TrapicheirosCanal do CunhaCanal do Mangue


As águas escuras, quase sempre com algum lixo visível e dejetos, foram no século 19 o local escolhido por Dom João VI para seus banhos de mar. As praias abrigadas, paradisíacas, pelo que contam os relatos daquele tempo, são hoje o ralo de cerca de 10 milhões de moradores da região metropolitana do Rio. E o que se vê na Baía de Guanabara é que, desde os banhos do monarca, não se pensou nem se agiu de forma minimamente eficiente para preservar um ecossistema vital para toda essa gente.

Imaginar um Rio pronto para os Jogos Olímpicos de 2016 com a Guanabara nas condições atuais é impossível. E, apesar dos rios de dinheiro já empregados em programas de despoluição e em saneamento, só um projeto de dimensões olímpicas parece adequado para reverter o quadro que vem causando progressivamente a morte da baía.

A Baía de Guanabara vai receber as competições de vela das Olimpíadas de 2016. Mas quem navega diariamente no espelho d'água, nos dias de hoje - cerca de 100 mil passageiros por dia, pelas contas da Barcas S.A. -, disputa espaço com uma quantidade inestimável de lixo lançado nas encostas e cursos d'água dos municípios no entorno da 'boca banguela' - como cantou Caetano Veloso, na música em que cita as impressões de Claude Levi Strauss sobre a baía.

Nessas condições, realizar uma competição olímpica é impensável. Palavra de quem entende. "O detrito prejudica a performance do velejador imediatamente. O lixo pode enganchar no barco e torná-lo lento. Eventualmente, é possível que isso defina ou modifique o resultado de uma regata. Repercutirá super mal", argumenta o iatista com maior número de medalhas olímpicas, Torben Grael.

Gilberto Rodrigues Corrêa, de 58 anos, não é iatista. Mas entende como poucos o que é navegar na Guanabara. Ele é segundo oficial de máquinas da marinha mercante. Trabalha nas barcas há 34 anos fazendo o trajeto para Paquetá e para a Ilha do Governador. Em uma de suas viagens do dia, contou à reportagem do site de VEJA sobre a época em que os passageiros desembarcavam em Paquetá e ele aproveitava para mergulhar na baía, até o horário de retorno da embarcação ao Rio.

Olhando para água, diz: "Sou um admirador disso daqui". A cor da Guanabara já não é a mesma. De tão escura, não se vê nada além da superfície. Mergulhar? Nem pensar. "Piorou muito", afirma. De uns tempos para cá, Corrêa passou a ver as barcas à deriva. O motivo é o lixo, que impede o prosseguimento da viagem até que o funcionário vá remover a sujeira.

Em um passeio pela baía, um passageiro avista sem dificuldades pedaços de isopor, peixes mortos, garrafas pet, sacolas de plástico, e, dependendo do dia, móveis, geladeira e até luvas de box. O lixo chega por 45 rios que desembocam nas águas da Guanabara. O esgoto também, pois nem 25% dele são tratados. O problema é visível: um terço da população do Rio de Janeiro vive em condições inadequadas, sem saneamento. O resultado não surpreende. A poluição dos rios do município de São Gonçalo, por exemplo, está 500% acima do permitido.

Quando o assunto é a despoluição da baía, o dinheiro some com a mesma facilidade com que o lixo aparece. Em 1993, o então governador Leonel Brizola lançou o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG), que durou até 2006 e custou um bilhão de dólares. Na prática, nenhuma diferença foi notada na baía. Três estações de Tratamento de Esgoto foram erguidas há mais de dez anos, mas até hoje não funcionam. O problema, nesse caso, não é de difícil compreensão: os 'doutores' da época não previram que, para chegar às estações, seria necessário existir a rede de esgoto, que continua incompleta.

Só agora, através de um novo projeto chamado Programa de Saneamento dos Municípios do entorno da Baía de Guanabara (PSAM), é que os troncos construídos para levar o esgoto serão interligados a essas estações. No caso de São Gonçalo, os dutos ainda não existem.

O PSAM terá recursos do PAC, do fundo estadual de conservação estadual e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Ao total, serão 640 milhões de dólares. As obras têm início previsto em 2012 e será preciso correr contra o tempo para o investimento ter algum efeito a tempo dos Jogos Olímpicos. A ação, nesse caso, não pode ser isolada: o entorno da baía recebe a influência de uma área 10 vezes maior do que a dela. Ou seja, se todo o lixo e a poluição desaparecessem em um passe de mágica, mas nada fosse feito nos rios, na coleta de lixo de favelas nesse entorno, em algumas horas a poluição recomeçaria.

Os sedimentos não param de chegar à Baía de Guanabara em quantidade maior do que o natural. Um estudo feito pela UFF mostra que a taxa desses sedimentos na época de ocupação indígena era de apenas 0,14 centímetro ao ano, considerada normal. De 1922 a 1957, a taxa foi para 0,49 centímetro. No intervalo entre 1997 a 2004, a baía começou a perder 1,25 centímetros anuais. O resultado é uma ainda imperceptível, mas mortal, redução da profundidade do espelho d'água.

Algumas metas do PSAM para 2016: o funcionamento das três estações já prontas, a ampliação da maior estação de esgoto da cidade do Rio, chamada Alegria, de 2.500 litros por segundo para 7.400 litros, a criação de uma outra em Alcântara e a construção de dutos na Baixada Fluminense. O objetivo principal é aumentar de 30% para 60% o esgoto tratado no Rio de Janeiro, e dentro desse aumento a Guanabara não está sozinha - há ainda a Baixada de Jacarepaguá, toda a Barra da Tijuca e áreas com sistema precário em bairros próximos do centro do Rio.

O processo será lento. "Os benefícios sobre a baía não se darão imediatamente. Serão necessários anos para surtir efeito. Primeiro, vamos interromper a evasão de esgotos para o mar. Depois vem o processo de recuperação da baía", afirma o superintendente da secretaria de estado do Ambiente, Gelson Serva, que tem a difícil tarefa de melhorar a situação da Baía de Guanabara até os Jogos Olímpicos. "Nas Olimpíadas sentiremos um avanço. Mas será progressivo até 2020", prevê.

Educação e paciência - A ambição de melhorar significativamente a água da baía em cinco anos parece impossível. Primeiro teria que limpar todos os rios, o que já é muita coisa. Depois, tem a questão do lixo, que passa por uma tarefa ainda mais difícil: a educação. "É inviável deixar a Baía limpa até 2016", afirma o professor de geologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) José Antônio Baptista Neto. E a lista das tarefas vai além. Os lixões do entorno da Guanabara, como o de Gramacho, ainda lançam chorume. É trabalho para décadas. Pelos cálculos de Baptista, uma política séria de saneamento só teria efeito após 20 anos.

Voltar ao cenário que levava Dom João VI a se banhar na Baía de Guanabara é impossível. E mesmo com todo o dinheiro que se promete investir, os envolvidos na despoluição admitem que a meta é devolver à água um aspecto aceitável. Isso significa, em uma perspectiva realista, que se todas as promessas respeitarem o cronograma previsto, será possível chegar em 2016 com a baía um pouco menos escura e com uma quantidade menor de lixo boiando pelas águas. A construção de aproximadamente 40 'ecopontos' até o final de 2011 é uma ação da secretaria estadual do Ambiente que tem por objetivo reduzir a quantidade de dejetos despejados pela população nos rios.

"A Baía de Guanabara é a imagem do Brasil mais usada no exterior. Uma imagem suja também prejudica a imagem do país. Ela é a nossa sala de visitas. Os dois aeroportos ficam dentro dela", argumenta Dora Negreiros, presidente da ONG Baía de Guanabara.

A professora de química da PUC-Rio Angela Wagener lembra ainda que outras ações são necessárias, como replantar a cabeceira dos rios e a mata ciliar. Caso contrário, a cada chuva continuará a chegar à baía uma enxurrada de sedimentos, causados em parte pelo desmatamento das florestas. O solo é lavado e levado para a Guanabara. "Não adianta dragar e não fechar as torneiras que levam os sedimentos e o material contaminado. Senão, é como tentar enxugar o oceano", explica Angela.

Bicampeão olímpico Torben Grael se queixa de sujeira que causou acidente com velejadores.

Cenário olímpico, o Rio está longe do pódio no aspecto da despoluição da Baía de Guanabara para os Jogos. Nisto, a cidade ficaria distante das medalhas, emperrada no lixo que causou o acidente com o barco 49er de Breno Osthoff e Rafael de Almeida Sampaio, no dia 14 de fevereiro.


Durante treino em uma das raias da Baía de Guanabara, os velejadores são jogados ao mar após o barco adernar ao se chocar em uma caixa de plástico.

Dono de cinco medalhas olímpicas e atual técnico da equipe nacional de vela, Torben Grael foi veemente.

— Quem frequenta vê que a Baía de Guanabara é um lixo, literalmente — enfatizou. — A taxa de despoluição de 80% (prevista pelo governo do Estado) é utópica.

Ele lembrou que o Rio ganhara o direito de sediar os Jogos em 2009, e nada foi feito.

— O que nos leva a crer que farão algo em um ano? — argumentou Torben. — O lixo flutuante é vergonhoso e, dependendo da velocidade da embarcação, pode até causar seu afundamento. O mais grave e o mais fácil de corrigir para a Rio-2016 é o lixo flutuante.

Ouro em 2007 no Mundial de RS:X, Ricardo Winicki, o Bimba, contou que no carnaval houve um acidente quando ele treinava na Baía com estrangeiros.

— Havia tanto lixo que as pranchas não aceleravam. Um deles travou num tronco de madeira e caiu de costas.


No vídeo, Breno lamentou:

— Em todas as velejadas, nos últimos dois anos, colido com algum tipo de lixo, de saco plástico a grandes pedaços de madeira. Infelizmente, essa é a nossa raia olímpica.

A Secretaria de Estado do Ambiente informou que prepara um plano de emergência para o evento-teste de vela, em agosto. Já a Confederação Brasileira de Vela e o Comitê Rio-2016 reiteraram que acompanham o trabalho do governo do Estado e que creem que a baía estará em condições para a Rio-2016.

Ambientalista flagra navio deixando rastro de poluição na Baía de Guanabara

Um navio de apoio offshore foi flagrado na manhã desta segunda-feira despejando óleo na Baía de Guanabara, entre os municípios de São Gonçalo e Niterói. O biólogo Mario Moscatelli, que registrou a cena durante um sobrevoo de helicóptero, calcula em cerca de dois quilômetros a mancha de poluição deixada pela embarcação.

Como mostram as fotos — enviadas pelo biólogo à Secretaria estadual do Ambiente —, o navio se chama Baru Mucura. Um texto publicado em fevereiro no site do Sindicato Nacional da Indústria da Construção Naval e Offshore (Sinaval) afirma que o Baru Mucura é a segunda de uma série de 12 unidades afretadas por oito anos pela Petrobras para atender às plataformas das bacias de Campos e Santos. A embarcação seria utilizada para o transporte de passageiros, equipamentos e itens de consumo.

Para Moscatelli, o óleo pode ter sido derramado durante a lavagem do porão do navio.

— Isso é muito comum na Baía de Guanabara, tanto com embarcações grandes quanto pequenas. Toda santa vez que sobrevoo a baía vejo navios e traineiras jogando óleo — diz Moscatelli, explicando as consequências do despejo, considerado crime ambiental. — O óleo quando vai para a costa cola nas áreas de mangue. Dependendo da susbstância, pode matar a fauna, afetando a pouca biodiversidade da Baía de Guanabara.

O biólogo também fotografou, nesta segunda-feira, óleo em volta de barcos de pesca em Jurujuba, Niterói.

Em nota, a Secretaria do Ambiente diz que o secretário André Corrêa determinou que seja aplicada a maior multa possível no caso envolvendo o Baru Mucura. O órgão afirma ainda que acionou a sua procuradoria para que a empresa responsável pela embarcação seja denunciada por crime ambiental. A secretaria não informou o valor da multa.

A Petrobras disse, também em nota, que a embarcação pertence à empresa Baru Offshore, que presta serviços à estatal na Bacia de Santos há menos de um mês. Segundo a empresa, a Baru Offshore "negou ter realizado qualquer operação que implicasse lançamento ou derrame de óleo no mar". A Petrobras informou ainda que vai investigar o caso e que tomará as providências cabíveis, se necessário.
Família Grael se recusa a gerir novas ecobarreiras da Baía de Guanabara sem licitação

Após o Instituto Rumo Náutico, da família Grael, se recusar a gerir a instalação de cinco novas ecobarreiras na Baía de Guanabara, o governo estadual anunciou que vai abrir uma licitação de R$ 31 milhões e ampliar o projeto para 15 estruturas de recolhimento de lixo flutuante. Mas, elas não ficarão prontas em agosto para o evento-teste das Olimpíadas, quando haverá provas de vela. A Secretaria do Ambiente informou que vai entrar com pedido de urgência junto ao Tribunal de Contas do Estado para acelerar o trâmite da concorrência.

O secretário do Ambiente, André Corrêa, disse que, antes da concorrência, só será possível, para os próximos quatro meses, restabelecer o funcionamento de estruturas antigas, cerca de quatro. Hoje há apenas três em funcionamento.

— Podemos, a curto prazo, colocar quatro ecobarreiras, mas não da maneira mais adequada. O projeto ideal não ficará pronto para o evento-teste — diz Corrêa.

A proposta previa a contratação, sem licitação, do instituto, ao custo de R$ 20 milhões e prazo de 18 meses. O acordo com a entidade, que desenvolveu o projeto técnico, foi anunciado na semana passada, na presença do secretário do Ambiente e do vice-prefeito de Niterói, Axel Grael.

Um dos temores dos conselheiros do Instituto Rumo Náutico era que a contratação em regime de urgência fosse alvo de críticas do TCE, que poderia até cancelar o contrato, provocando desgaste na imagem da entidade. Nesta segunda-feira, por telefone, Axel Grael, que é vice-prefeito de Niterói e integra o instituto, informou que não comentaria o caso. Em nota, chamou de “prudente e correta” a decisão da sua família de não aceitar a contratação.

Também por nota, Lars Grael, irmão de Axel, disse que a principal vocação do instituto não é “gerir a coleta de lixo flutuante”. O projeto prevê a instalação das ecobarreiras na foz dos rios Imboaçu (duas), Cunha, Meriti e Bomba, com o objetivo de capturar o lixo flutuante que chega à Baía de Guanabara.

— Vamos licitar (a construção) de 15 ecobarreiras por R$ 31 milhões. O projeto inclui caminhões recolhendo mecanicamente os recicláveis e o transporte do material até as estações de transbordo. A operação será por 18 meses — disse o secretário do Ambiente, André Corrêa, acrescentando que o retorno dos ecobarcos ainda não está garantido. — Tenho reunião amanhã (terça-feira) para avaliar os ecobarcos. Quero contar com o Rumo Náutico pelo menos na inteligência dos serviços das embarcações.

Das 14 ecobarreiras instaladas há três anos, apenas três funcionam. Os dez ecobarcos que atuavam no apoio à retirada de lixo flutuante na Baía estão parados há um mês, por falta de pagamento do estado. O atraso nos repasses já chega a cinco meses.

Criador do projeto dos ecobarcos e ecobarreiras, o ex-secretário do Ambiente e deputado estadual Carlos Minc (PT) afirmou que não é contra medidas que melhorem a eficiência dos sistemas, mas classificou como “equívoco” o abandono do modelo atual.

— As ecobarreiras não custam quase nada, e os ecobarcos custam pouco. Desmontar esse (modelo) enquanto não tem outro não é boa política.


A Baía de Guanabara é a principal preocupação do Comitê Olímpico Internacional (COI) para 2016. Na candidatura, o Rio assumiu o compromisso de coletar e tratar 80% do esgoto despejado na Baía, mas a meta corre o risco de não ser cumprida.

Obra olímpica despeja resíduos na Baía de Guanabara

A promessa de limpeza da Baía de Guanabara para a Olimpíada de 2016 esbarra até mesmo na série de obras de infraestrutura também planejada para os Jogos Olímpicos. Um vídeo divulgado na internet mostrou que resíduos da obra de revitalização da região portuária da capital fluminense –projeto de legado da Rio-2016— estão sendo despejados diretamente nas águas da Guanabara. O local vai receber as competições de vela nos Jogos.

O flagrante foi captado pelo geógrafo Rogério Freitas, com um telefone celular (veja vídeo acima). No dia 20, ele passava pela Praça XV, em frente à área de competições olímpicas, quando viu uma água suja caindo na baía. A metros dali, operários trabalhavam na reforma de um mergulhão (passagem subterrânea de veículos) que cruza a praça.

No vídeo, testemunhas que passam pelo local enquanto Freitas fazia seu vídeo informaram que a água vinha da obra. O próprio geógrafo chegou a informar em sua página pessoal do Youtube que os resíduos vinham do mergulhão. Segundo ele, a água possivelmente continha fluídos usados por sondas para perfurações.

O vídeo de Freitas causou repercussões. Por causa de ele, técnicos do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) estiveram na Praça XV na tarde de segunda-feira. Não constataram, porém, nenhuma irregularidade.

Já a Smac (Secretaria Municipal de Meio Ambiente) abriu um procedimento interno para apurar possíveis falhas no descarte de resíduos da obra do mergulhão. A concessionária Porto Novo, responsável pelo projeto, foi chamada a prestar esclarecimentos.

Procurada pelo Contemporâneo, a Porto Novo informou que "segue todas as normas de descarte de resíduos em suas obras". Mesmo assim, "designou equipe técnica para analisar as imagens divulgadas".

Tratar 80% do esgoto que deságua na Baía de Guanabara até a Olimpíada foi um compromisso assumido pelo governo do Rio de Janeiro em 2009, quando a cidade foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos. Apesar disso, o secretário estadual do Ambiente, André Corrêa, e o governador Luiz Fernando Pezão já admitiram que a não deve ser cumprida.

No início de março, o governo do Rio de Janeiro chegou a suspender dois programas de limpeza da Baía de Guanabara para a Olimpíada. A retenção de lixo por meio de ecobarreiras e a coleta de resíduos com os chamados ecobarcos foram paralisadas porque, segundo o governo, eram trabalhos "para inglês ver".

No final de março, a SEA (Secretaria Estadual do Ambiente) anunciou a retomada dos dois programas por meio de um convênio com uma ONG da família de velejadores Grael, a Instituto Rumo Náutico. Um contrato assinado sem licitação possibilitaria a instalação de novas ecobarreiras e a circulação de ecobarcos. A diretoria do ONG dos Grael, entretanto, resolveu não aceitar o convênio pois ele seria firmado sem concorrência.

O governo lançou na semana passada uma licitação para contratar serviços que garantam a limpeza das águas para as competições olímpicas.
Poluição na Baía de Guanabara, nunca mais!

O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara (PDBG) foi anunciado na Rio 92, conferência das Nações Unidas que reuniu mais de cem chefes de Estado no Rio de Janeiro. Começou a ser executado dois anos depois, em 1994, mas nunca chegou a ser concluído.

Em duas décadas, a limpeza da Baía de Guanabara já passou por sete governos e consumiu quase R$ 3 bilhões de dinheiro público. Apesar disso, grande parte esgoto continua sendo jogado no mar praticamente sem tratamento.

Agora, surgiu o Psam (Programa de Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno da Baía de Guanabara), que prevê gastos de R$ 1,13 bilhão em obras de esgotamento sanitário e em projetos de saneamento nos 15 municípios do entorno da baía.

Mais um novo programa do governo para ajudar a despoluir a Baía de Guanabara. Como garantir que dessa vez dará certo?

A meta é sanear 80% da Baía de Guanabara até 2016, ano das Olimpíadas no Rio – hoje menos da metade do esgoto recebe tratamento. As competições de vela serão sediadas na baía, mas o próprio Lars Grael, dono de dois bronzes olímpicos, defende que o esporte seja transferido para Búzios por causa dos ventos e da qualidade da água.

Dessa vez, não podemos ficar esperando até 2016 para ver se o programa vai dar certo. Queremos que a Secretaria Estadual do Ambiente e a Cedae divulguem um cronograma com metas anuais do Psam para que a população, as universidades e a mídia possam fiscalizar e garantir o sucesso da tão almejada despoluição!
Pesquisa avalia quatro praias da Baía de Guanabara

A poluição das praias é uma consequência direta do saneamento básico deficiente, que resulta em esgoto chegando ao mar sem tratamento”, afirmou a bióloga Jane da Costa Valentim Rego em sua dissertação de mestrado em Saúde Pública pela ENSP, intitulada Qualidade Sanitária de Água e Areia de Praias da Baía de Guanabara. A pesquisa teve como objetivo avaliar e monitorar a qualidade sanitária das areias e águas das praias por meio de análises colimétricas e micológicas, além de propor a análise de fungos como padrão de avaliação na classificação sanitária destas áreas de recreação. Foram avaliados materiais de quatro praias da Baía de Guanabara, sendo duas situadas na Ilha do Governador e duas na Ilha de Paquetá, e concluiu-se, dentre outros resultados, que a contaminação da areia não está relacionada à da água e que, nas quatro praias observadas, as características de contaminação foram totalmente diferentes tanto nas águas como na areia.

Orientado pela pesquisadora Adriana Sotero, do Departamento de Saneamento e Saúde Ambiental (DSSA/ENSP), o estudo analisou a Baía de Guanabara devido ao fato de ser um ecossistema extremamente produtivo, apesar da grande quantidade e diversidade de poluentes lançados diariamente em suas águas, fator que compromete a saúde de quem frequenta e a sustentabilidade econômica. De acordo com a autora, a metodologia utilizada para o desenvolvimento do estudo foi a técnica de membrana filtrante - método rápido e preciso para isolamento e identificação de colônias de bactérias –, e os resultados foram expressos em unidades formadoras de colônia por grama e por mililitro por meio de análises colimétricas, na avaliação de bactéria Escherichia coli, coliformes totais e micológicas. Durante o estudo, foi proposto um novo padrão para análise bacteriológica de areia.

Segundo Jane, a contaminação da areia de áreas de recreação está ligada também a presença excessiva de pombos nas praias, que podem ocasionar a contaminação das areias com fungos nocivos, o que, associados ao lixo despejado no local, torna o ambiente propício aos microrganismos. “A qualidade sanitária das praias tem adquirido importância crescente por razões ambientais e de saúde pública. Durante muito tempo, as praias eram apenas monitoradas pela densidade de coliforme fecal presente em suas águas, apesar de a matriz areia ser uma possível fonte de contágio de microrganismos patogênicos”, explicou Jane.

Ela explicou que, nos últimos anos, tem havido uma preocupação crescente com a contaminação significativa das áreas das praias pelo descarte inadequado de lixo, dejetos de animais ou poluição trazida pelos mares, que podem conduzir bactérias, fungos e parasitas patogênicos, causando risco à saúde, principalmente das crianças que, ao brincarem em areias contaminadas, podem contrair doenças devido ao seu sistema imune ainda estar em desenvolvimento.

“O Brasil aumentou em 1,4 pontos percentuais sua rede coletora de esgoto em 2008, mas mesmo assim quase 50% da população ainda não tem acesso a esse serviço. No país, 52,5% dos domicílios têm coleta de esgoto, um acréscimo de 30.208 mil unidades. Porém, a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra também que o número de pessoas que possuem outro tipo de esgotamento sanitário ou nenhum aumentou em 603 mil”, analisou.

Jane concluiu em seu estudo que são necessárias medidas de vigilância ambiental que possam detectar a presença de ligações clandestinas de esgoto à rede pluvial, que desemboca nas praias, e às redes de esgoto que estejam interferindo na qualidade sanitária da areia e da água. Segundo ela, para os dois parâmetros microbiológicos utilizados no trabalho (coliformes e fungos), os níveis da qualidade sanitária na matriz areia seca estiveram na maioria das vezes superiores aos valores de areia úmida e água - portanto a areia seca deve ser uma área constantemente monitorada.

“Com esta pesquisa podemos afirmar que é fundamental desenvolver um estudo epidemiológico em associação à correlação dos níveis sanitários encontrados nas praias e à incidência de doenças encontradas na população que faz uso dessas áreas. É preciso dar continuidade ao estudo de vigilância e monitoramento em praias oceânicas e em praias de rios, de modo que se tenha maior número de dados de ecossistemas brasileiros que possam fundamentar padrões nacionais”, alertou Jane.

A Baía de Guanabara através dos tempos

Muito já se escreveu sobre a baía de Guanabara, cada qual com sua óptica pessoal. A razão disso são seus cenários magníficos, com uma beleza inusitada, de ordem planetária.

Olhando pela janela de seu apartamento, um amigo dizia que nem a rainha da Inglaterra podia desfrutar da paisagem que ele via. Outro companheiro de luta e resistência, olhando para a retroterra das praias, onde se desdobram morros ocupados por favelas, comentava que era certamente "lá que morava a felicidade", sem poder avaliar, à época, a conseqüência e impactos que as imensas desigualdades sociais viriam a ter.

Passados anos - meio século exato - quero contribuir para a recuperação do conhecimento acumulado, escrevendo uma pequena síntese sobre a história fisiográfica e vegetacional da Guanabara, em homenagem a amigos e companheiros que já se foram (José Veríssimo da Costa Pereira, Orlando Valverde, Jean Dresch e Jean Tricart).

Em primeiro lugar, é indispensável dizer que a região da Guanabara apresenta um quadro único para o conhecimento da fachada atlântica sudeste do Brasil. Sua origem remonta à separação do Brasil oriental em face da África ocidental. Uma distensão tectônica foi responsável pela criação de montanhas de blocos falhados, entre as escarpas da serra do Mar e os complexos maciços costeiros de feições majestosas, tais como o Corcovado, a serra da Carioca, o maciço de Niterói e os pontões rochosos que ladeiam a entrada da barra, culminando com o símbolo máximo representado pelo Pão de Açúcar. Há também uma baixada colinosa entre a serra do Mar e os maciços serranos mais próximos da atual linha de costas. E, por fim, a própria baía de Guanabara, que adentra as áreas dos morros e colinas, desembocando por uma barra estreita, entre os paredões rochosos do Rio de Janeiro vis-à-vis os morros de Niterói. E, para complicar ainda mais, a existência de uma pequena bacia paleoceânica em Itaboraí, embutida nas terras baixas onduladas regionais. Afora depósitos de cascalho nos altos das colinas aplainadas do Plioceno.

Os conhecimentos disponíveis sobre as bacias tectônicas, existentes na plataforma continental do Brasil de sudeste, permitem-nos avaliar a amplitude e a complexidade da tectônica de blocos falhados ocorridos no Brasil de sudeste, durante o período Cretáceo. Tudo leva a crer que antes da separação dos continentes, o setor afro-brasileiro de Gonduana era uma espécie de mega-abóbada rebaixada por longos processos erosivos, a qual foi fragmentada pela tectônica de placas, possibilitando a formação do oceano Atlântico. Na atual área continental do Brasil de sudeste existem indicadores concretos da tectônica quebrável, reconhecida como montanhas de blocos falhados (block-mountains).

Identicamente, no território fluminense - entorno da Guanabara - percebe-se todo um arranjo de blocos montanhosos e compartimentos tectônicos. Num entorno mais amplo, percebe-se a mudança de eixos das escarpas da serra do Mar, desde os escarpamentos do litoral norte de São Paulo e sul do Rio de Janeiro, a borda norte do maciço da Bocaina, e o retorno da orientação SSW-NNE na chamada serra do Mar fluminense (Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo). Um conjunto de escarpas com um maciço traçado em baioneta entre o litoral norte de São Paulo e sul fluminense, a borda transversal do maciço da Bocaina e o retorno direcional para a serra fluminense (de novo SSW-NNE). No ângulo norte da baioneta escarpada, a fragmentação tectônica bem marcada que deu origem à larga e colinosa Baixada Fluminense, tendo na frente oceânica a serra da Carioca, o Pão de Açúcar e os pontões serranos de Niterói.

Infelizmente, é impossível reconhecer os detalhes dos blocos falhados onde jazem os sedimentos da bacia de Campos e, separadamente, da bacia de Santos.

A maior parte desses fatos foram reconhecidos e registrados cartograficamente no importante Mapa geomorfológico da Guanabara, do grande mestre Francis Ruellan (1944). Um trabalho extremamente detalhado, elaborado em cima de cartas topográficas convencionais, numa época em que ainda inexistiam imagens de radar ou de satélites. Transformar um mapa singelo em um verdadeiro mapa geomorfológico exigiu observações de campo ao longo de múltiplos itinerários, o que pode ser considerado uma verdadeira façanha técnico-científica. Entrementes, Ruellan inseriu um acréscimo importantíssimo em seu estudo sobre a paleodrenagem subatual da Guanabara, ao noticiar para nós brasileiros, no início da década de 40, que, levando em conta os processos glacio-eustáticos, poderia se saber que o nível do mar esteve dezenas de metros abaixo de seu nível médio atual, no período do Pleistoceno Terminal. Daí se poder afirmar que existia toda uma bacia hidrográfica instalada na base da atual Guanabara, sendo que o antigo rio da Guanabara passava apertado entre o Pão de Açúcar e os pontões rochosos de Niterói. De onde se deduz que o nome Rio de Janeiro, cunhado pelos portugueses, tinha o vezo da intuição.

As flutuações radicais ocorridas entre o Pleistoceno Superior e o Recente são fundamentais para entender fatos relacionados à história fisiográfica da região costeira e à própria história vegetacional do território brasileiro. Convém lembrar sempre que no período Würm-IV Wisconsin Superior, o nível geral dos mares e oceanos estava 95 metros abaixo do atual. Para explicar esse fantástico rebaixamento é necessário saber que a partir de 22 mil anos A.P. (Antes do Presente), ocorreu um período glacial que se estendeu, com algumas irregularidades, até aproximadamente 12 mil anos atrás. Alguns pesquisadores especializados afirmam que o máximo da dinâmica glacial aconteceu sobretudo entre 15 mil e 12.700 anos A.P. E de 12 mil até 6.000-5.500 anos aconteceu uma dissolução das grandiosas geleiras que estavam estocadas nas regiões polares, subpolares e altas montanhas. Denominamos retropicalização esse período fantástico de derretimento das antigas geleiras.

Não podendo meditar sobre o zoneamento paleoclimático que teria acontecido dos pólos ao equador, Louis de Agassiz, estudando os depósitos de piemonte nos Alpes, concluiu que esses depósitos documentaram um período de glaciação generalizada na superfície do planeta Terra: uma teoria dita panglacial.

Estimulado a realizar viagens ao Brasil, acompanhado de excelentes discípulos (1864), Agassiz muito apressadamente identificou linhas de pedras abaixo dos solos vermelhos existentes nos barrancos dos morros da Guanabara e imediatamente as interpretou como fragmentos produzidos por geleiras cavalgantes. Imaginou que elas, ao escoarem pelas vertentes de morros e morretes, teriam fragmentado cabeças de diques de quartzo e arestas de rochas.

O fato básico é que o grande glaciologista, respeitado em todo o mundo cultural de sua época, observou bem e pioneiramente o ocorrer das linhas de pedras (stonelines), porém errou totalmente na interpretação geológica e geomorfogênica.

Costuma-se dizer que um pesquisador tem de saber observar bem, ainda que se possam perdoar interpretações aproximadas ou incompletas. No caso de Agassiz, a conclusão apressada e errônea teve implicações científicas muito graves. Decorreu quase um século para substituí-la por concepções mais exatas e consistentes. Fato que aconteceu durante o importante Congresso Internacional de Geografia realizado no Rio de Janeiro em 1956, quando cientistas de diversas partes do mundo puderam realizar pesquisas de campo em várias regiões do território brasileiro.

Temos salientado a importância das interpretações de Jean Tricart e André de Cailleux a respeito da gênese dos chãos pedregosos representados pelas stonelines encontradas em diversas áreas do Brasil. O grande mestre Tricart dizia para seus eventuais alunos brasileiros que, na região semi-árida do Nordeste, ocorriam manchas de chão pedregoso ocupadas por caatingas arbustivas. E que as linhas de pedras encontradas no Brasil Atlântico seriam o resultado da expansão de climas semi-áridos em certos momentos do período Quaternário.

Depois de muitas pesquisas de campo nas mais diversas re-giões do país, voltamos a pesquisar os morros do Rio de Janeiro e colinas da Baixada Fluminense, tendo a sorte de constatar relictos de cactos na base dos paredões rochosos nos arredores da Guanabara, além de mandacarus e xiquexiques em diversos pontos do Pão de Açúcar. Identicamente, em excelentes fotos tomadas por Marc Ferrez nos arredores do Rio de Janeiro, pode-se perceber que existiam relictos de cactos sob a forma de minirredutos em diversos patamares rochosos dos morros regionais. Do que decorre que hoje podemos melhor interpretar o cenário paleoecológico e fisiográfico da região vista em seu todo. E lembrando que entre Macaé e Cabo Frio existe o único setor de caatinga fora da região distante da core area do domínio semi-árido nordestino.

Por último, convém lembrar que o conjunto da Guanabara quando o mar se achava muito distante era um cenário típico das paisagens do Nordeste seco, cruzava colinas através de uma drenagem semi-embutida, passando por um boqueirão dos notáveis pontões rochosos do Pão de Açúcar e os do além-Rio, em Niterói. Se existissem povos pré-históricos provindos do sertão nordestino na época, eles estariam reconhecendo e vivendo numa região costeira dominada pela secura em um ambiente mais frio, com manchas de chão pedregoso e caatingas de diferentes tipos.



BIO


Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.



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