quinta-feira, 30 de abril de 2015

Os Panteras Negras: a luta contra o racismo (Por Thiago Muniz)

Panteras Negras é o nome de um partido negro revolucionário que foi fundado nos Estados Unidos.

Os Panteras Negras eram integrantes de um polêmico grupo revolucionário americano, surgido na década de 1960 para lutar pelos direitos da população negra. O ponto mais controverso da doutrina do grupo era a defesa da resistência armada contra a opressão dos negros. Fundado em outubro de 1966, o grupo nasceu prometendo patrulhar os guetos (bairros negros) para proteger seus moradores contra a violência policial.

Em meados do século XX, os Estados Unidos eram um país permeado por práticas racistas contra os negros. Estes tinham lugares específicos para sentar no ônibus, andar nas ruas e locais típicos para frequentar, onde não se misturassem com os brancos. Em meio a discriminação, surgiram alguns nomes importantes para a conquista de direitos civis, sociais e políticos para os negros, como Martin Luther King e Malcolm X, por exemplo. Outros dois importantes nomes para o movimento dos negros nos Estados Unidos foram Huey Newton e Bobby Seale. Eles foram responsáveis por fundar, em 1966, o Partido dos Panteras Negras.

Dessa forma, os Panteras Negras entendiam a mão de obra escrava como formadora da riqueza do principal país capitalista do século XX. Por isso, também divulgavam a necessidade de realizar a expropriação dos meios de produção dos capitalistas brancos. O contato com as posições políticas defendidas por Mao Tsé-tung em seu Livro Vermelho serviram ainda para o grupo se ver como uma vanguarda na luta do movimento negro estadunidense.

Uma das formas de ação dos Panteras Negras era o armamento das comunidades negras. Tal posicionamento era decorrente dos constantes atos de violência e brutalidade policial a que estavam submetidos cotidianamente. Por isso, a ação inicial do grupo era contra uma das principais instituições repressivas do Estado: a polícia. Inúmeros foram os casos de confrontos armados entre os Panteras Negras e as forças policiais, resultando em mortes tanto entre os militantes quanto de policiais.

O movimento se espalhou pelos Estados Unidos e atingiu seu período de maior popularidade no final da década de 1960, quando chegou a ter 2 mil membros e escritórios nas principais cidades do país. Mas logo as brigas com a polícia levaram a tiroteios em Nova York e Chicago, e entre 1966 e 1970 pelo menos 15 policiais e 34 "panteras" morreram em conflitos urbanos.

Partido Pantera Negra para Auto-Defesa era o nome original do movimento revolucionário criado em Oakland, na Califórnia. O partido tinha como objetivo patrulhar os guetos negros para proteger os residentes contra a violência da polícia. O grupo assumiu uma filiação ideológica com o marxismo e propunha também que todos os negros deveriam possuir armas e de que todos eles deveriam ser isentos do pagamentos de impostos para um país “branco”. Por conta da exploração sofrida por séculos pelos negros, desde tempos da escravidão, o partido pregava pelo pagamento de uma indenização e pela libertação de todos os negros nas cadeias. No extremo dos casos, eram ainda a favor da luta armada. O partido se tornou muito popular, passou a contar com mais de dois mil membros e exercer atividades nas principais cidades dos Estados Unidos. Ganhou fama simplesmente como Panteras Negras.

Com o passar dos anos, o grupo conseguiu projeção nacional. Ações assistenciais eram realizadas, como a criação de escolas comunitárias, distribuição gratuita de alimentação, bem como a criação de centros médicos destinados a atender a comunidade negra.

O objetivo do partido era também organizar as comunidades negras dos EUA para a defesa de seus próprios interesses, além de construir uma consciência própria desse setor da sociedade, o que passava ainda por uma educação de seus membros, com o objetivo de contar a história da população negra nos EUA de acordo com suas próprias perspectivas.

A radicalização das ações, o fortalecimento dos Panteras Negras, inclusive com a compra de armas, e a unidade de ação conseguida com outros grupos levaram o FBI a intensificar a perseguição ao partido. J. Edgar Hoover, chefe do FBI à época, chegou a apontar os Panteras Negras como a principal ameaça à segurança interna dos EUA.

Os Panteras Negras se envolveram em vários conflitos com a polícia por causa de suas manifestações. A década de 1960 foi a principal neste quesito. Esses confrontos com a polícia, por vezes, terminavam em tiroteios com mortes para ambos os lados. Muitos aconteceram na Califórnia, mas também em Nova York e Chicago. Em uma dessas ocasiões, um dos fundadores dos Panteras Negras, Huey Newton, feriu fatalmente um policial. Foi, então, imediatamente preso pelo assassinato de um policial, preconizando o fim do movimento revolucionário.

Não só Huey Newton, mas também outros membros do Partido dos Panteras Negras foram presos sob acusações de atos criminais. O crescente número de prisões esvaziou gradativamente a ação do partido. Por outro lado, a polícia reagia com, cada vez mais, severidade. A hostilidade empregada foi tamanha que o próprio Congresso abriu investigações sobre a ação policial. De toda forma, os Panteras Negras foram reprimidos, sua liderança dissolvida e o movimento perdeu a simpatia dos negros. A mudança no cenário fez com que os remanescentes do Partido dos Panteras Negras abandonassem a violência das reivindicações e adotassem estratégicas políticas convencionais e a prática de serviços sociais para a população negra. Com atividades mais discretas, porém mais funcionais para suprir as carências dos negros, o Partido dos Panteras Negras manteve-se ativo até a década de 1980.

A luta dos negros americanos contra o racismo atingia novos patamares quando chegaram os Jogos Olímpicos do México, em 1968; ali os Panteras Negras tornaram-se conhecidos do mundo. Os atletas negros consideraram a possibilidade de simplesmente boicotá-los. Não chegaram a tanto. Mas criaram uma associação que deixava clara sua insatisfação com as coisas como eram, a OPHR, as iniciais em inglês de Projeto Olímpico pelos Direitos Humanos.

No segundo dia da competição, foram disputados os 200 metros livres, uma das provas mais nobres do atletismo. O resultado não surpreendeu: dois americanos negros no pódio, e entre eles, em segundo lugar, um australiano. Tommie Smith (USA), vencedor da competição e John Carlos (USA), terceiro colocado, logo após receberem suas medalhas levantaram os braços com os punhos fechados – esse era o símbolo do Movimento. Além disso, abaixaram a cabeça durante a execução do hino norte americano.

O corredor australiano, Peter Norman, deixou claro seu apoio aos rivais. Recebeu a prata com um distintivo do OPHR na camiseta. Antes, Norman tivera já uma participação relevante no bastidor do protesto mudo: Carlos esquecera o par de luvas que colocaria caso subisse ao pódio. Norman, ao saber disso, sugeriu que cada um dos americanos usasse uma luva.

A imagem dos três no pódio é uma das cenas mais extraordinárias de todas as Olimpíadas disputadas na era moderna, e com o tempo se transformaria num símbolo resistente, poderoso, tocante do movimento de afirmação dos negros americanos.
Só havia – ainda há – um problema: o COI (Comitê Olímpico Internacional) proíbe que atletas usem ou façam símbolos relacionados a qualquer facção, movimento político e/ou afins. Devido ao ato no pódio, os atletas norte americanos foram expulsos dos jogos e também da Vila Olímpica. No entanto, o fato trouxe os olhos do mundo para a luta dos negros norte americanos e, além disso, difundiu pelo mundo a ideologia de direitos iguais independentemente da cor da pele.

O Comitê Olímpico Internacional condenou severamente o gesto, sob a alegação de que esporte e política não combinam. A mídia americana criticou intensamente Smith e Carlos. A revista Time sublinhou a “raiva e a feiúra” do protesto. 

Correram rumores de que ambos perderiam as medalhas, o que acabou não se concretizando.

De volta aos Estados Unidos, Smith e Carlos acabaram relegados a um virtual ostracismo pelas autoridades que comandavam o atletismo americano – brancas, naturalmente. Com a passagem dos anos os dois foram saindo de párias para aquilo que são hoje – heróis.

Menos sorte teve o australiano solidário. Norman passou a ser ignorado pelos chefes do atletismo australiano e, também, pela imprensa local. O racismo grassava também na Austrália – onde os aborígines, os nativos, eram tratados como cidadãos de segunda classe. Sua carreira entrou em colapso e, com ela, sua vida pessoal. Norman logo teria problemas com bebidas. Jamais foi perdoado na Austrália. Um dos mais repulsivos sinais disso é que ele foi ignorado pelos organizadores das Olimpíadas de Sidney de 2000 – mesmo tendo sido um dos maiores corredores da história do país.

TRÊS CAMINHOS PARA A LUTA

Movimento negro americano usava métodos distintos para contestar o racismo nos anos 60

MOVIMENTO PELOS DIREITOS CIVIS

PRINCIPAIS LÍDERES - Martin Luther King Jr.

PROPOSTAS - O pastor batista liderava uma corrente moderada, adepta da não-violência, que defendia a obtenção da igualdade racial por meios pacíficos, com a extensão do direito ao voto a todos os negros e o uso de táticas como boicotes e desobediência civil sem atos violentos.

RESULTADOS - Apesar do assassinato de King em 1968, sua luta gerou a aprovação da Lei dos Direitos Civis, em 1964, que acabou com a discriminação contra as minorias.

NAÇÃO DO ISLÃ

PRINCIPAIS LÍDERES - Malcolm X

PROPOSTAS - Essa vertente religiosa praticava a luta política por meios legais, mas aceitava a violência para autoproteção. Recusando a igualdade racial, o grupo defendia a supremacia e o separatismo dos negros.

RESULTADOS - Anos depois, Malcolm X admitiu a possibilidade de convivência com a sociedade branca, despertando a ira dos antigos seguidores. Foi morto por um deles durante um comício, em 1965.

PANTERAS NEGRAS

PRINCIPAIS LÍDERES - Huey Newton e Bobby Seale

PROPOSTAS - Defendendo o fornecimento de armas a todos os negros, os militantes desse grupo radical pediam ainda a libertação de todos os negros das penitenciárias americanas e o pagamento de indenizações às famílias negras pelo período da escravidão.

RESULTADOS - Os métodos violentos geraram feroz perseguição pela polícia e pelo FBI. Esvaziada, a organização foi dissolvida na década de 1980.




BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


Como confiar num país que espanca os seus próprios professores? (Por Thiago Muniz)

"Ainda vão me matar numa rua. Quando descobrirem, principalmente, que faço parte dessa gente que pensa que a rua é a parte principal da cidade." (Leminski, poeta curitibano)


Dessa forma, o espancamento fascista a quem educa é tratado no Brasil! O que fizeram com os professores no Paraná ontem foi uma atrocidade! Mas, infelizmente nesse país é assim. Já com nossos políticos corruptos, o tratamento é VIP.

Os professores são tratados como vagabundos e os que saqueiam o cofre público são tratados como vítimas no STF, a justiça e a política nesse país são um lixo. Corrupção nesse país não dá cadeia, mas quando você protesta dignamente você é espancado e preso. Uma categoria de trabalhadores, os quais deveriam ter um salário digno, tem que ir às ruas para reivindicar um salário melhor e condição de trabalho digno. Uma vergonha.

Tanta coisa importante é tem gente com inteligência mínima discutindo e pondo culpa em partido A ou B. A lei não foi criada e aprovada por um único homem, houve aprovação da maioria. Claro que isso é um abuso. Mas não está limitado a um partido, todos são corruptos não se salva um.

Imaginem, então, o que acontecia durante a ditadura e depois meçam a capacidade mental e intelectual do povo que sai por aí pedindo pela volta da ditadura.

Sinto falta da galera que é contra tudo isso que está aí e vai pra rua com camisa da Seleção. Cadê a indignação com o que aconteceu no Paraná? Os revoltados não vão bater panela pelo sangue dos professores? Afinal, os protestos não são, entre outras coisas, por uma educação de qualidade? Ou só vale se o governante for do PT? Queria entender...

A selvageria da PM do Paraná é mais uma prova de que o país ainda não aprendeu a respeitar os professores. Na Pátria Educadora, escolher o magistério continua a ser um ato de coragem.

Foi tão arbitrária esse truculência, que vários policiais foram presos por se recusarem a bater nos professores !! Parabéns á eles !! Tomara que todos se conscientizem e a tropa toda não participe mais dessa bagunça, já que são todos da mesma "casa". A Rua é palco da democracia. Inadmissível o ocorrido com os professores do Paraná. Seria justo e pedagógico um ato nacional em defesa dos educadores.

As imagens de Curitiba não deixam dúvida sobre o uso desproporcional da força. Os policiais não economizaram em bombas de gás e balas de borracha. Enquanto mães corriam para buscar crianças em uma creche vizinha, a tropa de choque avançava sobre os grevistas. "Se precisar usar a tonfa [cassetete], é por baixo", dizia um comandante.

A pancadaria deixou ao menos 170 feridos. Principal alvo dos protestos, o governador Beto Richa (PSDB) saiu em defesa da PM. "Ninguém pode ser hipócrita de dizer que as cenas não são lamentáveis, mas os policiais ficaram parados, protegendo o prédio público", disse.

O prédio em questão era o da Assembleia Legislativa, onde aliados do tucano aprovaram mudanças na previdência dos servidores. O governo resolveu mexer na aposentadoria deles para tentar fechar o rombo nas contas do Estado.

Os atingidos pela ideia foram impedidos de acompanhar a votação no plenário.

Alguém precisa dizer a Richa que a violência contra professores não costuma ajudar governantes em apuros. Em 2013, a PM do Rio protagonizou cenas parecidas com as de Curitiba. A batalha na Cinelândia só fez engrossar as manifestações contra Sérgio Cabral. A rejeição ao peemedebista disparou, e ele acabou desistindo das eleições no ano seguinte.

Onde se escondeu o lema: Pátria Educadora. Esse governador demonstrou que nunca aprendeu as lições de patriotismo e Educação cívica, democracia. Tem que renunciar, voltar às salas de aula e reaprender o que nunca aprendeu.

Ficam como sempre algumas perguntas:

1. Por que a polícia é sempre tão bem equipada e aparelhada para bater em trabalhadores? Para proteger a população é sempre tão mal equipada e despreparada.

2. Com quem estudam esses filhos dos policiais? Como esses jovens, filhos de policiais, vão encarar seus professores?

Quase todos os professores são atacados todos os dias tanto verbalmente quanto fisicamente, não precisa ser do bem para tal situação. E nem precisam caçar para achar o que aconteceu foi vergonhoso. Com aqueles que lutam pela educação no Brasil.

Mais de 170 feridos em protesto de professores no Paraná que terminou em confronto com a PM. Os protestos ocorreram no Legislativo porque os deputados votaram, a portas fechadas, o projeto do governo Beto Richa (PSDB) que modifica a previdência dos funcionários públicos estaduais. De acordo com o sindicato servidores, foram à manifestação 15 mil pessoas –a PM não fez estimativa.

Apesar da confusão e dos protestos, o projeto da administração tucano acabou sendo aprovado pela Assembleia, onde Richa tem maioria. A proposta reduz a contribuição do governo –em crise financeira desde o ano passado– sobre as pensões pagas pelo Estado no PR. Os manifestantes reclamam que perderam benefícios.

Desde o início desta semana, a Assembleia foi cercada por PMs a pedido do governador tucano, que se baseou numa ordem judicial para fazer a votação sem a presença de manifestantes. A polícia jogou também jatos de água contra os ativistas. Já os manifestantes atiraram pedaços de pau e pedras. Parte deles são professores, que entraram em greve na última segunda (27) contra o projeto. O prédio da prefeitura, que fica em frente à Assembleia, foi transformada em uma espécie de enfermaria para agilizar o atendimento dos feridos. A polícia prendeu seis pessoas –entre eles, há professores e black-blocks, segundo a pasta.

O confronto durou pelo menos duas horas. Após o ataque da PM, os manifestantes –entre eles também alunos da rede pública–, recuaram, mas continuaram ocupando as ruas ao redor do Legislativo. A gestão Richa montou uma operação de guerra ao redor da Assembleia. Um deputado chegou a ser mordido por um cachorro da PM. Pelo menos dois cinegrafistas que cobriam o confronto também ficaram feridos –um por uma bala de borracha, outro também mordido na perna por um cão da polícia. O cinegrafista Luiz Carlos de Jesus, atacado por um pit bull da PM, foi atendido em um hospital, tomou vacina antirrábica, recebeu curativos e teve alta em seguida. Ele não fez cirurgia nem levou pontos.

Dos 170 feridos, 35 foram socorridos por ambulâncias do Samu e por guardas civis municipais. Eles foram levados para hospitais e para a UPA matriz. Havia também entre eles pessoas que passaram mal com o gás usado pela PM. Segundo a assessoria da prefeitura, diante do tumulto, as pessoas se refugiaram na prefeitura.

O saguão principal ficou lotado de pessoas ensanguentadas, ainda sob efeito de crise nervosa ou que tiveram algum tipo de ferimento. Funcionários tentaram acalmar manifestantes, distribuindo água. Enquanto isso, a sessão foi realizada na Assembleia. Foi interrompida por cerca de dez minutos, já que o gás chegou a atingir o plenário da Casa, mas foi retomada, mesmo com o barulho de bombas e gritos do lado de fora.

Enquanto no Japão o professores não precisa se curvar ao imperador, pois até mesmo ele passou pelas mãos de um professor. Aqui no Brasil o professor é tratado como bandido.

Educação e o Mundo Moderno. "Enquanto o nosso crescimento quantitativo se fizer com a aceleração presente e a aceitação de elementos de qualquer ordem para o preenchimento das nossas necessidades impedir a exigência de melhores requisitos, os serviços educacionais brasileiros continuarão a ser o que são, ajudados pela válvula de segurança do emprego fácil para os seus produtos de segunda ordem."

Falta de administração pública, planejamento, estratégia, falta tudo para o educador...só não falta armamento pesado para atirar nesse profissional que é tão importante para a sociedade do mundo.

O pior de tudo é ver que tem gente que defende a ação comandada pelo governador. É estranho que nas redes sociais, essas pessoas desmioladas só comentam em posts de grande mídia. Vendo o comentários nos canais menores parece que a opinião geral é outra. Minhas hipóteses para explicar esse fenômeno:

I) a galera que tem essa mentalidade não está nem um pouco preocupada em buscar outras fontes;

II) os partidos estão criando o máximo de perfil "fake" possível para tentar fazer a população acreditar que a opinião publica foi outra.

Os jornais estrangeiros, claramente apoiados por bancos brasileiros e do mundo que mais conspiram contra o Brasil, deveriam estar parabenizando o governo brasileiro por seus grandes anunciantes poderem continuar a pagar a publicidade em seus meios de comunicação. Seus lucros no Brasil são vergonhosos de tão altos, num momento em que a economia do país luta para crescer. Não custa lembrar que alguns, durante o período da campanha eleitoral, recomendavam a derrota da presidente Dilma Rousseff.

O banco espanhol Santander, que em 2008 foi salvo pelos lucros no Brasil, dava informações pessimistas ao mercado para esse trimestre, através de seus analistas que alardeavam que o Brasil não cresce e não vai crescer, que há inflação, bolha no mercado imobiliário, demissões, etc. Só não falam na Petrobras, pois estão lá dentro fazendo seus negócios que lhes permitem obter esses lucros.

Em relação aos bancos brasileiros, o lucro do Bradesco foi de R$ 4,24 bilhões no primeiro trimestre de 2015. Um aumento de 23,3% em relação ao mesmo período de 2014. A expectativa é parecida quanto aos resultados do Itaú Unibanco, que obteve um lucro de R$ 20,242 bilhões em 2014, 28,9% maior em relação ao de 2013.

Enquanto continuam a falar mal do Brasil e a alarmar o povo com notícias negativas, podendo levar a uma grande conflagração social, os bancos só comemoram.

É por isso que eu pergunto: Como confiar num país que espanca os seus próprios professores?













Um país que bate em seus professores não tem futuro!

"O que alguns podem não ter percebido, é que esse caso com as proporções que ganhou, será (ou já está sendo) exemplar para o restante do país, seja o desfecho favorável aos gregos ou aos troianas. Nesse sentido, a categoria docente que só observa deve buscar juntar forças para dar desdobramento ao processo, já sabendo que tipo de apoio buscar nas mídias e junto à sociedade. Algo que parece claro, é que quanto mais imagens do processo forem registradas, mais fácil será mostrar para a população quem é quem. A partir das imagens dos últimos dias, a população tomou partido com mais convicção. Até em São Paulo, Geraldo Alckmin já não pode mais negar que existe uma luta em curso. Se a grande mídia não mostra, cabe às redes sociais mostrarem serviço cidadão!" 

(Tom Valença, professor)

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Thiago Muniz é colunista do blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor, do blog Eliane de Lacerda e do blog do Drummond. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para: thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


quarta-feira, 29 de abril de 2015

Por que uma criança deve estudar? (por Thiago Muniz)

Para ser formada como cidadão que terá um papel na sociedade, trabalhando para ter o seu sustento, para realizar os seus sonhos e para colaborar com os menos favorecidos.

O estudo não tem um fim em si mesmo, do tipo, o estudo dignifica o homem. Não, o trabalho dignifica o homem. Ou seja, o que você realiza dignifica, o que você é capaz de produzir lhe agrega mais dignidade para sua vida. Logo, numa determinada fase de sua vida você supostamente deveria se preparar para numa outra fase, produzir e gerar valor.

O estudo sem propósito é perda de tempo. Esta afirmação soa quase como uma heresia escandalosa aos ouvidos de quem por anos foi condicionado a pensar no estudo como atividade fim e não como meio. Estudar por estudar é típico de alguém que ainda não encontrou o seu propósito e por isso continua fazendo as coisas por fazer.

No entanto, o ato de estudar, ou seja, participar de uma classe a fim de adquirir informações sobre as disciplinas definidas pelo governo está muito longe de ser o suficiente para preparar alguém para adquirir esta relevância na sociedade. Até porque, a definição do currículo escolar foi feita há quase um século. Porém, o mundo mudou, as necessidades mudaram, as ferramentas são outras e a quantidade de informação as quais nossos jovens são expostos é muito maior.

Não é por acaso que, como consequência desta realidade, testemunhamos o aumento brutal no diagnóstico de TDAH - Transtorno de Défict de Atenção por Hiperatividade, o que fez com que drogas como a Ritalina tenha encontrado no Brasil o seu segundo maior mercado consumidor do mundo. Nossas crianças é que estão doentes ou seriam as nossas escolas?

Aquela escola que tem o papel de transferência de conteúdo, a cada dia se torna mais insignificante, num mundo onde as informações estão acessíveis a todos a distância de apenas um clique.

Por isso, o modelo educacional vigente está falindo e definhando a cada ano. Isso acontece sem que muitos envolvidos neste processo estejam percebendo. Até porque, este modelo está associado `as formas mais convencionais de sustento de um cidadão que é o EMPREGO. Por sua vez, o emprego tradicional, da forma que conhecemos, perde valor a cada dia, enquanto outras formas de produção ganham mais espaço no mundo. Marketing multinível, produção de conteúdo na internet, micro-franquias, vendas diretas, marketing digital, dentre outros modelos que têm crescido em todo mundo e que já contam com milhões de pessoa dedicando-se a eles.

Não quero entrar no mérito de discutir sobre cada um desses modelos, mas a existência deles e o seu crescimento é a maior prova que as pessoas estão cansadas de se sentirem escravas, de terem suas agendas tomadas e não terem tempo para desfrutar da família e da vida em troca de um salário sobre o qual não tem controle.

Com o aumento do trânsito nas grandes cidades, das filas intermináveis e engarrafamentos de desafiarem os nervos, aliado ao aumento da violência urbana, tem provocado um aumento nos casos de síndrome do pânico. Como resultado, o consumo de educação pela internet, por exemplo, não para de crescer.

Por que alguém vai pegar um carro, dirigir por minutos ou horas, correndo riscos de ser assaltado, gastando com estacionamentos cada vez mais caros, para ir numa faculdade? Ele estuda online, gasta menos, com qualidade e ainda sobra mais tempo para trabalhar, construir os seus projetos, fazer outras coisas que gosta ou simplesmente viver a vida.

Vamos agora falar sobre conteúdo. Eu vejo muito, mas muito valor na pré-escola. É o momento em que a criança tem uma de suas primeiras experiências sociais, desenvolve suas habilidades cognitivas, coordenação motora e é alfabetizada. É uma educação altamente produtiva.

Da 1ª a 4ª séries, a concentração em português, matemática e ciências, traz um conteúdo interessante e importante para a base da educação desta criança. O problema é que o formato falido da educação vigente já começa colocar a cabeça pra fora. Estou falando de uma sala enfileirada, a maldita prova que induz a decoreba e a busca por notinhas na média começam aparecer nesta fase. Uma pena, pois apesar deste formato nojento, o conteúdo desta fase é bem importante.

Da 5ª série até o último ano do ensino médio é quando tudo desanda. Ou seja, entre os 11 e 17 anos. Algum pedagogo infeliz definiu este conteúdo a ser despejado no cérebro dos jovens. A quantidade de informações inúteis, desnecessárias e irrelevantes é impressionante.

Nesta fase, seria imensamente importante a preparação para vida. Não me refiro a preparação para o emprego. Não! Falo de preparação para a vida mesmo.

Até hoje, sou capaz de montar no mínimo 70% de uma tabela periódica, com os elementos químicos e suas posições organizadas em grupos. Não vou recitar o nome deles aqui para não ficar chato. Até hoje não esqueci e não me pergunte a razão. O fato é que esta informação ocupa um espaço valioso em meu cérebro que não me serve para nada. Talvez se eu trabalhasse com farmácia ou química industrial tivesse algum valor, mas não para 99% das pessoas. Se é inútil para 99% das pessoas, por que perder tempo com isso na escola?

Para não detalhar muito entrando em muitos detalhes, para resumir, eu me atrevo a dizer que mais de 70% do que se estuda entre a 5ª série e o 3º ano do ensino médio não tem sentido algum e ficará no esquecimento. Sou exceção que me lembro de pelo menos 70% da tabela periódica e do nome dos elementos químicos dos principais grupos. É o seu caso? Você se lembra dos nomes dos elementos químicos que fazem parte do grupo dos metais alcalinos? Se a resposta é não, você não está perdendo nada. Se você se lembra, desde a 8ª série, que este grupo é formado por Lítio, Sódio, Potássio, Rubídio, Césio e Frâncio, como eu acabei de me lembrar, aconselho procurar um médico.

Pense comigo. Não seria mais importante que os nossos jovens estudassem e fossem treinados para:

1. Falar em público - Estatisticamente, falar em público é o maior medo das pessoas. Elas não tem boa oratória, o que é muito importante para o crescimento profissional e liderança. Como alguém passa quase mais de 15 anos participando de uma educação que não o preparou para ter uma boa oratória? Foi falta de tempo? Não. Você estava ocupado estudando as briófitas, as mitocôndrias ou decorando os gases nobres.

2. Direito - Não me refiro ao direito estudo por quem deseja ser um advogado, mas ao direito de cada cidadão. As regras do jogo. Quer jogar o jogo sem saber as regras? Falo em direito do consumidor, direito civil, direito tributário, direito comercial...

3. Obesidade - As taxas de obesidade crescem em todo mundo. Nutrição é algo que deve ser estudado todas as semanas.

4. Finanças pessoais - O nível de endividamento, cálculo de juros para financiamentos, negociação, gestão de seu patrimônio etc. É inacreditável que se perca tanto tempo numa escola sem aprender a gerir a sua própria vida.

5. Inteligência emocional - Como reagir a situações adversas, aprender a perder pra ganhar, saber se colocar no lugar dos outros, empatia, de novo liderança, saber trabalhar em grupo, como lidar com a ansiedade, com as frustrações, com o medo etc...

6. Empreendedorismo - Não apenas na forma de se ter uma empresa, mas também como empreender numa carreira profissional, empreender com a mesada, estímulos para startups na internet, blogs, conteúdo no YouTube e redes sociais com o foco na criação de audiências.

7. Esporte em alta performance - O esporte traz consigo ensinamentos importantíssimos para a vida. Foco, trabalho em equipe, inteligência emocional, determinação, trabalho em grupo... O esporte é riquíssimo para o desenvolvimento dessas habilidades.

8. Primeiros socorros e principais conhecimentos sobre o atendimento de jovens velhos e crianças.

9. Política e sociologia de forma isenta e não doutrinária.

10. Serviço social e trabalho voluntário em comunidades carentes. Além da experiências valiosíssima de lidar com os mais necessitados, a abordagem humana e ter acesso as contradições da sociedade trariam questionamentos valiosos para os futuros pensadores.

11. Ter inglês como disciplina estudada em todas as escolas e apenas 3% da população dominar o idioma é mais uma prova do fracasso do modelo educacional vigente. É inaceitável que menos de 100% de nossos alunos cheguem ao final do ensino médio não falem no mínimo 3 idiomas. Tem tempo pra isso, mas a competência das escolas atuais passa longe.

12. Na língua portuguesa, interpretação de textos e redação. Uma atividade a ser desenvolvida todos os dias. Treinando a forma e desenvolvendo pensadores que se expressam muito bem, tanto de forma oral como escrita. Experimente pedir para um grupo de 100 jovens recém formados numa universidade para eles escreverem uma redação pra você ver o nível baixíssimo de anos estudando neste sistema vigente.

13. DENTRE MUITAS OUTRAS NECESSIDADES REAIS

O governo é responsável por este modelo pouco produtivo de educação. O MEC é quem regula isso e impõe as escolas este currículo. Ou seja, se uma escola decidir ensinar tudo o que disse acima e abolir a tabela periódica, por exemplo, essa escola, mesmo privada, poderá ter o seu registro cassado e seus alunos terão um diploma não reconhecido.

Até o ano passado, fui sócio de um grupo educacional expressivo com mais de 1800 escolas de ensino médio e fundamental no Brasil que tem mais de 500 mil alunos. Conheço bem o que digo. Vendi para o fundo soberano do Governo da Cingapura.

Meus filhos, 15, 13 e 4 anos de idade, sabem tudo o que penso a respeito deste assunto e por dois anos ficaram fora da escola. Estudaram em casa, enquanto moramos na Espanha e Inglaterra. Aqui em Portugal, eles voltaram para uma escola convencional, mas educação deles não pertence a esta escola, ainda que seja considera uma das melhores da Europa. Eles aprenderam a jogar o jogo e nos dedicamos a prepará-los dentro de outros paradigmas, muito longe de alguns conceitos ensinados lá dentro.

Talvez um dia eu realize o sonho de construir uma escola que contrarie tudo isso, que peite este esquema, que ignore a falsa importância de um diploma e que forme pessoas para serem relevantes na sociedade com todas as habilidades acima, em vez de uma manada de seres humanos padronizados em busca de um diploma pra arranjarem um emprego para pagarem as suas contas. Agem assim, porque foram ensinados assim, treinados assim e adestrados deste jeitinho.




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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


Basta de Massacre com os PROFESSORES (Por Thiago Muniz)

"Quem tem Poder não faz uso de violência. A violência se impõem quando existe incapacidade de argumentação e falência da interlocução, do diálogo. A violência é o signo do enfraquecimento ou da perda do poder.(Hannah Arendt - filósofa).

Se nos causa indignação saber que um professor foi ameaçado ou agredido em uma escola, imagine saber que vários professores são agredidos e feridos, neste instante, pela polícia do Estado do Paraná.

O governador Beto Richa (PSDB) autorizou que sua polícia descesse o porrete e bombas de efeito moral, contra professores que protestam por seus direitos!

No Estado de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB, também!) ignora os professores que protestam e que há meses estão em greve. Não sei o que fica pior, ser ignorado e menosprezado ou agredido fisicamente. Não se espera algo de um governo que maltrata seus professores.

Resta nossa indignação!

O que esperar de um país que trata seus professores na base da porrada?

150 feridos, praça de guerra, violência covarde, bombas lançadas de todo lado. O governo do PSDB do Paraná "dialoga" assim, na truculência. Nossa plena solidariedade aos servidores - na sua maioria professores - paranaenses, vítimas da estupidez opressora. Já manifestamos isso no plenário da Câmara dos Deputados.

O Estado do Paraná vive hoje mais um dia triste para a democracia brasileira. O poder instituído demonstra total incoerência com os preceitos constitucionais que exigem o respeito à liberdade de expressão. Um cidadão que não possa manifestar suas discordâncias com as decisões tomadas pelo poder instituído deixa de ser participante ativo da sociedade e passa a ser um mero espectador. Só aceitam a cidadania do aplauso?

A democracia exige um esforço constante de diálogo com a população. Em especial, requer-se a participação constante e contínua daqueles que são diretamente afetados pelas leis formuladas. Não se pode ser justa uma atitude que contraria tal preceito.

A autonomia, a inclusão e o direito de expressão são corolários de uma sociedade aberta à pluralidade.

Os acontecimentos no Paraná não podem passar impunes. Os excessos e o desrespeito ao direito de manifestação precisam ser apurados. Somente assim teremos uma democracia pulsante e realmente produtora de consensos.

Estou aqui esperando alguma "dondoca" bater panela contra este massacre orquestrado e autorizado pelos tucanalhas que governam o Paraná. Todo o apoio aos Professores e demais Servidores! Vergonhoso. Vivemos uma falsa democracia. Não querem o povo educado e instruído. É só falta de respeito e roubalheira.

É este o caminho que a direita segue, ou seja, o do ódio e violência. Como se diz "com a direita não há dialogo, somente porrada". Eles não imaginam um mundo em que o outro possa reivindicar e opinar. A direita entende somente discurso único e que esteseja o dela. Um discurso no qual ela manda e pronto; no qual ela nega verdades universais e direitos dos trabalhadores; e coloca a verdade dela em pauta; no qual não há discordância de suas ideias.

Lamentável ver a polícia, força repressiva do Estado capitalista e autoritário agredindo professores. O pior, tanto os policiais, quanto os professores são trabalhadores e vítimas deste Estado perverso.

Os Sindicatos dos Professores no País todo deveriam convocar um Protesto no País inteiro! Um dia de Paralisação em Solidariedade aos Educadores do Paraná! E "botar a boca no trombone". Divulgar esta barbárie!

É assim que a Pátria Educadora trata seus mestres. Uma vergonha senhores! Eu como professora me sinto aviltada. O dia que o povo começar a escutar os professores vai junto exigir uma Educação de qualidade para seus filhos, vai questionar como é gasta verbas federais como o FUNDEB e por aí vai. Enquanto nosso povo estiver com as vendas nos olhos, ficará assim comendo as migalhas que caem seus pratos e ainda dizendo:- "Deus lhe pague!".

Fotos: Twitter/Reprodução

#BrasilComOsProfessoresDoParaná


BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Cyberbullying: Os novos ‘inquisidores’ tomam conta da rede (Por Thiago Muniz)

Cyberbullying é um tipo de violência praticada contra alguém através da internet ou de outras tecnologias relacionadas.

Praticar cyberbullying significa usar o espaço virtual para intimidar e hostilizar uma pessoa (colega de escola, professores, ou mesmo desconhecidos), difamando, insultando ou atacando covardemente.

Etimologicamente, o termo é formado a partir da junção das palavras “cyber”, palavra de origem inglesa e que é associada a todo o tipo de comunicação virtual usando mídias digitais, como a internet, e bullying que é o ato de intimidar ou humilhar uma pessoa. Assim, a pessoa que comete esse tipo de ato é conhecida como cyberbully.

Quando o bullying é presencial, a pessoa é agredida psicologicamente, através de apelidos pejorativos ou outros constrangimentos, ou ainda, através de agressões físicas por um atacante mais forte.

O cyberbullying é mais fácil para os agressores, porque podem fazê-lo de forma anônima nas diversas redes sociais, através de e-mails ou de torpedos com conteúdos ofensivos e caluniosos.

Por meio de leis anti-cyberbullying que atualmente vigoram, os agressores anônimos podem ser descobertos e processados por calúnia e difamação, sendo obrigados a indenizar a vítima.

Em geral, o cyberbullying é praticado entre adolescentes, mas também ocorre com frequência entre adultos.

Consequências do cyberbullying: As pessoas agredidas pelo cyberbullying apresentam sintomas bastante similares com os do bullying, como: distúrbio do sono, problemas de estômago, transtornos alimentares, irritabilidade, depressão, transtornos de ansiedade, dor de cabeça, falta de apetite, pensamentos destrutivos como desejo de morrer, entre outros.

Em casos extremos, algumas vítimas de cyberbullying são atacadas de uma forma tão agressiva que são levadas a cometer suicídio. Muitos desses casos começam quando fotos ou vídeos íntimos das vítimas são introduzidos na internet.

A humilhação pública se tornou um esporte de massas graças às redes sociais. Um ciclo selvagem de linchamento e lucro arrasta para o inferno vítimas anônimas em questão de minutos, mas as consequências deixarão marcas para sempre na internet.

Em 19 de agosto de 2014, uma jovem jornalista e escritora decidiu publicar no Twitter suas impressões sobre o machismo vigente na sociedade espanhola e começou a enumerar situações do seu “dia a dia” que lhe pareciam sexistas. Começou: “Fui à biblioteca estudar como todas as manhãs e o rapaz que estava na minha frente me perguntou se queria tomar um café”.

A shitstorm (“tormenta de merda”, como chamam os especialistas) que ela provocou é das mais angustiantes de que se tem notícia. “Você é muito feia para eu te convidar para um café”, “Menos biblioteca e mais médicos para tratar seu retardamento”, “Fique tranquila, ninguém vai violar alguém como você”, “Te convidar para um café não sei, mas jogar amendoins com certeza”, “Como seus pais se conheceram? A única hipótese que cogito é que sejam irmãos”.

São apenas alguns dos exemplos menos ofensivos entre as barbaridades que disseram a ela durante os dias que se seguiram: milhares de tuítes, alguns com imagens desagradáveis e de sexo explícito. Ela apagou seu post alguns dias depois, mas no lugar deste continuou circulando a captura de tela de suas palavras para poder manter a orgia de piadas embora ela não quisesse permanecer no olho desse furacão.

À margem de se a percepção dela foi exagerada ou não, desatou-se uma violência verbal contra essa jovem que ainda não se diluiu. Ela já não quer nem falar do assunto. Aquele tuíte significou tornar-se alvo dos mais indecentes e tenazes machistas da Rede; dias, semanas e meses de piadas sexistas. Não é casual que esses linchamentos tenham um viés claramente machista: embora as mulheres representassem 53% dos usuários do Twitter no começo de 2013, estudos posteriores mostraram um declive dessa proporção em favor dos homens, possivelmente porque o ecossistema da internet continua destilando muita testosterona. 72,5% dos casos de cyberbullying é sofrido por mulheres, segundo a organização Trabalhando para Deter o Abuso Online (WHOA, da sigla em inglês).

As jornalistas recebem o triplo de mensagens abusivas que seus colegas homens, segundo Demos, e até a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) mostrou-se “alarmada” em fevereiro pelo crescente número de ameaças a mulheres jornalistas em ambientes digitais. Como explicou recentemente um artigo do Washington Post, são muitas as vozes feministas que estão dando um passo para trás na internet para fugir do clima irrespirável. A maior shitstorm da história provavelmente seja o Gamergate, que estalou também em agosto passado, no qual os homens da comunidade de videojogos atacaram grosseiramente as mulheres que criticavam o sexismo do setor.

Quando o Twitter começou a fazer sucesso na Espanha, começaram a acontecer raides em que os tropeços de um famoso congregavam uma multidão que se lançava sobre ele e, depois de desfrutar de um momento de massacre entre chacotas, insultos e hashtags, a manada se dissolvia tão fugazmente como tinha caído sobre a presa. Um caso excepcional foi aquele que David Bisbal escreveu durante a Primavera Árabe: “Nunca se viram as pirâmides do Egito com tão pouco trânsito, tomara que logo acabe a revolta”.

A gozação que desencadeou ainda ressoa nos limites da galáxia interneteira. Naqueles mesmos dias, alguns tuítes parodiando o antissemitismo deixaram o diretor de cinema Nacho Vigalondo sem seu blog neste jornal. A imprensa começou a colocar entre as notícias mais vistas esses tropeços que incendiavam as redes sociais, gerando um ciclo de feedback com os usuários. Mas de um tempo para cá o fenômeno está ficando cada vez mais indiscriminado: não importa se é um político, um personagem popular ou um Zé ninguém. Não estamos dispostos a tolerar um deslize, nem sequer se tolera o arrependimento. Fazemos uma captura de tela de tudo para que não se possa esconder seu erro apagando-o, embora esse gesto equivalha a reconhecer de forma bastante explícita o equívoco.

É algo que está acontecendo em todo o mundo e talvez o exemplo mais paradigmático seja o que sofreu Justine Sacco. A vida dela descarrilou para sempre por culpa de um tuíte estúpido, uma piada infeliz e fora de lugar que provocou uma das maiores cenas de linchamento digital de que se tem notícia. Em apenas algumas horas, essa jovem relações-públicas com uma bem-sucedida carreira em Nova York passou do mais aprazível dos anonimatos ao estresse pós-traumático, a noites de pesadelos e porquês.

Foram apenas 65 caracteres, não fez falta usar os 140 que o Twitter permite. Sacco publicou estas palavras justo antes de embarcar para a África do Sul para passar o Natal com a família: “A caminho da África. Espero não pegar Aids. É brincadeira. Sou branca!”. Foi o último tuíte de uma réstia de piadas horríveis e pouco corretas. Durante meia hora, até desligar o telefone celular dentro do avião, ela ficou atualizando a tela, mas ninguém deu bola. Tampouco ficou surpresa que seu tuíte tenha passado tão despercebido como os anteriores; ela só tinha 170 seguidores, garantia de escasso impacto. Em geral, um tuíte que não recebeu nenhuma interação durante esse tempo cairá no poço do esquecimento para sempre.

Mas isso não aconteceu. Logo depois de aterrissar, ao ligar o celular, tinha uma mensagem de alguém que não via desde os tempos de colégio: “Sinto muitíssimo ver o que está acontecendo”. O tuíte não apenas não tinha passado despercebido como também se tornou alvo de centenas de milhares de mensagens indignadas pelo racismo que destilava. O assunto foi o mais comentado nessa rede social durante horas e sua autora foi imediatamente julgada, condenada e sentenciada enquanto tirava um cochilo a 10.000 metros de altura: Sacco era uma “patricinha branca racista que zombava do sofrimento na África”.

Vários tuítes pediam sua morte, desejavam-lhe violações que a contagiassem com o vírus da Aids e exigiam que sua empresa a despedisse. Este último objetivo se cumpriu imediatamente, depois que todos os meios de informação contaram como as redes sociais tinham descoberto o racismo da relações-públicas de uma importante companhia editorial.

Tudo isso aconteceu durante as 11 horas do voo de Sacco, sem que a jovem pudesse se explicar ou se desculpar, apagar seu tuíte ou eliminar seus perfis de outras redes sociais que foram convenientemente estripados. Ninguém ficou do lado dela, ninguém publicou que talvez aquilo tudo fosse um exagero. O fenômeno foi tal que inclusive houve quem tenha ido do aeroporto da Cidade do Cabo para fotografar o momento em que Sacco chegava, para informar ao mundo.

E então meu telefone começou a explodir”, recorda a própria Sacco no livro que o jornalista Jon Ronson acaba de publicar (So you've been publicly shamed, Pilcador, “Então você foi humilhado publicamente”), resultado de três anos dedicados a descobrir o que resta das pessoas que, como Sacco, passaram por esse terrível processo de desonra e vexame, uma espécie de apedrejamento na praça pública global que deixa cicatrizes em forma de resultados no Google. Sacco explicou a Ronson que seu tuíte só pretendia parodiar essa mentalidade tão de norte-americano branco que acredita viver numa bolha que o protege. Mas dá no mesmo.

Uma vez que a manada digital desembesta é impossível detê-la e a sentença te acompanha para sempre: cada vez que alguém te procurar na internet, sua imagem devolverá esse retrato disforme e monstruoso criado com recortes de manchetes sensacionalistas, frases retiradas do contexto e fotos de seu passado resgatadas para te humilhar.

“Justine Sacco é a primeira pessoa que entrevistei que tinha sido destruída por nós”, escreve Ronson. Ele também entrou em contato com Lindsey Stone, uma jovem que compartilhava com uma colega uma diversão boba: fotografar-se desafiando cartazes. Fumando diante de cartazes de “Proibido fumar”, por exemplo. Até que em uma viagem de trabalho foram visitar o célebre cemitério de Arlington, em Washington, no qual repousam os que morreram pelos EUA. Lá, diante de um cartaz que pedia “Silêncio e Respeito”, Stone fotografou-se com o punho fechado e o dedo anelar esticado e fingindo gritar. E a amiga postou a foto em sua página do Facebook.

Um amigo veterano de guerra disse a elas que a foto era desagradável, mas Lindsey explicou que se tratava de uma piada habitual e que não pretendia ser ofensiva. A foto caiu no esquecimento até que, quatro semanas depois, começou a percorrer foros e redes por causa da indignação dos mais patriotas. De novo, ameaças de morte e de violação, às quais se somaram insultos vexatórios por seu sobrepeso. E de novo um desejo cumprido imediatamente: que a jovem perdesse seu emprego. A caixa de mensagens da Life, a ONG que cuida de adultos com pouca capacidade intelectual em que Lindsey Stone trabalhava, se encheu de raiva contra a funcionária. “Literalmente, da noite para o dia perdi tudo o que conhecia e amava”, explicou algum tempo depois a jovem, que passou um ano sem sair de casa, afundada numa depressão, com noites truncadas por pesadelos.

A turba nasce nas redes, mas pode se tornar em algo muito real. Em maio do ano passado, uma tragédia sacudiu a Colômbia quando 33 meninos morreram queimados em um acidente de ônibus. Antes de entrar na aula em sua faculdade, Jorge Alejandro Pérez Monroy começou a tuitar piadas muito desagradáveis sobre a desgraça. Quando saiu da aula, uma multidão pedia sua cabeça diante de sua sala, disposta a linchá-lo. Ele só pôde sair dali depois que agentes anti-distúrbios investissem contra a multidão e vestido como um deles. Teve de mudar de celular, de faculdade, de curso e até de nome.

“Nesses casos é ativado um componente de suposta justiça, no qual os linchadores se agarram com raiva a algum elemento moral que o justifique”, explica o sociólogo Javier de Rivera, especialista em redes sociais, coincidindo com as conclusões a que o próprio Ronson chega em seu relato. Os justiceiros da Web acreditam estar fazendo o bem, pondo as coisas em seu lugar, e que a única forma de fazê-lo é mediante essa humilhação pública. Ronson recorda que em 1787 se iniciou um movimento cívico nos Estados Unidos para acabar com o castigo da desonra pública, considerado mais cruel que os castigos físicos —mais regulados e que deviam ser infligidos em privado. De Rivera considera que são reproduzidas as normas de agressão básicas da antropologia: desumanizar e justificar. No Twitter, com seus 140 caracteres e as pequenas fotos de perfil, é fácil ignorar a empatia se não queremos estragar o espetáculo. Porque em todos esses casos foram poucos os estraga-prazeres que se atreveram a dizer: “Estamos nos excedendo”.

O linchamento funciona como espetáculo, como sempre foi. Mas, além disso, se incorporam outras dinâmicas digitais: “Talvez o diferencial seja que nas redes sociais temos de estar conscientes de que aquilo que fazemos pode acabar sendo criticado em qualquer parte do mundo, e por muita gente. Muito mais do que esperamos. Por isso, o linchamento digital tem uma dimensão, alcance e velocidade que não esperamos”, explica Esteban Moro, especialista em redes sociais da Universidade Carlos III de Madri. Em qualquer caso, o ecossistema digital espanhol parece menos propício a uma terrível tempestade perfeita contra um usuário porque está tão polarizado que qualquer tuíte ofensivo para muitos é rapidamente defendido por outros tantos. Para os que se enredam mais frequentemente nessas rinhas, as regras da turba e seus perigos são bem conhecidos, ao contrário do que ocorreu com as incautas dos casos anteriores. Todos os tuiteiros briguentos são bastante conscientes do que fazem quando retuitam barbaridades de outros e quando desejam que o seu erro fique registrado no Google, para prejudicar tanto agora como no futuro.

Talvez todo esse clima de tocaia tenha provocado o aparecimento de uma espiral de silêncio nas redes sociais, como mostrou um recente estudo do Pew Research: os internautas temem abordar determinados temas ou posições porque sabem que podem gerar uma resposta negativa contra si. E já não é só uma contestação negativa de um amigo ou conhecido, podem ser milhares de pessoas de qualquer ponto do planeta que desancam uma opinião sua. O problema é tão grave que até o próprio chefe do Twitter, Dick Costolo, reconheceu abertamente em um relatório interno vazado para a imprensa: “Não é nenhum segredo e todo mundo fala disso. Perdemos usuário após usuário por não enfrentar a questão dos assediadores. Nós somos péssimos na forma de lidar com os abusos e temos sido péssimos há anos”. Em março, a plataforma incluiu novas opções para que os usuários possam denunciar com mais facilidade os abusos. No entanto, como afirma uma das vítimas do Gamergate: “Tal como está estruturado atualmente, o Twitter ganha durante as campanhas de assédio, e nós perdemos”.

E depois? Os buscadores se transformam em uma cicatriz monstruosa no currículo das vítimas dos linchamentos digitais. Sacco e Stone produzem centenas de milhares de resultados no Google (a primeira foi objeto de 1,2 milhão de acessos ao Google naqueles dias). São pessoas comuns, obrigadas a fazer um mestrado apressado de gestão de crises e de defesa de sua imagem pública. “No momento, o melhor é não fazer nada. Qualquer tentativa vai ser vista com maus olhos, como um ato de censura, e vai gerar mais problemas”, diz o advogado Samuel Parra, do ePrivacidad.es, um escritório especializado em solucionar esses problemas. Essas pessoas anônimas têm de assistir silenciosas ao seu esquartejamento público e, depois de semanas ou meses, tentar recompor discretamente os pedaços. Aqui, como no caso dos políticos corruptos, não se aplica o tão na moda “direito ao esquecimento”, torpedeado pelo Google e que, na realidade, só é concedido em casos contados nos dedos, pouco divulgados e que ocorreram há décadas.

A única forma de resgatar a sua imagem das areias movediças do Google é tentar mudar pessoalmente os resultados, um “direito ao esquecimento” pago para os que podem dar-se ao luxo. Recorrer a especialistas que evitem que o mais horrível apareça entre as primeiras respostas do buscador. Parra, por exemplo, conseguiu anos depois que todas as páginas de Internet que publicaram um topless da revista Interviú o apagassem de seus servidores, fazendo com que desaparecesse do buscador. “Somos donos de nossa imagem, ninguém pode fazer circular uma foto nossa sem nosso consentimento”, explica. Às vezes, a melhor estratégia é criar conteúdo para empurrar para baixo os maus resultados —90% das pessoas não olham mais do que os primeiros links que o Google relaciona—, como fazem na Eliminalia: “As pessoas podem chegar a ficar traumatizadas pelo medo de que sua imagem online as impeça de encontrar trabalho”, afirma seu presidente, Didac Sánchez. Essa empresa, segundo Sánchez, ajudou um homem que foi assediado após se declarar antiaborto em redes sociais e um jovem perseguido depois de postar no YouTube um vídeo de denúncia de brutalidade policial na Catalunha.

Apesar disso, Parra não acha que estamos mais conscientes deste perigo: “As pessoas se preocupam unicamente quando chega a catástrofe, não há prevenção”. Os internautas deveriam aprender a se mover com cuidado, a conhecer as opções de privacidade de cada plataforma. Mas é uma responsabilidade exclusiva dos usuários? Twitter reconhece que “é uma porcaria” na hora de enfrentar os assédios. No caso de Lindsey Stone, a jovem admite que não sabia como estavam configuradas suas opções de Facebook: a foto era pública, por que assim estava por default, mas nem ela nem sua amiga sabiam disso. “Pensei muito nisso estes meses. O Facebook funciona melhor e ganha mais dinheiro quando todo mundo compartilha as coisas”, diz no livro de Ronson, que calculou que a buscas relacionadas com Justine Sacco proporcionaram ao Google centenas de milhares de dólares de lucro. Todos somamos nosso grão de areia em cada humilhação pública, mas sem dúvida há uma responsabilidade compartilhada por estas empresas que são a areia onde acontecem esses linchamentos. Cada vez que acende a pira dos inquisidores 2.0, há uma conta de lucros crescendo no calor das chamas no Vale do Silício.

Monica Lewinsky resume isso perfeitamente, agora que acaba de romper um longo silêncio que durou 17 anos, nos quais esteve lutando para recuperar as rédeas de sua vida, depois de cometer um erro de juventude: apaixonar-se pela pessoa equivocada, ter uma aventura com o presidente Bill Clinton enquanto era estagiária na Casa Branca. No dia 19 de março realizou uma conferência comovedora e combativa na qual relatou o inferno que quase a levou ao suicídio enquanto os demais brincavam com vestidos manchados. Para ela, o horror aconteceu antes da era das redes sociais, mas graças a fóruns e e-mails foi vítima do cyberbulling antes mesmo da invenção do conceito. Lewinsky fala porque quer lutar contra esta “cultura da humilhação” que se instalou na sociedade. “A humilhação pública é uma mercadoria e a desonra, uma atividade econômica. Como se ganha dinheiro? Cliques. Quanto maior a humilhação, mais cliques. Quanto mais cliques, mais renda com publicidade. Estamos em um ciclo alarmante (...) e alguém está ganhando dinheiro com o sofrimento de outras pessoas”. Para que a “humilhação como esporte” desapareça, Lewinsky —licenciada em psicologia social pela London School of Economics— propõe compaixão e empatia, colocar-se no lugar da pessoa que recebe tuites e manchetes.

“É preciso fomentar o aprendizado digital, integrar seu uso em nossos valores, para gerar outras dinâmicas menos destrutivas”, sugere o sociólogo De Rivera. Os usuários das redes sociais devem ser conscientes de que por trás de cada perfil há uma pessoa que, por pior que tenha sido seu erro, pode sofrer as consequências fora do ambiente digital e por muito tempo depois do aqui e agora. Uma demonstração exemplar de empatia foi realizada pela historiadora britância Mary Beard, assediada online por suas palestras feministas. A princípio, submetia seus assediadores à ignomínia para lhes dar uma lição, aproveitando seus muitos seguidores nas redes. No entanto, mais tarde, compreendeu que isto poderia prejudicá-los pessoalmente e começou a realizar conversas privadas com eles e inclusive a escrever cartas de recomendação. “Embora seja muito tonto, imprudente e nesse momento não muito agradável, não acho que um tuíte deveria arruinar suas perspectivas de emprego”, explicava Beard sobre seu assediador. Uma verdadeira lição vital.

Depois de conversar com uma dezena de pessoas que passaram por esse tormento, o jornalista Jon Ronson compara suas impressões, depois de ter olhado para os olhos dos linchados, com as que o levaram a se tornar vegetariano: “Sentia falta dos filés, mas não conseguia esquecer o matadouro”.

As pessoas são as mesmas, online ou offline. Mas a internet tem a ver com respostas rápidas. As pessoas falam sem pensar. É diferente da experiência social offline, em que você se policia por conta da proximidade física do interlocutor. Nós já estamos acostumados com a ideia de que nosso comportamento obedece a regras sociais, mas ainda não percebemos que o mesmo vale na internet.

As redes sociais encorajam pessoas com posições extremas a se sentirem mais confiantes para expressá-las. Pessoas que se sentem impotentes ou frustradas se comportam desta maneira para se apresentarem como se tivessem mais poder. E as pessoas costumam se sentir mais poderosas tentando diminuir ou ofender alguém.

Seria ingênuo esperar que qualquer companhia, mesmo do tamanho do Facebook e do Twitter, seja capaz de monitorar e ajudar neste tipo de situação. E não dá para deixar só para as empresas aquilo que devemos ser responsáveis, nós mesmos. É importante que as pessoas entendam como funcionam as ferramentas e seus mecanismos para privacidade. Se a conclusão for que o Facebook não oferece o suficiente, que as pessoas se posicionem e reclamem: ''Não é suficiente''.


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Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


segunda-feira, 27 de abril de 2015

Tim Lopes: o arcanjo do jornalismo investigativo (Por Thiago Muniz)

Arcanjo Antonino Lopes do Nascimento nasceu em 18 de novembro de 1950, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, mas era carioca de coração. O filho de Maria do Carmo e Argemiro Lopes do Nascimento foi criado, desde os 8 anos, no Morro da Mangueira, Rio de Janeiro, junto com os irmãos Miro e Tânia Lopes. Teve dois filhos, Bruno, do primeiro casamento, e Diogo, do segundo. Deixou uma viúva, Alessandra Wagner, com quem viveu por dez anos.

Formado em jornalismo pela Faculdade Hélio Alonso, Tim Lopes começou a trabalhar como contínuo na revista Domingo Ilustrado, do jornalista Samuel Wainer. Ele contava que seu apelido fora dado pelo próprio dono no jornal, devido a sua semelhança com o cantor Tim Maia.

Ainda na década de 1970, trabalhou no extinto jornal O Repórter. Para uma matéria sobre as condições de trabalho nas obras do metrô do Rio, vestiu-se de operário. “Sempre procurei investigar, no fundo, a alma das pessoas”, afirmou certa vez. 

O repórter costumava entrar na pele dos entrevistados: passou-se por mendigo para retratar a realidade de meninos de rua em reportagem do Jornal do Brasil. Quando trabalhou no jornal O Dia, disfarçou-se de obreiro e sem-teto. Em uma das primeiras reportagens que fez na Globo, para o Fantástico, fantasiou-se de Papai Noel e ouviu crianças carentes sobre seus sonhos. Para realizar uma matéria sobre gangues de rua, se fez passar por vendedor de água de coco na Central do Brasil – e acabou gravando, com uma microcâmera escondida, a morte de um bandido.

Apesar de conhecer a fundo os personagens de suas matérias, para a maioria dos telespectadores brasileiros Tim Lopes não tinha rosto. O fato de ele se dedicar à produção jornalística, apurando os fatos, poupava-o de ficar na frente das câmeras. Somente assim o repórter era capaz de mostrar o que, muitas vezes, ninguém tinha coragem de denunciar.

Ganhou muitos prêmios em sua carreira, inclusive o Prêmio Esso, em 2001. Em 1985, ganhou o 11º Prêmio Abril de Jornalismo na categoria Atualidades, pela matéria Tricolor de Coração, publicada na revista Placar. No ano seguinte, foi novamente agraciado com o Prêmio Abril, desta vez pela matéria Amizade sem Limite.

Tim Lopes trabalhou cerca de dez anos no jornal O Globo. De meados da década de 1970 até o começo dos anos 1980, cobriu como poucos a cidade do Rio de Janeiro. Em 1986, entrou para o Jornal do Brasil, no qual permaneceu por cinco anos. Trabalhou também na sucursal carioca da Folha de S. Paulo e no jornal O Dia, quando realizou a reportagem Funk: Som, Alegria e Terror, que recebeu, em fevereiro de 1994, o Prêmio O Dia de Melhor Reportagem. Sua matéria investigava a exploração sexual de menores em bailes funk, tema que voltaria a abordar oito anos mais tarde, tragicamente, na apuração que o levaria à morte.

Tim Lopes começou a trabalhar na Globo em março de 1996, como produtor de reportagens do Fantástico. Realizou a série Hora da Verdade, na qual familiares de vítimas ficavam frente a frente com assassinos presos. “É um desafio. Relatar a violência a partir dos próprios personagens e por eles mesmos. Mostrar a dor, o sentimento de vingança, a resignação, o perdão. Falar do sentimento humano, da emoção. Colocar a vítima e seu algoz cara a cara num momento de catarse, sofrimento e alívio. Propiciar a sua hora da verdade”, declarou à época, a respeito do programa.

Após quatro meses de Fantástico, o repórter foi deslocado para a editoria Rio, na qual coordenou a equipe que realizou a série Feira das Drogas, exibida com grande destaque no Jornal Nacional. O trabalho, que recebeu o Prêmio Esso de Telejornalismo de 2001, denunciou a livre ação dos traficantes na Favela da Grota, no Complexo do Alemão, Rio de Janeiro.

“Tim era um apaixonado pelo jornalismo investigativo e se orgulhava dos resultados positivos de cada denúncia que fazia”, relembra o então diretor-geral de Jornalismo e Esportes, Carlos Henrique Schroeder. Sua última série de reportagens para a Globo revelou os maus-tratos em clínicas para recuperação de dependentes químicos. Para apurar a matéria, internou-se e viveu como um ex-viciado. “Tim trazia grandes histórias, tinha autonomia total para investigar. Ele mesmo as prospectava, era um cara muito experiente”, recorda-se o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional, William Bonner.

Dia 2 de junho de 2002, Tim Lopes deixou a redação da Globo para concluir uma apuração. Ele havia recebido denúncias de moradores do bairro da Penha, no Rio de Janeiro, sobre consumo de drogas e sexo explícito em bailes funks na favela Vila Cruzeiro. O jornalista estivera na região quatro vezes, duas delas com microcâmeras escondidas, para fazer gravações. Na quinta, não voltou para casa.

Na madrugada do dia 2 de junho de 2002, o jornalista Tim Lopes foi morto enquanto realizava uma reportagem sobre abuso sexual de menores e tráfico de drogas em um baile funk na favela da Vila Cruzeiro, no bairro da Penha, Rio de Janeiro. O repórter foi sequestrado, torturado e executado por traficantes liderados por Elias Pereira da Silva, o “Elias Maluco”. O crime chocou a população e foi encarado como um cerceamento à liberdade de imprensa.

Tim Lopes decidiu fazer a reportagem depois de receber denúncias de moradores da região. Os pais diziam que as filhas eram obrigadas por traficantes a participar de bailes funks. No ano anterior, o jornalista havia feito uma reportagem em favelas cariocas para denunciar a ação do tráfico de drogas nas comunidades.

Tim produziu três matérias especiais com a colaboração de Cristina Guimarães, Flávio Fachel, Tyndaro Menezes e Renata Lyra. Com o nome de Feira das Drogas, as reportagens mostravam a venda de maconha e cocaína, a céu aberto, na favela da Grota, nos morros da Mangueira e da Rocinha e nas ruas da Zona Sul do Rio. A série foi exibida pelo Jornal Nacional em agosto de 2001 e recebeu o Prêmio Esso de Telejornalismo e o Prêmio Líbero Badaró.

O Jornal Nacional cobriu o caso Tim Lopes, com os repórteres da editoria Rio – André Luiz Azevedo, Ari Peixoto, Arnaldo Duran, Eduardo Tchao, Vinícius Dônola, Lilia Telles e Edney Silvestre. Eles acompanharam as investigações da polícia e as buscas ao corpo do jornalista em morros do Rio. As reportagens apontavam para a existência de um poder paralelo que dominava as favelas cariocas.

A confirmação da morte de Tim Lopes veio após uma semana, com base nos depoimentos de cinco presos do bando de Elias Maluco, chefe do tráfico na favela. Segundo os envolvidos, o jornalista teria sido torturado, baleado e assassinado pelo próprio traficante. Como a polícia confirmou mais tarde, seu corpo foi esquartejado e queimado em pneus na Favela da Grota, no Complexo do Alemão. Mais de um mês depois, um exame de DNA comprovou que a ossada encontrada no cemitério clandestino da Grota era do repórter.

Tim Lopes foi velado em 7 de julho de 2002. Indignados, os jornalistas organizaram passeatas, clamando por justiça, além de homenagens em prol da memória do colega assassinado. “Com a mobilização de jornalistas, nas ruas, e as reportagens cobrando das autoridades a prisão dos algozes, nós conseguimos que todas as pessoas envolvidas com a morte do Tim fossem presas”, explica Ali Kamel. Nos meses que se seguiram, os setes acusados, incluindo Elias Maluco, foram capturados e condenados.

No dia 9 de junho, um domingo, a polícia concluiu que Tim Lopes fora executado por traficantes da favela da Vila Cruzeiro. No dia seguinte, o JN foi dedicado à memória do jornalista. Foram exibidos pequenos depoimentos de amigos do repórter, precedidos sempre da vinheta “O colega Tim”. Cerca de 25 minutos do noticiário doJN daquele dia foram dedicados ao assassinato de Tim Lopes. William Bonner encerrou o telejornal lendo um texto em que simulava uma conversa com o repórter assassinado: “Tim, você sabe que em dias tristes como o de hoje nós costumamos evitar o ‘boa noite’, deixando que o silêncio dos estúdios mostre toda a eloquência de nossa dor. Mas hoje decidimos fazer diferente.” O apresentador encerrou o telejornal com aplausos. Ao fundo, na redação, toda a equipe de preto, em pé, também aplaudiu.

Em 7 de agosto, a polícia encerrou o inquérito sobre a morte de Tim Lopes. Nove bandidos da quadrilha de Elias Maluco foram indiciados pelo crime. Os traficantes foram acusados de homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver. Dos nove, cinco estavam presos naquele momento, mas Elias Maluco permanecia em liberdade.

Nos três meses seguintes, o Jornal Nacional acompanhou a caçada da cúpula da segurança do Rio de Janeiro ao chefe do tráfico e mandante da morte de Tim Lopes. O telejornal produziu e apresentou 470 reportagens sobre o poder paralelo dos traficantes, num total de 17 horas e 20 minutos de informação.

A notícia da prisão de Elias Maluco, depois de uma operação policial na favela da Grota, foi dada pelo JN no dia 19 de setembro.

Tim Lopes foi homenageado diversas vezes. No dia em que se confirmou a sua morte, o Fantástico exibiu uma matéria especial relembrando a carreira do repórter. No dia seguinte, o Jornal Nacional teve uma edição especial, encerrada com uma nota da redação, lida por William Bonner, seguida de uma salva de palmas dos colegas. Seu nome batizou uma escola estadual no município fluminense de Paraíba do Sul e uma rua na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Em 2002, foi criado o Prêmio Tim Lopes de Jornalismo Investigativo, com o objetivo de estimular a imprensa a seguir cobrindo o abuso e a exploração sexual infantil – temas da matéria a que o repórter se dedicava quando perdeu a vida. No carnaval de 2003, a escola de samba Acadêmicos do Tucuruvi desfilou ao som de Não Calem Minha Voz, um samba enredo em sua homenagem, cujo refrão clamava pela verdade, “tim-tim por tim-tim”. Em 2012, seu filho, o jornalista Bruno Quintella, da TV Globo, dedicou-se à produção de um documentário sobre o pai, História de Arcanjo — um Documentário sobre Tim Lopes.

Tim Lopes sempre é lembrado com carinho pelos colegas de profissão, que carregam a missão de não deixar que sua morte seja em vão. “Antes do Tim Lopes, você se sentia como super-homem, achando que nada iria acontecer durante uma apuração”, pontua o repórter Roberto Kovalick. “Definitivamente, foi um divisor de águas, antes e depois do Tim”, reitera o jornalista Márcio Gomes.

A segurança das coberturas em favelas foi reforçada, mas a morte de Tim Lopes não calou a imprensa. A Globo continuou apurando os casos de violência, como explica o jornalista Luiz Cláudio Latgé: “Ninguém queria chegar à situação de não cobrir determinados fatos [em favelas]. Seria uma derrota parar de cobrir, e não aceitamos isso.” “Foi muito duro e, certamente, uma das maiores lições que aprendemos”, ressalta o Carlos Henrique Schroder.





BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.


domingo, 26 de abril de 2015

Afinal, como os banqueiros vêem o mundo? (Por Thiago Muniz)

"Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis."

(Mayer Amschel (Bauer) Rothschild)

"Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e comércio, e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão."

(James Garfield - presidente americano, 1881)

A recuperação europeia e a freada das economias emergentes, principais temas dos encontros do FMI e do Banco Mundial.

“Esta reunião marca o fim da crise europeia”, me disse Ángel Ubide, um respeitado economista que acompanha de perto a evolução da economia mundial. A reunião à qual se referia é realizada todos os anos em Washington. Ministros de Economia e banqueiros de todos os países convergem nos encontros do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Este fórum é um bom termômetro de como as pessoas com dinheiro estão vendo a situação econômica do planeta.

Houve várias surpresas nesta reunião. A primeira é a recuperação europeia. O consenso é que a economia da zona do euro vai crescer 2% este ano, graças a um euro mais barato que tem estimulado as exportações, à ampla injeção de liquidez monetária feita pelo Banco Central Europeu e à queda dos preços do petróleo. Mas, o mais importante, é que o temor de um colapso econômico da zona do euro desapareceu da mente de investidores, banqueiros e empresários.

Com isso, segundo um estudo da consultoria A. T. Kearney, dos 25 destinos preferidos por empresas para seus investimentos em todo o mundo, 15 estão na Europa. Essa perspectiva otimista contrasta com duas realidades. A primeira é que, para muitos europeus, essa recuperação é invisível, intangível e irrelevante.

O alto nível de desemprego (a média europeia é de 11%) e os dolorosos cortes de orçamento fazem com que muitos tenham dificuldade em acreditar que a recuperação econômica esteja em curso.

A segunda realidade é a Grécia. Vai se dar mal. E, ainda que sua crise seja traumática e afete a Europa, poucos ainda acreditam que o colapso da Grécia e sua eventual saída da zona do euro levem ao fracasso do projeto europeu.

A Europa não é a única região com boas notícias. Os Estados Unidos crescem a uma taxa de 3%, a Índia a 7,5% e este ano o Japão colocará um fim a décadas de estagnação. E, apesar de estar marcada por crises humanitárias, conflitos armados e instabilidade política, a África subsaariana também terá um desempenho econômico superior à média mundial em 2015.

A economia chinesa, por sua vez, desacelera. Em 2014, teve o menor ritmo de crescimento em 24 anos. O trimestre passado foi o pior em seis anos. O gigante asiático enfrenta uma complexa transição de um modelo de crescimento apoiado nas exportações, no crédito fácil e na abundância financeira e fiscal, para um esquema que aposta mais no investimento e no mercado interno.

Mas a China não é o único dos mercados emergentes que causa preocupação. A Rússia terá um ano muito ruim. A desvalorização das cotações do petróleo, as sanções internacionais devido as suas agressões bélicas e a fuga generalizada de capitais, causada pela profunda desconfiança em Vladimir Putin e em sua equipe, paralisaram a economia.

Outro grande país emergente que de uma esperança passou a ser visto como um mau exemplo é o Brasil. O legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (muito crédito, muito consumo, muitos benefícios e pouco investimento), combinado com as desastrosas políticas econômicas de Dilma Rousseff em seu primeiro mandato, chegou ao resultado inevitável: um doloroso ajuste econômico que será pago desproporcionalmente pelos mais pobres.

No geral, a América Latina será afetada pela queda dos preços de matérias-primas que exporta, embora os países fragilizados pelas políticas ruins — Venezuela, Argentina e Brasil — sofrerão mais do que o resto.

Uma das surpresas é a importância macroeconômica — e global — adquirida pela corrupção. Obviamente, a corrupção não é nenhum pouco nova. Mas, sim, sua magnitude, maior visibilidade e consequências globais, da China ao Chile.

Na China, a luta contra a corrupção é — juntamente com a desaceleração da economia — um tema central. O presidente Xi Jinping lidera uma limpeza de funcionários, políticos e empresários acusados de corrupção. Já existem mais de 80.000 processados e outros 100.000 estão sendo investigados. No Brasil, um gigantesco desvio de dinheiro público também está sacudindo o Governo. Aécio Neves, o rival de Dilma Rousseff nas recentes eleições presidenciais, atreveu-se a declarar que a presidenta ganhou a reeleição graças ao crime organizado e que sua legenda, o Partido dos Trabalhadores, usou dinheiro roubado na campanha.

Também são notórias as oligarquias que acumularam fortunas graças ao constante e suspeito apoio que recebem dos governantes da Rússia, Argentina e Venezuela, só para mencionar alguns exemplos. Recentemente nos surpreendeu que, até mesmo o Chile, um país que historicamente não havia enfrentado os níveis de corrupção comuns em sua região, tenha sido sacudido por escândalos que atingem líderes políticos da oposição e a própria presidenta, Michelle Bachelet. É assim. A corrupção não é nem um pouco nova. Mas, quando chega a afetar o desempenho macroeconômico de um país, significa que alcançou dimensões que surpreendem até os banqueiros.

A Bloomberg Markets Magazine divulgou a lista das 50 pessoas mais influentes do mundo, segundo sua avaliação. A relação é dividida em cinco categorias. O destaque fica para André Esteves, fundador do BTG Pactual. Único brasileiro da lista, Esteves foi apontado como um dos mais influentes banqueiros do mundo.

Veja, a seguir, a lista dos dez financistas mais poderosos do planeta, segundo a revista da Bloomberg.

Lloyd Blankfein, CEO do Goldman Sachs

A revista destaca a boa aceitação do mercado às medidas adotadas por Blankfein para reconduzir o Goldman Sachs ao caminho da tranquilidade. Entre elas, estão os cortes de custo e de pessoal. Segundo a revista, um dos méritos do executivo é, justamente, manter o Goldman Sachs fora das manchetes.

Emílio Botin, presidente do conselho do Santander

Para estar entre os banqueiros mais influentes do mundo, Emílio Botin se destacou por fazer um banco espanhol crescer, apesar de todos os problemas de sua terra-natal. O segredo? Segundo a Bloomberg, é simples: mais da metade dos lucros vem de outros países onde o Santander opera.

Jamie Dimon, CEO do JP Morgan Chase

Após ver o banco perder quase 6 bilhões de dólares e ter sua confiança minada, Dimon recuperou o fôlego e fez o JP Morgan Chase lucrar mais cerca de 10 bilhões de dólares no primeiro semestre.

Isabelle Ealet, Diretora de securitização do Goldman Sachs


Isabelle Ealet, francesa de 49 anos, entrou para o ranking da Bloomberg pela responsabilidade que lhe cabe: supervisionar a área que gera 60% das receitas do Goldman Sachs.

André Esteves, fundador do BTG Pactual

Único brasileiro na lista das 50 pessoas mais influentes da Bloomberg Magazine, André Esteves é apontado pela revista como o criador de uma potência latino-americana, capaz de desafiar os combalidos rivais americanos e os mastodontes europeus – segundo palavras do próprio Esteves.

Anshu Jain, co-presidente do Deutsche Bank

Anshu Jain tornou-se co-presidente do Deutsche Bank no início de junho. Seus planos ainda devem ser detalhados nos próximos meses. Por enquanto, o banqueiro tem investido na redução de pessoal: deve cortar 1.900 pessoas até dezembro, das quais, 1.500 no banco de investimentos, que ele próprio administrava até a promoção.

Jiang Jianqing, presidente do conselho do Industrial & Commercial Bank of China

Para entrar na lista dos mais influentes da Bloomberg, não bastou Jian Jianqing dirigir o maior banco da China. Pesou a seu favor, também, o agressivo plano de internacionalização da instituição, que vem comprando rivais da Ásia até as Américas, passando pela África.

Gerald McCaughey, presidente do Canadian Imperial Bank of Commerce

O principal destaque de McCaughey é a redução do banco ao risco. De acordo com o ranking da Bloomberg Magazine, o banco canadense é um dos mais fortes do mundo, justamente por não se arriscar tanto.

Ruth Porat, diretora financeira do Morgan Stanley

Ruth Porat entrou para o ranking da Bloomberg Magazine por conduzir uma tarefa espinhosa: desarmar a avaliação do mercado de que o Morgan Stanley tem papéis de dívida mais arriscados que o da concorrência. Suas principais medidas, até agora, foram elevar os fundos do banco, melhorar a liquidez e eliminar os commercial papers.

John Stumpf, presidente do Wells Fargo

John Stumpf conquistou seu lugar na lista ao transformar o Wells Fargo no maior banco dos Estados Unidos em valor de mercado. A receita para tanto foi traçar uma estratégia para dobrar os recursos administrados pela instituição.

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Na edição de 2012 de Occupy Money que saiu na semana passada, a professora Margrit Kennedy escreve que uns espantosos 35% a 40% de tudo o que compramos vai para juros. Estes juros vão para banqueiros, financeiros e detentores de títulos, os quais ficam com 35% a 40% do nosso PIB. Isso ajuda a explicar como a riqueza é sistematicamente transferida do homem comum para a Wall Street. Os ricos ficam progressivamente mais ricos a expensas dos pobres, não por causa da "cobiça da Wall Street" mas sim por causa da matemática inexorável do nosso sistema bancário privado. 

Este tributo oculto aos bancos será uma surpresa para grande parte das pessoas. Muitas delas pensam que se pagarem os seus cartões de crédito a tempo e não contraírem empréstimos não estarão a pagar juros. Isto, afirma a Dra. Kennedy, não é verdade. Comerciantes, fornecedores, grossistas e retalhistas, todos eles, ao longo da cadeia de produção, dependem do crédito para pagarem as suas contas.

Eles têm de pagar pelo trabalho e pelos materiais antes de terem um produto para vender e antes de o comprador final pagar pelo produto 90 dias depois. Cada fornecedor na cadeia acrescenta juros aos seus custos de produção, os quais são transferidos para o consumidor final. A Dra. Kennedy menciona encargos de juros que rondam os 12% para a colecta de lixo, os 38% para a água de beber, os 77% para o arrendamento de habitação pública na sua Alemanha nativa.

Seus números são extraídos da investigação do economista Helmut Creutz, escritos em alemão e decifrando publicações do Bundesbank. Eles aplicam-se a despesas de famílias alemãs para bens e serviços de uso diário em 2006, mas números semelhantes encontram-se nos lucros do sector financeiro nos Estados Unidos, onde compreenderam uns colossais 40% dos lucros dos negócios estado-unidenses em 2006 . Isso foi cinco vezes os 7% feitos pelo sector bancário em 1980. Activos de bancos, lucros financeiros, juros e dívida têm estado a crescer exponencialmente.

O crescimento exponencial dos lucros no sector financeiro verificou-se a expensas dos sectores não financeiros, onde o rendimento na melhor das hipóteses cresceu linearmente.

Em 2010, 1% da população possuía 42% da riqueza financeira , ao passo que 80% da população possuía apenas 5% da riqueza financeira. A Dra. Kennedy observa que os 80% da base paga o encargos dos juros ocultos que os 10% do topo arrecadam, tornando o juro um imposto fortemente recessivo que os pobres pagam aos ricos.

O crescimento exponencial é insustentável. Na natureza, o crescimento sustentável progride numa curva logarítmica que cresce cada vez mais vagarosamente até parar de crescer (a linha vermelha no primeiro gráfico acima). O crescimento exponencial é o reverso: começa vagarosamente e aumenta ao longo do tempo, até que a curva passa a subir verticalmente (o gráfico abaixo). O crescimento exponencial é considerado em parasitas, cancros e ... juros compostos. Quando o parasita esgota a sua fonte de alimentação, a curva de crescimento entra em colapso súbito.

As pessoas geralmente supõem que se pagarem as suas contas dentro do prazo não estarão a pagar juros compostos mas, mais uma vez, isto não é verdade. O juro composto está incorporado na fórmula da maior parte das hipotecas , as quais compreendem 80% dos empréstimos nos EUA. E se os cartões de crédito não forem pagos dentro do período de graça de um mês, os encargos de juros são compostos diariamente.

Mesmo que pague dentro do período de graça, o dono do cartão está a pagar 2% a 3% pela utilização do cartão , uma vez que os comerciantes transferem seus encargos mercantis para o consumidor. Os cartões de débito, o quais equivalem a cheques, também envolvem encargos. O Visa-MasterCard e os bancos em ambos os extremos destas transacções cobram uma comissão média de 44 centavos por transação – embora o custo para eles seja cerca de quatro centavos.

Como recapturar os juros: possuir o banco

As implicações de tudo isto são espantosas. Se tivéssemos um sistema financeiro que devolvesse o juro arrecadado do público directamente para o público, poderia ser removido 35% do preço de tudo o que compramos. Isso significa que poderíamos comprar três ítens pelo preço actual de dois e que nossos cheques de pagamento poderiam ir 50% mais além do que vão hoje.

O reembolso direto para o povo é um sistema difícil de realizar, mas há um modo pelo qual poderíamos recuperar colectivamente os juros pagos a bancos. Poderíamos fazer isto transformando os bancos em serviços de utilidade pública e os seus lucros em activos públicos. Os lucros retornariam ao público, ou pela redução de impostos ou pelo aumento da disponibilidade de serviços públicos e infraestrutura. 

Ao tomarem emprestado dos seus próprios bancos de propriedade pública, os governos poderiam ao mesmo tempo eliminar o seu fardo de juros. Isto foi demonstrado alhures com resultados excelentes, incluindo entre outros países o Canadá , a Austrália e a Argentina .

Em 2011, o governo federal dos EUA pagou US$454 mil milhões em juros sobre a dívida federal [NT] – aproximadamente um terço do total de US$1100 mil milhões pagos em impostos sobre o rendimento pessoal naquele ano. Se o governo tivesse estado a tomar emprestado directamente do Federal Reserve – o qual tem poder para criar crédito na sua contabilidade e agora transfere seus lucros directamente para o governo – os impostos sobre o rendimento pessoal poderiam ser cortados em um terço.

Tomar emprestado do seu próprio banco central sem juros pode até permitir, ao mesmo tempo, que um governo elimine a sua dívida nacional. Em Money and Sustainability: The Missing Link (na pg. 126), Bernard Lietaer e Christian Asperger, et al., menciona o exemplo da França entre 1946 e 1973. A lei então mudou, proibindo esta prática e exigindo ao Tesouro que, ao invés, tomasse emprestado do sector privado. Os autores incluem um gráfico mostrando o que teria acontecido se o governo francês houvesse continuado a tomar emprestado sem juros versus o que aconteceu. Ao invés de cair de 21% para 8,6% do PIB, a dívida disparou de 21% para 78% do PIB.

"Neste caso não de pode culpar nenhum governo perdulário", escrevem os autores. "Os juros compostos explicam tudo!"

Islândia: O país que disse não aos banqueiros

Não pode pagar, não vai pagar; O ‘não’ em alto e bom som da Islândia

Pela segunda vez, o povo da Islândia votou por não pagar as dívidas internacionais causadas pelos bancos, e banqueiros, pelas quais toda a ilha está sendo responsabilizada. Com a presente turbulência nas capitais europeias, poderia ser este o caminho a seguir pelas outras economias?

A pequena ilha da Islândia tem lições para dar ao mundo. Ela realizou um referendo em abril para decidir, mais ou menos, se as pessoas comuns deveriam pagar pela folia dos banqueiros (e por extensão, se os governos podem controlar o setor corporativo, já que suas finanças dependem dele). Sessenta por cento da população rejeitaram um acordo negociado entre a Islândia, a Holanda e o Reino Unido para pagar de volta aos governos britânico e holandês o dinheiro que gastaram para compensar correntistas do banco Icesave, que faliu. Houve menos resistência do que no primeiro referendo, na primavera passada [N.T. no Brasil, outono], quando 93% votaram não.

O referendo foi significativo, uma vez que os governos europeus, pressionados por especuladores, o FMI e a Comissão Europeia, estão impondo políticas de austeridade, as quais não foram votadas por seus cidadãos. Mesmo os devotos da desregulamentação estão preocupados com o grau de servidão que o mundo ocidental tem para com instituições financeiras que não sofrem qualquer constrangimento. Após o referendo islandês, mesmo o Financial Times, que é liberal, noticiou com ares de aprovação, em 13 de abril, ter sido possível “colocar os cidadãos em primeiro lugar, ao invés dos bancos”, uma ideia que não encontra ressonância entre os líderes políticos europeus.

A Islândia é um exemplo excepcionalmente puro da dinâmica que bloqueou a regulamentação e causou a fragilidade financeira no mundo desenvolvido por 20 anos. Em 2007, pouco antes da crise financeira, a renda média da Islândia foi a quinta mais alta do mundo, 60% acima dos níveis dos EUA; lojas de Reykjavik foram recheadas com produtos de luxo, seus restaurantes fizeram Londres parecer barata, e SUVs sufocaram suas ruas estreitas. Os islandeses foram as pessoas mais felizes do mundo de acordo com um estudo internacional realizado em 2006. Grande parte deste fenômeno residiu no crescimento super-rápido de três bancos islandeses, que saltaram de instituições de pequeno porte em 1998 para estar entre os 300 maiores bancos do mundo, oito anos depois, aumentando os seus ativos de 100% do PIB em 2000 para quase 800% em 2007 – uma proporção superada apenas pela Suiça.

A crise chegou em setembro de 2008, quando os mercados monetários foram tomados após o colapso do Lehman. Em uma semana, três grandes bancos da Islândia entraram em colapso e se tornaram propriedade pública. A agência de classificação Moody’s agora lista-os entre os 11 maiores colapsos financeiros da história.

A caminho da modernização

Depois de mais de 600 anos de dominação estrangeira, a estrutura social da Islândia era a mais feudal de todos os países nórdicos no início do século 20. A pesca dominava a economia, gerando a maior parte dos ganhos em moeda estrangeira e permitindo o desenvolvimento de um setor comercial baseado em importação. Isso viabilizou atividades econômicas urbanas: construção, serviços, indústria leve. Após a Segunda Guerra Mundial, a economia cresceu fortemente, por causa da ajuda do Plano Marshall (havia na Islândia uma grande base militar dos EUA-OTAN); de um produto de exportação abundante, peixes de água fria, raramente abençoado com alta elasticidade-renda da demanda; e de uma pequena população, alfabetizada, com um forte senso de identidade nacional.

Conforme a Islândia tornou-se mais próspera, ela estabeleceu um estado de bem-estar social, de acordo com o modelo escandinavo, financiado por impostos, e pela década de 1980 havia atingido um nível e uma distribuição de renda iguais à média nórdica. No entanto, manteve-se tanto mais regulada quanto mais dominada por clientelismo do que seus vizinhos europeus; um oligopólio local restringiu o panorama político e econômico.

Há uma linha de descendência direta entre as estruturas de poder quase-feudais do século XIX e o capitalismo islandês modernizado do final do século XX, quando um bloco de 14 famílias, popularmente conhecido como “O Polvo”, constituía a elite econômica e política dominante. “O Polvo” controlava as importações, transportes, bancos, seguros, pesca e suprimentos para a base da OTAN, e fornecia a maioria dos políticos de primeiro escalão. As famílias viviam como chefes de clãs.

“O Polvo” controlava o Partido da Independência (IP), de direita, que dominou a mídia e decidiu sobre nomeações de altos funcionários no serviço civil, policial e judicial. Os bancos estatais locais foram efetivamente comandados pelos partidos dominantes, o IP e o Partido do Centro ou CP. Pessoas comuns tinham que passar por funcionários do partido para obter empréstimos para comprar um carro, ou para comprar moeda estrangeira para viajar para o exterior. As redes de poder operavam como teias de bullying, servilismo e desconfiança, impregnadas de uma cultura machista, algo como a antiga União Soviética.

Esta ordem tradicional foi desafiada a partir de dentro por uma facção neoliberal, o grupo “Locomotiva”, que se uniu no início da década de 1970, após estudantes de administração e direito da Universidade da Islândia tomarem um jornal, A Locomotiva, e promoverem idéias de livre mercado. O objetivo deles não era apenas transformar a sociedade, mas também abrir oportunidades de carreira para si mesmos, ao invés de esperar pelo patrocínio do “Polvo”. No final da guerra fria, a posição do “Locomotiva” foi reforçada material e ideologicamente, conforme os comunistas e os social-democratas perdiam o apoio popular. O futuro primeiro-ministro do IP, David Oddsson, era um membro proeminente.

Oddsson, nascido em 1948 em uma família de classe média, foi eleito vereador pelo IP para o conselho municipal de Reykjavik, em 1974; por volta de 1982, ele foi prefeito de Reykjavik, conduzindo campanhas de privatização, incluindo a venda da indústria municipal de pesca, para o benefício de membros do grupo “Locomotiva”. Em 1991, ele liderou o IP para a vitória na eleição geral, e reinou (não, não é uma palavra muito forte) como primeiro-ministro por 14 anos, supervisionando o crescimento do setor financeiro, antes de instalar-se como diretor do Banco Central, em 2004.

Ele tinha pouca experiência ou interesse no mundo além da Islândia. Seu protégé no grupo “Locomotiva”, Geir Haarde, ministro da Fazenda de 1998 a 2005, assumiu como primeiro-ministro pouco depois. Estes dois homens foram diretamente responsáveis por realizar o grande experimento da Islândia para criar um centro financeiro internacional no Atlântico Norte, no meio do caminho entre a Europa e os Estados Unidos.

A Islândia liberaliza

A liberalização da economia começou em 1994 quando, aderindo ao Espaço Econômico Europeu, o bloco de livre comércio dos países da UE, mais a Islândia, Lichtenstein e Noruega, suspenderam as restrições sobre os fluxos transfronteiriços de capitais, mercadorias, serviços e pessoas. O governo Oddsson, em seguida, vendeu ativos estatais e desregulamentou as leis trabalhistas. A privatização começou em 1998, implementada por Oddsson e Halldór Ásgrímsson, o líder do CP. Quanto aos bancos, o Landsbanki foi entregue a grandes nomes do IP; o Kaupthing, a seus equivalentes no CP, seu parceiro de coligação; licitantes estrangeiros foram excluídos. Mais tarde, o Glitnir, um banco privado formado a partir da fusão de vários outros menores, juntou-se à liga.

Assim, a Islândia rugiu nas finanças internacionais ajudada, globalmente, pelo crédito barato e abundante, e a livre mobilidade do capital; e, internamente, por um forte apoio político aos bancos. Os novos bancos fundiram banco de investimento com banco comercial, de modo que ambos compartilhavam garantias do governo. E o país tinha uma dívida soberana baixa, o que garantiu aos bancos notas altas das agências internacionais de classificação de risco. Os principais acionistas do Landsbanki, do Kaupthing, do Glitnir e seus spin-offs inverteram a dominação da política sobre as finanças, antes vigente: as políticas do governo eram agora subordinadas aos interesses das finanças.

Oddsson e seus amigos relaxaram as regras estatais de hipoteca, permitindo empréstimos de 90%. Os bancos recentemente privatizados correram para oferecer condições ainda mais generosas. O imposto de renda e as taxas de VAT [‘imposto sobre valor agregado’, IVA] foram reduzidos para transformar a Islândia em um centro financeiro internacional com baixos impostos. A dinâmica da bolha tomou seu lugar. Gestores urbanos buscaram mudar a trajetória de Reykjavik, de uma cidade comum, para uma cidade do mundo (apesar de sua pequena população de 110 mil habitantes) e aprovaram vários novos e grandiosos edifícios públicos e privados, dizendo: “Se Dubai pode, por que não Reykjavik?”

A nova elite bancária da Islândia tinha a intenção de expandir seu controle sobre a economia, competindo e cooperando uns com os outros. Usando suas ações como garantia, alguns assumiram grandes empréstimos de seus próprios bancos, e compraram mais ações dos mesmos bancos, inflando os preços das ações. Funcionava assim: o Banco A emprestava aos acionistas do Banco B, que compravam mais ações do B usando ações como garantia, elevando o valor das ações de B. O Banco B retornava o favor. Os preços das ações dos dois bancos subiam, sem que qualquer dinheiro novo entrasse no esquema. Os bancos não tornaram-se apenas maiores: eles cresceram mais e mais interligados. Vários negócios deste tipo estão agora sob investigação criminal por um promotor especial, como casos de manipulação do mercado.

A pequena Islândia logo conseguiu entrar na liga dos grandes bancos, com três bancos entre os 300 maiores do mundo até 2006. A superabundância de crédito permitiu que as pessoas consumissem, em uma celebração extravagante de sua fuga das décadas anteriores, de racionamento de crédito (que por sua vez repousava em outra fuga, a da dominação estrangeira, tão recentemente quanto 1944). No fim das contas, os islandeses se viam como totalmente independentes, o que pode explicar sua classificação no ranking da felicidade. Os proprietários e gerentes remuneravam-se em uma escala cada vez maior. Quanto mais ricos se tornassem, mais atraíram o apoio político.

Seus jatos particulares, rugindo para dentro e fora do aeroporto de Reykjavik, pareciam ser uma prova visual e auditiva para a população que os via de baixo, parte admirando-os, parte invejando-os. A desigualdade de renda e riqueza cresceu, ajudada por políticas governamentais que aumentaram a carga tributária da população mais pobre. Os banqueiros fizeram grandes contribuições financeiras para os partidos do governo e empréstimos gigantescos para políticos-chave. O principal porta-voz islandês da economia de livre mercado declarou ao The Wall Street Journal: “O experimento Oddsson com as políticas liberais é a maior história de sucesso no mundo”.

Na euforia, os perigos de uma estratégia de “crescimento econômico baseado em vasto endividamento externo” foram ignorados. Os islandeses viveram o ditado de Plauto, dramaturgo romano do terceiro século a.C., que fez um de seus personagens declarar: “Eu sou um homem rico, enquanto eu não pagar meus credores.”

A mini-crise de 2006

Em 2006, havia preocupações na imprensa financeira sobre a estabilidade dos grandes bancos, que estavam começando a ter problemas em captar recursos nos mercados monetários (dos quais seu modelo de negócio dependia). O déficit em conta corrente da Islândia havia disparado, de 5% do PIB em 2003, para 20% em 2006, um dos mais altos do mundo. O mercado de ações multiplicou-se nove vezes entre 2001 e 2007.

O Landsbanki, o Glitnir e o Kaupthing estavam operando muito além da capacidade do Banco Central da Islândia de apoiá-los como garantidor de último recurso; suas responsabilidades eram reais, mas muitos de seus ativos foram duvidosos. Em fevereiro de 2006, a agência de classificação Fitch rebaixou as perspectivas da Islândia de estável para negativa e desencadeou a “mini-crise” de 2006: a krona [N.T. ‘coroa islandesa’, moeda corrente da Islândia] caiu drasticamente, o valor dos passivos dos bancos em moeda estrangeira subiu, o mercado de ações caiu, a insolvência aumentou, e a sustentabilidade de dívidas em moeda estrangeira tornou-se um problema público. O banco Danske de Copenhagen descreveu a Islândia como uma “economia geyser”, a ponto de explodir (5).

Os banqueiros e os políticos islandeses desprezaram a crise. O Banco Central da Islândia pegou um empréstimo para dobrar as reservas cambiais, enquanto a Câmara de Comércio, administrada por representantes do Landsbanki, do Kaupthing, do Glitnir e seus spin-offs, respondeu com uma campanha de relações públicas. Ela pagou ao economista monetário americano Frederic Mishkin U$135.000 para emprestar seu nome a um relatório atestando a estabilidade dos bancos da Islândia.

Supostamente pagou ao economista Richard Portes £58.000 (U$95.000), da London Business School, para fazer o mesmo por um relatório mais tarde. Em 2007, o economista pelo lado da oferta, Arthur Laffer, assegurou à comunidade empresarial islandesa que o crescimento econômico rápido, com um grande déficit comercial e o crescimento da dívida externa eram sinais de sucesso: “A Islândia deve ser um modelo para o mundo”. O valor dos “ativos” dos bancos era, então, cerca de oito vezes maior que o PIB da Islândia.

Nas eleições de maio de 2007, a Aliança Social Democrática (SDA) entrou em um governo de coalizão com o IP, ainda dominante. Para o constrangimento de muitos dos apoiadores da SDA, líderes do partido abandonaram suas promessas pré-eleitorais e endossaram a contínua expansão do setor financeiro.

Apesar de terem sobrevivido a 2006, o Landsbanki, o Glitnir e o Kaupthing tinham dificuldades em levantar dinheiro para financiar suas compras de ativos e pagar as dívidas existentes, em grande parte denominadas em moedas estrangeiras. Então, o Landsbanki criou algo novo com o Icesave, um serviço online que visava ganhar depósitos de poupança em varejo, oferecendo taxas de juros mais atraentes do que os bancos tradicionais.

Fundado na Inglaterra em outubro de 2006, e na Holanda 18 meses depois, o Icesave chamou a atenção de sites de finanças, especializados em ofertas pela internet, e logo foi inundado com depósitos. Milhões de libras vieram da Universidade de Cambridge, da Autoridade Geral da Polícia Metropolitana de Londres, e mesmo da Comissão de Auditoria do Reino Unido, responsável pela supervisão de fundos do governo local, bem como dos 300 mil depositantes do Icesave só no Reino Unido.

As entidades do Icesave foram legalmente estabelecidas como filiais, ao invés de subsidiárias, então elas estavam sob a supervisão de autoridades islandesas, ao invés daquelas dos países onde se instalavam. Ninguém percebeu que a agência reguladora islandesa tinha uma equipe total, incluindo recepcionista, de apenas 45 pessoas, e que sofreu uma alta rotatividade já que muitos passaram a trabalhar para os bancos, que ofereciam melhor remuneração.

Ninguém se importava com isso, já que de acordo com as obrigações da Islândia como membro do Fundo de Garantia de Depósito do Espaço Econômico Europeu, a sua população de 320.000 seria responsável pela indenização dos depositantes no exterior em caso de falha. Acionistas do Landsbanki colheram os lucros de curto prazo enquanto a maioria dos islandeses não sabia absolutamente nada sobre o Icesave.

Cartas de amor

A segunda “solução” para as dificuldades em levantar novos fundos foi uma maneira de obter mais acesso à liquidez sem oferecer ativos reais como garantia. Os Três Grandes venderam títulos da dívida a um banco regional menor, o que levou estes títulos ao Banco Central, e tomavam empréstimos contra eles, sem ter que fornecer garantias adicionais; eles então emprestavam de volta para o banco em questão. Os títulos foram chamados de “cartas de amor” — meras promessas. Ao participar deste jogo e aceitando como garantia reclamações sobre outros bancos islandeses, o Banco Central foi conivente na estratégia dos bancos de jogar para conseguir a ressurreição.

Então os bancos internacionalizaram o processo: os Três Grandes abriram subsidiárias com sede em Luxemburgo e venderam cartas de amor para elas [as subsidiárias]. As subsidiárias vendiam por sua vez ao Banco Central de Luxemburgo ou ao Banco Central Europeu e recebiam dinheiro vivo em troca, que poderiam passar de volta para o banco-sede na Islândia ou usar elas mesmas. A Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula que apenas as cartas de amor domésticas, entre o Banco Central da Islândia e os bancos islandeses, causou prejuízos ao BCI e ao Tesouro de 13% do PIB (OECD Economic Surveys: Islândia, junho de 2011).

Colapso financeiro

Os bancos islandeses desabaram duas semanas depois do Lehman Brothers. Em 29 de setembro de 2008, o Glitnir aproximou-se de Oddsson no Banco Central para ajudar no combate ao problema de liquidez que estava a caminho. Para restaurar a confiança, Oddsson instruiu o Banco Central a comprar 75% das ações do Glitnir. O resultado disso não impulsionou o Glitnir, mas, ao contrário, minou a confiança na Islândia.

A classificação de risco do país afundou, e linhas de crédito foram retiradas do Landsbanki e do Kaupthing. Deu-se início a uma corrida às agências do Icesave no exterior. Oddsson adiantou-se, em 7 de outubro de 2008, e buscou indexar a krona [coroa islandesa] a uma cesta de moedas com um valor próximo ao período pré-crise. Com a moeda caindo e na ausência de controles de capital, as reservas cambiais foram exauridas: a indexação durou só algumas horas, tempo suficiente apenas para que aqueles a par da situação trocassem suas kronas por outras moedas com uma taxa muito mais favorável.

Fontes internas indicam que bilhões deixaram a moeda nessas horas. Em seguida, a krona flutuou, e afundou. Em 8 de outubro, o então primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, congelou os ativos do Landsbanki no Reino Unido com o apoio legal das leis anti-terrorismo. O mercado de ações, títulos bancários, valores imobiliários e o rendimento médio entraram em queda-livre.

O FMI chegou a Reykjavik em outubro de 2008 para preparar um programa de gestão de crise. Esta foi a primeira vez que o FMI havia sido chamado para resgatar uma economia desenvolvida desde a Grã-Bretanha, em 1976. Ele ofereceu um empréstimo condicional de 2,1 bilhões de dólares para estabilizar a krona e apoiou as demandas dos governos britânico e holandês de que a Islândia deveria honrar suas obrigações junto ao Fundo de Garantia de Depósito Europeu e recompensá-los por suas operações de resgate aos depositantes do Icesave.

A população normalmente calma da Islândia entrou em erupção em um irado movimento de protesto, dirigido principalmente contra Haarde, Oddsson e IP, embora a ministra das relações exteriores Ingibjörg Gísladóttir, da SDA, também tenha sido foi considerada culpada. Milhares de pessoas reunidas na principal praça de Reykjavik – nas tardes congelantes de sábado entre outubro de 2008 e janeiro de 2009 – bateram panelas e abraçaram o edifício do parlamento para exigir a renúncia do governo, e alvejaram o prédio com comida.

Em janeiro de 2009, a coalizão IP-SDA se rompeu. Até agora, a Islândia é o único país a ter mudado claramente para a esquerda após a crise financeira. Um governo interino SDA-LGM (Social Democratas-Movimento Verde de Esquerda) foi formado em janeiro de 2009 para conduzir o país até as eleições em abril. Nas eleições, as cadeiras do IP foram reduzidas a 16. Apesar do favorecimento esmagador do sistema eleitoral em seu favor, este foi o pior resultado do IP desde a sua formação em 1929.

A ciência pode confirmar os piores temores dos manifestantes contra o poder financeiro que varrem o mundo esta semana. Uma análise das relações entre 43 mil empresas transnacionais identificou um grupo relativamente pequeno de empresas , principalmente bancos, com poder desproporcional sobre a economia global.

"A realidade é tão complexa, devemos afastar-nos dos dogmas quer tratem isso como teorias conspiratórias e de livre mercado", diz James Glattfelder . "Nossa análise é baseada na realidade."

O top 50 das 147 super-empresas que "controlam" o mundo

1. Barclays plc
2. Capital Group Companies Inc
3. FMR Corporation
4. AXA
5. State Street Corporation
6. JP Morgan Chase & Co
7. Legal & General Group plc
8. Vanguard Group Inc
9. UBS AG
10. Merrill Lynch & Co Inc
11. Wellington Management Co LLP
12. Deutsche Bank AG
13. Franklin Resources Inc
14. Credit Suisse Group
15. Walton Enterprises LLC
16. Bank of New York Mellon Corp
17. Natixis
18. Goldman Sachs Group Inc
19. T Rowe Price Group Inc
20. Legg Mason Inc
21. Morgan Stanley
22. Mitsubishi UFJ Financial Group Inc
23. Northern Trust Corporation
24. Société Générale
25. Bank of America Corporation
26. Lloyds TSB Group plc
27. Invesco plc
28. Allianz SE 29. TIAA
30. Old Mutual Public Limited Company
31. Aviva plc
32. Schroders plc
33. Dodge & Cox
34. Lehman Brothers Holdings Inc*
35. Sun Life Financial Inc
36. Standard Life plc
37. CNCE
38. Nomura Holdings Inc
39. The Depository Trust Company
40. Massachusetts Mutual Life Insurance
41. ING Groep NV
42. Brandes Investment Partners LP
43. Unicredito Italiano SPA
44. Deposit Insurance Corporation of Japan
45. Vereniging Aegon
46. BNP Paribas
47. Affiliated Managers Group Inc
48. Resona Holdings Inc
49. Capital Group International Inc
50. China Petrochemical Group Company

Banqueiros Sionistas: Os Donos do Mundo

Os Banqueiros Internacionais Judaicos tranformarão a ONU em um Governo Único Mundial que é condição fundamental para a Implantação do Marxismo Iniciático ou Ocultista, a Sinarquia, Governo dos Iniciados nos Mistérios Esotéricos, a fim de entronizar um Supremo Governante Mundial cujas iniciais poderiam ser o famoso www correspondente na Gematria da Cabala ao Número 666 que é o número da Besta apocaliptica ou de como muitos preferem chamar, o Líder Global da Nova Era de Aquárius.

A Revolução Sinárquica náo tem como objetivo final a Implantação do Marxismo no Mundo, nem a criação de um "Paraíso Terrestre Messiânico" do novo "Cristo" o Falso Messias que Israel espera e que a Biblia chama de Anticristo e de "A Besta Do Apocalipse" mas o Marxismo não é um fim em si mesmo nesta Revolução Mundial. É um meio para se obter um Fim que é a Obliteração Total do Pensamento Cristão da Face da Terra. Observem que as tres maiores religioes do mundo são: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. As tres tem como base um único Deus, que seria o CRIADOR de tudo e que a NOVA ERA e a NOM jamais aceitarão, posto que a Nova Era apenas permitirá em seu extenso roll apenas os esotéricos, misticos, cristãos misticos, new agers, etc...

O Objetivo dessa Revolução Mundial da Sinarquia Marxista não é Politico nem Econòmico, mas Sim Moral e Religioso. É fazer Retornar para A Praça Pública Os Sacrificios Satânicos da Religião Antediluviana chamada Magia Enoqueana, o Satanismo conhecido como Cabala. O Objetivo desta Revolução Mundial é Destruir o Cristianismo para Implantar uma Nova Civilização nos moldes da Civilização Antediluviana, cujas mulheres mantinham relações sexuais com seres materializados chamados Nefilins (Filhos De Deus) gerando gigantes que se tornaram os Super-Heróis da Antiguidade. Os Homens Famosos que Deus Aniquilou através do Dilúvio Global. E como foi naqueles dias de Noé, assim também será nos dias da vinda do Filho do Homem, isto é nos dias da Volta de Jesus, que como um relâmpago descerá dos Céus com alarido, voz de Arcanjo e ao Som da Sétima Trombeta de Deus, citada no Apocalipse.

Sei que muitos até podem discordar e é um direito de cada participante, mas essa é minha OPINIÃO pessoal também e portanto, quem desejar comentar o vídeo ou as argumentações acima no (3 parágrafo), que fiquem a vontade, mas já aviso de antemão que não toleraremos ofensas a credos religiosos ou desvios de FOCO do tópico, que aborda essencialmente O PLANO DOS BANQUEIROS SIONISTAS, diferenciando-se bem aqui dos judeus comuns da população que também são contrários ao Sionismo que comanda o governo de Israel e do Mundo TODO.
Para quem desejar saber mais sobre as diferenças entre sionismo e judaismo, veja esse artigo: Grande trapalhada entre Semitismo e Sionismo, as convenções iludem as massas.




BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.