domingo, 30 de novembro de 2014

Roberto Bolaños: Um gigante na América Latina

Roberto Gomez Bolaños não foi apenas um carismático humorista infantil. Ele foi um modificador de tendência dos produtos televisivos voltados para as crianças nos anos 80 e 90. Ele foi responsável pela co-educação de pelo menos três gerações no Brasil. Uma arte simples e marcante, que não permitirá a ousadia de qualquer tipo de plágio. Cada cena gravada tinha seu teor de requinte e mistério, com sua semântica própria que aliava ingenuidade e magia. Obrigado, Chaves!



O roteirista brasileiro Pablo Kaschner afirma que a América Latina e o Brasil perdem com a morte de Bolaños, um importante elemento de integração. Autor de dois livros sobre as personagens da série televisiva Chaves (El Chavo do Oito no México, onde foi criada), Kaschner diz que o humor e a crítica social presentes na obra do artista mexicano transcenderam línguas e fronteiras.

"Chaves é uma série de humor para todas as idades –dos menores aos mais adultos– por trabalhar com vários tipos de comédia, das palhaçadas aos jogos de palavras mais complicados e inteligentes, e que, além disso, transmite grandes valores, como o da amizade e o da solidariedade nos momentos mais difíceis", conta.

"Nenhuma família no bairro de Chaves é completa. Há a mãe e o filho, mas falta o pai. Há o pai e a filha, mas faz falta a mãe. E todos adotam seus vizinhos como parte de sua própria família, em uma realidade comum a vários países da América Latina. Começando pela personagem central, a criança órfã e pobre”, acrescenta Kaschner.

Chaves chegou à TV brasileira em 1984. Desde então, quase não deixou de ser transmitido pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), junto das aventuras do Chapolin Colorado. Os episódios, que ainda hoje reúnem em frente à TV diferentes gerações do país, são dublados, e os próprios dubladores são objeto de grande estima por parte dos mais fãs, que costumam compartilhar informações nas redes sociais ou, inclusive, promover suas próprias reuniões.

Os bons índices de audiência fazem com que o SBT recorra com assiduidade aos programas de para incrementar a popularidade do canal em diversos horários. Costuma-se dizer que Chaves e Chapolin atuam como autênticos curingas na programação da emissora.

"Sem querer querendo, Chaves criou um fenômeno de integração latino-americana, unindo culturas diferentes e classes sociais diversas. Inclusive no Brasil, que não tem um grande histórico de exibições de conteúdos latinos em suas TVs", afirma Kaschner.

Um grande fã do trabalho de Chespirito desde criança, Kaschner, que se graduou em Rádio e TV, detalhou ao público brasileiro personagens e histórias de Chaves em dois livros, adotando os jogos de palavras famosos do artista mexicano para titular suas obras.

A primeira foi Chaves de um Sucesso, da editora Senac, e a segunda foi Seu Madruga: Vila e Obra, da editora Mirabolante.

Um jornalista peruano perguntou há 15 anos a Roberto Gómez Bolaños, o Chaves, se sabia que havia se tornado o comediante mais importante da América Latina “de todo o milênio”. O ator respondeu com confiança que sim, mas acrescentou: “Aqui no México não podemos dizer isso, é uma blasfêmia terrível! Ninguém é profeta em sua terra.”

De uma forma ou de outra, o nome de Chaves ficará marcado na história da televisão mexicana por tê-la conduzido à sua época de ouro. Diferentes culturas e países na América Latina sintonizavam seu programa para rir das mesmas piadas. No entanto, no México, seu país natal, deixou uma herança cultural que continua encontrando críticos e defensores.

Em 1984, o historiador Enrique Krauze afirmou que “detestava” seu estilo. “Faço um esforço desesperado para levantar meu filho da lona mental onde Chespirito (como o personagem é conhecido no México) o mantém de segunda a segunda”, disse. Ainda que com o passar dos anos Krause tenha mudado sua opinião sobre Gómez Bolaños, suas primeiras palavras refletiam muitas das críticas feitas ao ator e roteirista por banalizar e comédia e abusar da slapstick comedy(pastelão).

“Gómez Bolaños cresceu sob a influência da comédia cênica. Isso era o humor da época”, disse Álvaro Cueva, especialista em televisão mexicana. O próprio Chaves reconheceu seus professores em uma entrevista para La Jornada: “Me inspirei muito no Gordo e o Magro, que eram adoráveis e seu humor sensacional. E algo em Chaplin, um gênio, embora às vezes um pouco amargo”, disse. Cueva afirma que para poder revisitar sua obra de um ponto de vista crítico “é preciso entender o contexto em que trabalhava. Não é um comediante que teve todos os recursos disponíveis atualmente”, acrescenta.

Gómez Bolaños ficou órfão de pai aos seis anos. Na década de cinquenta, deixou seu trabalho em uma agência de publicidade quando viu uma oferta de emprego para roteirista de TV. Seus primeiros textos foram usados pela dupla de comédia Viruta e Capulina, em meados dos anos cinquenta.

O Canal 8 da Televisão Independente do México transmitiu o programa de Chaves pela primeira vez em 1971. O canal era concorrente do Telesistema Mexicano até a fusão de ambos em 1973, criando a Televisa, maior rede de televisão do México. “Chespirito é uma figura permanente da televisão mexicana. Uma criação da Televisa”, disse na tarde de sexta-feira Jacobo Zabludovsky, que comandou por quase 30 anos o jornal noturno do Canal 2.

A Televisa foi um dos pilares mais importantes do regime do PRI até a transição democrática de 2000. Também foi criticada devido à visão de seu criador, o magnata Emilio Azcárraga Milmo, que privilegiou o entretenimento das classes mais baixas em detrimento da difusão da cultura. Foram as telenovelas que encerraram a era Chaves na televisão depois de 25 anos de programa. “Foi uma decepção sair do ar sem terem me avisado. A empresa decidiu colocar apenas telenovelas nos melhores horários”, disse o comediante em 2008.

A relação entre a Televisa e Chaves é outro elemento usado contra o comediante, apesar de ter vazado publicamente sua simpatia pelos candidatos da direita do PAN. Em 2000, votou e apoiou Vicente Fox. Depois fez o mesmo com Felipe Calderón, em 2006 e Josefina Vázquez Mota em 2012. “Vargas Llosa disse que o PRI era a ditadura perfeita. Era mesmo. A expressão é afinadíssima”, disse Gómez Bolaños ao jornal El Comercio em 2008.

Cueva afirma que um dos elementos mais importantes de Gómez Bolaños foi sua visão para entender seu mercado em uma época onde a maioria das estrelas da televisão olhava para os Estados Unidos e para a Europa. Umas de suas primeiras viagens foi a El Salvador. “Foi um dos poucos talentos que entendeu a importância da união latino-americana. “Se esforçava para ir onde ninguém ia”, disse.“Gómez Bolaños era um rebelde em sua época”, afirma Cueva, acrescentando que sua forma de trabalho revitalizou as práticas usadas na empresa. “Gravava sem teleprompter porque sabia seus roteiros de cabeça e escrevia suas falas com uma semana de antecedência. Desafiou o sistema. Se colocava no mesmo patamar do Tigre (o apelido de Azcárraga Milmo, que comandava o Telesistema)”, disse.

Sua importância na região não é questionada. Foi o único convidado mexicano que o jogador argentino Diego Maradona recebeu em seu programa La Noche del 10. Uma das muitas lendas sobre Pablo Escobar, o chefe cartel de Medellín, conta que o traficante levou todo o elenco de Chaves à Fazenda Nápoles em 1984 para o aniversário de seu primogênito, algo que sempre foi negado pelo comediante. Na sexta-feira o Congresso peruano fez um minuto de silêncio em homenagem ao artista.

O legado de Roberto Gómez Bolaños para a cultura mexicana ainda é uma incógnita. Mas, por enquanto, não existe outra figura que fez o mesmo pela televisão do pais. “Perdemos um gênio, algo que não vamos ter por muito tempo”, afirma Cueva.


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Policial Americano não será indiciado por morte de negro

Oficial que atirou contra Michael Brown em Ferguson não responderá por homicídio; manifestantes queimaram carros e depredaram prédios públicos.



A Justiça dos Estados Unidos decidiu na noite desta segunda-feira (24/11) não indiciar o policial que matou o jovem negro Michael Brown no mês de agosto em Ferguson, Missouri. Após ouvir 60 testemunhas, o júri anunciou que não existe "causa provável" para acusar o oficial Darren Wilson — que, no dia 9 de agosto, disparou seis vezes contra o adolescente de 18 anos, que estava desarmado na ocasião.

A absolvição do policial gerou uma onda de revolta em Ferguson e se espalhou por outras regiões do país. De acordo com o jornal Washington Post, milhares de pessoas revoltadas com o desfecho do caso incendiaram carros, depredaram prédios e saquearam supermercados. Até o momento, mais de 80 pessoas foram detidas.

A polícia usou gás lacrimogêneo para frear os protestos na Avenida West Florissant - local em Ferguson onde se concentraram as principais manifestações em agosto pela morte de Brown. Em Nova York, Chicago, Los Angeles, Washington D.C. e Oakland, os manifestantes fecharam avenidas durante toda noite.

A cidade de Ferguson está em alerta máximo, com o FBI e a Guarda Nacional preparados para intervir. Em agosto, dias após o assassinato de Brown, uma onda de violência tomou conta da cidade em represália à morte do jovem.

Entenda o caso

A morte de Michael Brown em agosto reacendeu a discussão em torno do racismo em forma de violência policial nos Estados Unidos e provocou uma série de protestos em Ferguson. Devido à situação na cidade, o presidente do país, Barack Obama, anunciou uma investigação profunda e independente.
A autópsia feita a pedido da família de Brown revelou que o jovem foi executado com pelo menos seis tiros, sendo dois na cabeça. A confirmação contrasta com a tese apresentada pelos policiais de que Brown teria resistido à prisão. Até o momento, não há informações oficiais de quais circunstâncias motivaram Darren Wilson atirar contra o jovem.
A discriminação racial é uma estrutura histórica que permeia a sociedade dos EUA
Enquanto eu acompanhava os acontecimentos em Ferguson pelo Twitter, notei um pequeno fluxo de tweets de afro-americanos irritados com os usuários que sugeriam que, por causa da militarização da polícia e do uso de força excessiva (e mortal) contra cidadãos e jornalistas, Ferguson era agora como Gaza, Iraque ou outros lugares-problema do mundo. Estes cidadãos não estavam irritados porque achavam que as comparações eram injustas, mas porque tais publicações sugeriam que o uso de força excessiva era de alguma forma nova ou incomum. Para estes usuários, os EUA não haviam se tornado violento… ele sempre foi. Sugerir outra coisa seria enxergar os eventos em Ferguson como que dentro de um vácuo social e histórico, divorciado da realidade cotidiana enfrentada pelos afro-americanos, resultado de gerações de discriminação estrutural.

Estas foram observações poderosas.
Nossa visão política da vida cotidiana é frequentemente obscurecida pelo foco da mídia em eventos ou indíviduos ao invés de em estruturas e processos de longa duração. Eventos e indivíduos são amigos da mídia. Eles são fáceis de ser empacotados, construídos, embelezados, e depois tirados de cena. Eventos e indivíduos também são excelentes quando procuramos explicações, desculpas, bodes expiatórios ou heróis. A vida se torna simples desta maneira. Guerras e batalhas entre o bem e o mal. “A política é uma batalha de vontade individual.” “O racismo é um preconceito em relação a uma pessoa.” “os saques são uma quebra da lei e da ordem.”
“Contexto”, “história,” e “estrutura” apenas enlameariam estas águas claras de explicação.
Infelizmente, eventos e indivíduos são, frequentemente, nossas únicas pedras angulares para entendermos questões muito mais amplas, complexas e estruturais. E isto é um problema. Não posso mais entender o funcionamento real da política norte-americana assistindo à cobertura do debate presidencial (ou mesmo à uma eleição inteira), e também não poderia entender o racismo estrutural nos EUA ao assistir a cobertura do espancamento de Rodney King em 1991 ou do assassinato de Michael Brown em Ferguson. Não é possível testemunhar os resultados do preconceito estrutural e da desigualdade ao observar estes eventos — a partir de suas coberturas jornalísticas, não é possível ter a menor noção do quanto o preconceito e a desigualdade são um círculo vicioso.

O que perdemos com a cobertura esporádica baseada em eventos é a cotidianidade do racismo nos EUA (ou em qualquer outro lugar), e isto é o argumento daqueles usuários do Twitter que mencionei no começo do artigo. Uma percepção completa do quanto o preconceito permeia a sociedade requer atenção constante e foco sobre as coisas que tornam difícil a vida de muitos cidadãos norte-americanos: problemas de moradia, discriminação nos empregos, o racismo sutil de olhares e comentários, e o racismo aberto na forma de violência policial e invisibilidade na mídia — coisas que norte-americanos brancos raramente experimentam. E não esqueçamos das implicações a longo prazo de práticas como a pena de morte e da parcialidade da Justiça quando trata de minorias.

Esta não é uma crítica sobre todos os jornalistas que cobriram Ferguson — alguns foram excelentes — mas uma crítica ao jornalismo em geral.

Peguemos o Iraque como outro caso. Antes de 11 de setembro, o que as pessoas sabiam sobre as relações dos EUA com o Iraque e o Afeganistão? Ou sobre as políticas dos EUA na região? Muito pouco. Depois, a partir de 2003, fomos completamente saturados com a cobertura da mídia do Iraque e do Afeganistão, e havia bons jornalistas fazendo boas reportagens durante a invasão e a ocupação. Mas, depois de inúmeras horas de cobertura televisiva e toneladas de jornais, podemos dizer honestamente que as pessoas nos EUA possuem a mínima compreensão das implicações sociais, econômicas e políticas de uma operação que matou centenas de milhares de civis iraquianos inocentes? Ou do porquê os EUA foram à guerra?

Da mesma maneira, se o racismo é discutido apenas quando há histórias midiatizadas como agora em Ferguson, ou nas rebeliões de Los Angeles, ou durante o julgamento de O.J Simpson, depois estes temas são esquecidos. Quando uma questão tão fundamental à sociedade como o racismo é rotineiramente tratada apenas quando há uma conculsão social, então enfraquecemos as ligações entre estas convulsões e nossa história cotidiana, fazendo disso apenas um evento a se cobrir…




segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Somente a Indignação acabará com a Corrupção (Por Thiago Muniz)

O que amedronta os políticos corruptos é a ira dos sem poder.



Não serão os Governos, a polícia, os juízes, nem sequer a detenção de alguns corruptos importantes, que acabará com a impunidade que contagiou com um abraço mafioso partidos e empresas brasileiras.

Contra a raiz da corrupção e contra a impunidade dos criminosos existe uma só arma: a rejeição das mesmas por parte da sociedade, dos sem poder.

A presidenta Dilma Rousseff afirmou na Austrália, durante a reunião do G20, que o escândalo da Petrobras “mudará a história do Brasil para sempre”, porque representa o fim da impunidade. Não. Isso só acontecerá se o Brasil, a parte limpa da sociedade, puder mudar a Petrobras para devolver à empresa a honra da qual foi despojada por políticos e empresários corruptos.

Nada, nem ninguém, será capaz de acabar com a impunidade da corrupção sem que haja um despertar da sociedade no sentido de descobrir que pode ser mais letal do que o vírus do ebola, porque, além de atentar contra a vida, esses crimes sujam a dignidade da nação.

A aceitação manifestada e subliminar da corrupção e da impunidade por parte da sociedade é o que deixa as mãos dos políticos livres para assaltar os cofres públicos. Como explicar, então, que, às vezes, os políticos e partidos mais corruptos são os mais votados nas urnas?

Isso se deve à má consciência daqueles cidadãos que pensam que todo mundo, quando pode, rouba e suborna e, por isso, recorre aos políticos menos moralistas porque eles costumam ser, também, os mais generosos?

Não existe, em nenhum lugar do mundo, uma regeneração ética originada pelo poder. Só a força de uma sociedade que um dia desperta e diz “basta”, que deixa de apreciar os políticos corruptos e que se envergonha de aparecer perante o mundo como cúmplice dos crimes pode mudar as coisas.

Os políticos não mudam, e cada vez que tomam atitudes diferentes relacionadas a eles mesmos é para se blindarem melhor e aumentar seus próprios privilégios.

Os juízes não tomam uma atitude porque não é fácil para eles se desatarem dos compromissos que os unem ao poder, e sempre estarão mais dispostos a perdoar o político ou empresário corrupto do que a mulher que rouba um quilo de arroz no mercado.

A polícia não acaba com a corrupção porque também, salvo algumas meritórias exceções, trabalha à sombra dos políticos e acaba se submetendo a eles. E se, alguma vez, tenta fazer uso da autonomia concedida à Instituição acaba se tornando um dos suspeitos e até é perseguida.

Quem sabe muito bem disso tudo; quem não tem dúvidas de que a corrupção e o crime não podem ser combatidos pelo poder, porque ele também é corrupto e corruptor, é o povo. As pessoas comuns não confiam no poder público, nem sequer no que diz respeito a casos concretos, como o do Mensalão e agora o da Petrobras, em que políticos e empresários famosos e importantes envolvidos nos esquemas foram presos. “Não vai adiantar nada. Sairão em seguida e continuarão vivendo como ricos com o que roubaram”, é o que se escuta em comentários na rua.

O mais grave é que o poder sabe disso, e, também, que uma parte da população acaba se aproveitando da corrupção do poder, recebe as migalhas e se vende. Daí o medo dos políticos de que a sociedade possa despertar de sua letargia, abrir os olhos e perceber que a onda de corrupção ameaça encobri-la. Medo de que o povo comece a exigir responsabilidades.
Nas últimas manifestações realizadas depois das eleições, os políticos não se preocuparam muito com os cartazes contra a Dilma ou a favor da volta dos militares. Nada disso os amedronta porque sabem que é inofensivo. 

O que começa a preocupa-los são cartazes como os que apareceram em São Paulo: “Sociedade unida, corrupção vencida”, “o povo brasileiro é maior que um partido corrupto”, “O Brasil despertou e não voltará a adormecer”. Não sei se vai ser verdade ou se já é agora. Outro cartaz dizia: “Antes de tudo, Brasil”.

E, a propósito, onde estavam os black blocks e os famosos vândalos nas últimas manifestações? Não se importam com a corrupção?

O mais importante para que este país ressuscite mais forte e mais limpo do pesadelo da corrupção que o tinha anestesiado é tomar consciência de que só os brasileiros, os que se acham sem poder, têm a força de impor um freio aos desmandos dos políticos. E eles fingirão mudar as coisas para que tudo continue igual.

O poder sabe dialogar com corruptos e corruptores porque entende seu idioma e sabe decifrar seus hieróglifos. Mas tem medo da linguagem da ira dos sem poder quando, acordados após um longo período de letargia, começam a querer sonhar juntos.

BIO

Thiago Muniz tem 33 anos, colunista dos blog "O Contemporâneo", do site Panorama Tricolor e do blog Eliane de Lacerda. Apaixonado por literatura e amante de Biografias. Caso queiram entrar em contato com ele, basta mandarem um e-mail para:thwrestler@gmail.com. Siga o perfil no Twitter em @thwrestler.

domingo, 23 de novembro de 2014

Petrobras mancha o Brasil

A companhia petroleira protagoniza o pior escândalo financeiro e político desde a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder.

O Brasil está enfrentando o que pode ser o pior escândalo financeiro e político desde a chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder em 2003 com Lula como presidente. A rede de corrupção política e empresarial – com ramificações de financiamento ilegal do partido governista – tecida em torno da gigante estatal Petrobras ameaça apequenar o famoso mensalão, que há oito anos trouxe à tona um sistema de compra de votos no Congresso e – mais uma vez – financiamento ilegal do PT.














A Petrobras não é uma estatal comum. “A Petrobras é o Brasil e o Brasil é a Petrobras”, gostava de repetir Lula. Sua sucessora, Dilma Rousseff, agora precisa combater em duas difíceis frentes. Em primeiro lugar, como ministra de Minas e Energia do Governo Lula, Dilma ordenou que Petrobras tivesse fornecedores nacionais. Uma medida perfeitamente coerente com o ideário do PT e com o objetivo de criar empregos e ativar a indústria nacional. Mas teve o efeito – inesperado, até prova em contrário – de ser utilizada para engordar uma trama de favores, subornos e comissões ilegais que envolveu pelo menos nove das maiores empresas do Brasil e, até o momento, 85 altos executivos.
A segunda frente tem a ver com o fato de Dilma ser agora presidenta, reeleita nas eleições de outubro. As investigações apontam que as empresas investigadas doaram até 62% do orçamento de campanha dos candidatos locais que pediam votos para a presidenta.
Note-se que a trama não macula só o Governo. As empresas regaram generosamente com suas contribuições todas as forças em combate. E não só isso. Os principais partidos aparecem, segundo diversos testemunhos perante o juiz, como receptores de polpudas comissões. É como se um derramamento do óleo da Petrobras tivesse manchado o Brasil.

Petrobras promete “mais petróleo e mais transparência”

Em um momento “penoso e muito doloroso” para a companhia, a diretoria da Petrobras apresentou nesta tarde os resultados operacionais do terceiro trimestre da empresa estatal e anunciou a “urgente” criação de uma Diretoria de Governança que “melhore os filtros existentes” e previna futuros escândalos. A petrolífera está sendo atualmente investigada pela Polícia Federal pelo suposto desvio de três bilhões de dólares em uma rede de subornos, lavagem de dinheiro e financiamento irregular de partidos políticos que envolve dezenas de grandes empresas fornecedoras. A empresa justificou a decisão de adiar a publicação de seu balanço trimestral não auditado, tomada na semana passada, diante do impacto das confissões feitas à Justiça no dia 8 de outubro por seu ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e o doleiro e especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef, ambos presos.

Os máximos responsáveis da maior empresa do Brasil e da América Latina, cujas ações voltaram a cair mais 0,5% nesta segunda-feira depois da prisão de uma vintena de diretores de grandes empresas na última sexta-feira em uma nova fase da Operação Lava Jato, afirmaram sua plena colaboração com a polícia e os órgãos de controle do país “pelo bem da Petrobras e do Brasil” e afirmaram que excluirão de futuras licitações as empreiteiras e empresas de engenharia com participação comprovada em subornos (como aconteceu há poucas semanas com a empresa holandesa SBM Offshore). “Estamos correndo contra o tempo”, declarou a presidenta da empresa, Graça Foster, “para fazer desse momento tão difícil uma empresa melhor”, alinhada com as declarações feitas no fim de semana na Austrália pela presidenta (e ex-presidenta do Conselho de Administração da Petrobras) Dilma Rousseff, que afirmou que o escândalo “poderia mudar o país para sempre”.
A Petrobras divulgou nesta segunda-feira a sua produção de outubro, atingindo o recorde histórico de quase 2,13 milhões de barris diários, mas admitiu que a sua produção neste ano deve ficar apenas entre 5,5% e 6% acima do resultado de 2013 – ou seja, abaixo da meta de expansão para 2014, que é de 6,5% a 8,5%.
Pressionada por jornalistas sobre por que a Petrobras não rompe relações com as empresas brasileiras investigadas pela polícia – ou seja, por que não adota o mesmo rigor com que lidou com a holandesa SBM, excluída de futuras licitações até que seja revelado o nome dos funcionários subornados –, Foster se limitou a admitir que desconhece os processos “com exatidão”. José Formigli, diretor de Produção e Exploração da companhia, prometeu que todas as empresas comprovadamente responsáveis por irregularidades receberão o mesmo tratamento. “Nossas relações futuras vão depender das investigações”, afirmou. Foster disse que o Governo brasileiro continua valorizando a política do “Compre Nacional” (que obriga à contratação majoritária de empresas e pessoal brasileiro em seus projetos), instaurada por Dilma Rousseff na época em que foi ministra da Energia, em 2003, e que está na origem da trama de corrupção investigada.
“Temos o privilégio de ter recebido muitos prêmios técnicos, mas também queremos que nossos processos sejam respeitados. Isso é extremamente importante neste momento”, salientou Foster. “Temos resultados operacionais excepcionais, não somos uma empresa imobilizada”, declarou a presidenta da Petrobras, que assumiu esse cargo em 2012 e disse só ter sido informada sobre as suspeitas de corrupção quando a Operação Lava Jato teve início, em março deste ano.
Com relação ao adiamento na publicação do balanço trimestral (que não recebeu o aval da consultoria PwC), o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, esclareceu que, se novas revelações derivadas da investigação policial indicarem a necessidade de alterar novamente a data para a divulgação (agora marcada para 12 de dezembro), a Petrobras não teria problema em “se ajustar”. Mas ele rejeitou os rumores de que o atraso estaria ligado a uma impossibilidade temporária de acessar a mercados de dívida, e que isso estaria afetando o funcionamento da maior empresa brasileira. “Trabalhamos com altos níveis de caixa […] Podemos operar durante seis meses ou mais sem acessar novas dívidas”. Barbassa enfatizou que a empresa não publicará balanços “incompletos”, e disse que hipotéticas revelações futuras como parte da Operação Lava Jato poderiam resultar em novos atrasos.

Entenda o caso de corrupção na Petrobras




Em março de 2014, os policiais federais fizeram uma série de prisões contra suspeitos de atuar no mercado clandestino de câmbio com origem em corrupção e desvios de recursos públicos. Entre os 12 detidos na operação Lava Jato, estavam o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, o engenheiro Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef.

PT, PP e PMDB, partidos aliados ao Governo de Lula e de Dilma Rousseff indicavam os diretores da Petrobras. Entre eles, estavam Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Nestor Cerveró (Internacional), Renato Duque (Serviços) e outros que passaram pelas diretorias de Exploração e Gás. Segundo as investigações, Costa, Cerveró e Duque recebiam propinas de 1% a 3% do valor de cada contrato de novas obras firmado com a Petrobras. Parte desse dinheiro ilegal era repassado aos partidos envolvidos no esquema. Havia alguns intermediadores, como Youssef.

De acordo com as apurações baseadas no depoimento de Youssef, a refinaria de Abreu e Lima, no Pernambuco, custou 3,48 bilhões de reais. Foram pagos 68 milhões de reais em propinas, metade para o PT e metade para o PP. 14 empresas são suspeitas de participarem do esquema. A suspeita é que tenha sido desviado até 10 bilhões de reais.

Ambos se valeram do instrumento da delação premiada, quando ao passar informações relevantes aos investigadores, podem ter a pena reduzida. Os advogados de Costa disseram que ele decidiu colaborar depois que notou que sua pena poderia ser superior ao do operador do mensalão, Marcos Valério, que pegou 40 anos de prisão.

A Petrobras diz que está colaborando com as investigações. O PT disse que todas as doações ao partido foram legais e que vai acionar os advogados do partido para tomarem as medidas judiciais cabíveis. As empresas suspeitas disseram que desconhecem as irregularidades, assim como o PMDB e o PP.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Mensagem para um Frango recém-nascido

"Bem vinda ao mundo, pequenina!

Você que acabou de nascer e teve o biquinho decepado. Deve estar doendo muito eu sei. É para que você não bique a si mesma e nem às tuas companheiras quando se sentir desesperada. E acredite: você vai se sentir desesperada!

Irá para uma cela agora, que quando crescer mal caberá teu corpo. Não conseguirá esticar as asas, se espreguiçar, saltar e muito menos andar.

Jamais saberá o que é ciscar, fazer ninhos, se empoleirar...só sentirá o desejo latejando sem entender direito.
Nunca verá o sol ou sentirá a chuva. Muito menos saberá que existe noite e por isso nunca dormirá.

Teus dias serão eternos, passará a vida sob lâmpadas que manterão tua vontade de comer sem parar. 

Comerá muito e por isso crescerá rápido e começará cedo a botar ovos. E botará ovos sem parar. Mas jamais os verá. Eles não serão teus.

Com o tempo tuas pernas doerão muito, por não se movimentar. Talvez nasçam até feridas nas plantas dos pés, que cicatrizarão grudando teus pés nas grades.

Quando você estiver muito fraca e já não servir para botar ovos, como uma máquina eficaz, estará perto enfim o fim do teu sofrimento.

Você que só nasceu para sofrer, que mesmo sendo capaz de sentir alegria, não terá tido um só momento dela, terá enfim descanso...cortarão teu pescoço e com sorte morrerá de uma vez e não sentirá ainda o último requinte num tanque de água fervente.

E teu corpo tão triste e tao sofrido será alimento de quem pagou por cada minuto de teu castigo.

E eu, do alto da minha impotência, só posso te dizer agora e na hora de tua morte: NÃO POR MINHA CAUSA!" 

texto: Leide Fuzeto Gameiro


Construtoras despejaram 200 milhões nas eleições 2014

Construtoras investigadas despejaram 200 milhões de reais nas eleições 2014.


Base aliada de Dilma recebeu 62% das doações das empreiteiras suspeitas de corrupção.
Candidatos dos partidos de oposição ficaram com 34% do valor, no primeiro turno.

Milionários presos dividem celas e lavam suas roupas sob o sol.


A base aliada do Governo Dilma recebeu 62% das doações feitas na eleição deste ano pelas empreiteiras investigadas pela corrupção na Petrobras. Dos 200,1 milhões de reais doados pelas construtoras, 124 milhões foram para candidatos, cujos partidos pediram votos para a presidenta, reeleita em outubro. As legendas de oposição receberam 34% dos recursos entregues voluntariamente pelas construtoras, o que corresponde a 68,5 milhões de reais. Os demais valores foram para partidos que dão apoios eventuais ao Governo.

Os dados constam da prestação de contas das candidaturas de primeiro turno entregues ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em um primeiro momento, são legais, já que foram declarados pelas campanhas e comitês partidários. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal, contudo, investigam se parte desses valores foi “maquiada” como uma forma de encobrir o favorecimento às empresas em futuras licitações.
Para se ter uma ideia, o montante equivale a um quinto de todas as doações feitas no primeiro turno, que totalizaram pouco mais de 1 bilhão de reais, e seria equivalente a um terço do que foi recebido pelos três principais candidatos ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) na primeira etapa da eleição. O valor das receitas de todos os candidatos na campanha deste ano ainda não foi divulgado pelo TSE. Os dados do segundo turno também só serão divulgados na próxima semana, o que deve engordar a cifra arrecadada a partir das doações das empreiteiras.
As empresas Odebrecht, UTC, Queiroz Galvão, Toyo Setal, Iesa, OAS, Engevix, Mendes Júnior, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa são investigadas por um suposto esquema que desviou até 10 bilhões de reais da Petrobras, a maior companhia brasileira, e que desde o início do ano se viu envolvida em uma série de irregularidades. Esse seleto grupo de empreiteiras tem mais de 50 bilhões de reais em contratos em atividade com a petroleira.
Se analisadas as doações eleitorais, nota-se que o comportamento das construtoras é de irrigar todo e qualquer partido político. Das 32 legendas registradas no país, 27 receberam recursos das maiores empreiteiras brasileiras, que agora veem seus executivos presos ou tendo suas sedes vasculhadas por policiais.
A falta de critério ou alinhamento político-ideológico fica clara em várias doações. A Odebrecht, que foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua sede nas últimas semanas, por exemplo, doou para os principais candidatos ao governo de três estados diferentes. Em Pernambuco, ajudou Paulo Câmara, do PSB, e Armando Monteiro, do PTB. No Espírito Santo, abasteceu a campanha de Paulo Hartung, do PMDB, e de Renato Casagrande, do PSB. Na Bahia, foi mais generosa, doando para Lídice da Mata, do PSB, para Rui Costa, do PT, e para Paulo Souto, do DEM. O critério de “equidade” dado pela companhia chama a atenção. Foram 200.000 reais para cada um desses concorrentes citados.
O depoimento de um dos executivos presos na operação Lava Jato mostra como funcionava o critério para as doações. Quando foi questionado pela polícia como se definia quem seria beneficiado pelas contribuições eleitorais, o engenheiro Ildefonso Colares Filho, que por 40 anos trabalhou na Queiroz Galvão, disse: “O primeiro critério era o limite [de doação], sempre aquém do permitido [pela legislação]. A gente dava para aqueles partidos que mais se caracterizam com as características da empresa, ligados ao crescimento da infraestrutura”.
Benesses
Neste ano, o PT foi o partido que mais se favoreceu das doações das empreiteiras no primeiro turno. A legenda que há quase 12 anos governa o Brasil recebeu, juntamente com algumas candidaturas, 47,8 milhões de reais em doações deste grupo. Na sequência, aparece o também governista PMDB, com 38 milhões, e os oposicionistas PSDB (28,7 milhões) e PSB (16,4 milhões). Esses foram os únicos partidos que obtiveram doações de sete entre as dez construtoras investigadas na operação Lava Jato.

OS BENEFICIADOS*

PT – 47,8 milhões de reais
PMDB – 38, 1 milhões de reais
PSDB – 28,7 milhões de reais
PSB – 16,5 milhões de reais
DEM – 16,4 milhões de reais
PP – 12,2 milhões de reais
PSD – 7,2 milhões de reais
PR – 5,9 milhões de reais
PDT – 5,5 milhões de reais
PC do B – 4,1 milhões de reais
Outros – 16,7 milhões de reais
*Inclui candidatos
A Camargo Corrêa, que despejou 102,6 milhões de reais em doações legais nas eleições de 2010, decidiu doar apenas para o Democratas no pleito de 2014. Foram 1,5 milhão de reais. Já a Iesa e a Mendes Júnior não doaram nem um real para as campanhas do primeiro turno deste ano. Em 2010, elas destinaram 1,7 milhão e 10 milhões de reais, respectivamente, para candidatos e comitês eleitorais.
Das oito empresas que doaram para candidatos ou partidos, quatro colocaram o PT como seu principal beneficiado. São elas: a UTC, a Toyo Setal, a OAS e a Engevix. O PMDB e seus filiados ficaram no topo da lista da Odebrecht e da Queiroz Galvão. Já o PSB e candidatos socialistas foram os que mais receberam recursos da Galvão Engenharia.
Um levantamento feito pelo jornal Valor Econômico mostrou que255 dos 513 deputados federais eleitos neste ano receberam dinheiro das construtoras investigadas pela Polícia Federal. O mais beneficiado foi Alexandre Leite, do DEM de São Paulo, que teve 47% de sua campanha financiada pelo grupo de empreiteiras investigadas. Ao Valor, o deputado informou que todas as doações para sua campanha foram legais.
Outro dado que mostra a expansão das empresas na tentativa de influenciar o cenário político foram as doações para os membros da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Petrobras. Dos 58 deputados e senadores que compõem o grupo de investigação, 33 receberam recursos das construtoras investigadas.
As doações de empresas para campanhas eleitorais já começaram a ser revistas. Antes das eleições deste ano, o Supremo Tribunal Federal já havia iniciado o julgamento de uma ação que limitava a doação de pessoas jurídicas para as candidaturas e comitês eleitorais. Um pedido de vistas do ministro Gilmar Mendes, contudo, paralisou a análise do processo. Diversas autoridades, entre elas o presidente do Tribunal Superior Eleitoral e também ministro do STF, Dias Toffoli, já se declararam favoráveis a proibir essa doação. A expectativa é de que, nas eleições municipais de 2016, já haja alguma definição.



quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Dia da Consciência Negra: Mais tolerância e menos Ódio

No Brasil, 68% das mortes violentas são de Negros.





Das pessoas que morrem de forma violenta no Brasil, 68% são negros. Dentre os presos, 61% têm a pele de cor preta ou parda. A maioria está encarcerada por pequenos crimes, muitas vezes sem julgamento.
No Dia da Consciência Negra, o país deve olhar para os números que evidenciam a situação em que vive essa população. “Os dados ajudam a mostram uma realidade que a gente insistir em esconder: o racismo no Brasil”, afirma Rafael Custódio, advogado e coordenador do programa de justiça da ONG Conecta Direitos Humanos.
Os números citados acima estão no Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014, divulgado no início do mês. Eles mostram que a proporção de negros mortos ou presos é bem maior que a proporção deste segmento na população. De acordo com o IBGE, os negros (pretos e pardos) são 52% dos habitantes do país.
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Negros morrem
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014
Para Custódio, parte do problema se explica pela mentalidade de nossas instituições de segurança e justiça, cujo principal ator junto à sociedade são as polícias militares. “Elas são treinadas para enxergar o cidadão como potencial inimigo”, afirma.
Ao mesmo tempo, essas polícias “não têm sofisticação”, diz o advogado, o que faz com elas concentrem seus esforços nos pequenos crimes, cometidos por jovens pobres da periferia. O fato de o Brasil ainda ter uma predominância da raça negra entre os pobres só agrava a situação.
Um estudo da UFSCar divulgado em abril mostra que o índice de negros mortos em decorrência de ações policiais a cada 100 mil habitantes em São Paulo é quase três vezes o registrado para a população branca.
De acordo com o mesmo estudo, a taxa de prisões em flagrante de negros é duas vezes e meia a verificada para os brancos. Para Custódio, os resultados evidenciam que há, sim, um componente de racismo na atuação da polícia.
“A polícia de São Paulo aborda, prende e mata muito mais gente não branca. Isso numa quantidade muito desproporcional à presença dessa população no estado de São Paulo. É evidente que há um componente racial nessa questão”, afirma.
Exame.com
Negros presos
Fonte: Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014 e Pnad

Para ele, o combate a essa seletividade da violência passa pela mudança das polícias e pela revisão de leis, como a Lei de Drogas, de 2006. A principal crítica a essa legislação é que ela não deixa clara a distinção entre traficantes e usuários. 
Segundo a campanha “Lei de Drogas: é preciso mudar”, desde que a lei entrou em vigor, dobrou o número de presos por crimes relacionados às drogas no Brasil.
“O resultado é que essa lei só prende jovens, pretos ou pardos, e moradores das periferias. Essas pessoas são presas geralmente sem arma e não fazem parte de organização criminosa”, argumenta Custódio.
O advogado da ONG completa: “As pessoas acham que racismo só existe quando há uma lei discriminando negros ou brancos. Mas o racismo também tem um lado mais sutil, e é importante que a sociedade enfrente isso de uma forma mais aberta do que vem fazendo até agora”.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Precisamos Falar sobre Aborto

Vamos falar sobre Aborto? #PrecisamosFalarSobreAborto

Pois bem, o tema é urgente e ainda repleto de Tabus.

Começa quando por ser tratado de forma ilegal, leva milhares de mulheres para clínicas clandestinas. Mulheres que tem recursos financeiros talvez desfrutem de um pouco mais de segurança na prática enquanto que as mulheres menos abastadas muitas vezes são atendidas em verdadeiros açougues.

Não tenho dados certos de quantas mulheres morrem por ano na tentativa de interromper uma gravidez, mas são muitas.

O tema urge por um debate sério e para isso é preciso deixar de lado algumas questões ligadas a religião e a doutrinas espirituais e encarar como uma realidade ligada a saúde, ao direito individual da mulher e a segurança da mesma.

Filho não é castigo. Logo não acredito que o argumento - "Na hora de fazer não foi bom? Então agora aguenta" - seja relevante. A responsabilidade de se criar uma criança transcende apenas a existência dela como ser humano. Exige amor, carinho, atenção, educação, respeito, condições dignas de vida e instrução - que falta a muita gente que inclusive tem condições financeiras para oferecer.

É preciso legislar sobre as regras para que a ciência nos auxilie até onde se pode fazer a escolha por não levar adiante uma gravidez.

Não basta a meu ver que o olhar para tal questão se resuma apenas a má formação fetal ou casos estupro ou quando a mulher corre riscos.

A meu ver o Estado não deveria tirar o direito - dentro de um consenso com a sociedade e a ciência - para a escolha de qualquer mulher por optar se quer ou não ter um filho. Essa decisão deve caber apenas aos envolvidos na questão - Mãe, Pai e as famílias envolvidas.

Num Estado Laico, presume-se que as religiões não influenciem nas leis que dizem respeito aos direitos individuais do cidadão. Logo a condenação do aborto como "crime espiritual" deve se resumir apenas a quem acredita e segue a religião escolhida.

Entrar no âmbito da "alma", do "Espírito" e de outras abordagens existenciais, filosóficas e religiosas não é papel do Estado.

Papel do Estado é atender as mulheres de forma eficiente, segura e dentro de uma lei que as ofereça o direito da decisão final.

Se você é contra o aborto, não pratique-o. Mas não impeça quem não quer levar uma gravidez adiante de escolher o caminho que deseja pra sua vida.

Pessoas não deixam de procurar clínicas de abordo ou práticas caseiras e perigosas para não ter filhos porque é proibido. Quando quer fazer, faz. Então se vai fazer que seja dentro da lei.

Pior é ver crianças nascendo e sendo abortadas em vida, num mundo onde não encontram nenhum respaldo e condições para suas existências.

É preciso se falar sobre isso, sem tabus, sem pré-conceitos e com a consciência de que não podemos mais tapar o sol com a peneira.

Me assusta pessoas que são contra o aborto, mas que são a favor da redução da Maioridade penal. Quer dizer então que nascer pode, mas se lhe incomodar - prende, é isso?

Legalizar não significa que todas vão abortar, até porque o Estado tem que intervir também na questão de analisar junto as suas secretarias de Assistência Social caso a caso para isso não virar uma espécie de “fast food do aborto”, mas que vai ser seguro pra elas. Temos que encarar que o país não está preparado para fazer esse tipo de atendimento á essas mulheres. Tem muito que melhorar na área da saúde, que até mesmo para dar atendimento á uma gripe tem sido difícil, imagina uma cirurgia como esta; fora que não é simplesmente tirar e acabou, a mulher precisa de um acompanhamento psicológico, ou seja, tem muito pra se resolver ainda.

A questão do aborto se delimita no seguinte contexto: até em qual momento o feto pode ser considerado um dotado de direitos?

Eu sou a favor do aborto, e quando exponho idéias que são contestadas por quem pensa de maneira radicalmente oposta, procuro fazer um esforço sincero para aceitar os argumentos contrários, como se fossem meus, e tivesse que defendê-los num debate imaginário. Esse contorcionismo intelectual tem me ajudado a rever posições que julgava definitivas.

E eu consigo ver o porquê das pessoas contra o aborto pensarem assim, o aborto não é mesmo, e nunca vai ser algo bom, é uma violência física contra a mulher, e eu realmente acho que antes de fazerem qualquer coisa, deveriam ser acompanhadas por conselheiros e psicólogos profissionais, mas como eu sempre digo, é um mal necessário, e vou tentar explicar.

No Brasil, o aborto sempre foi algo comum, só não tem observação medica, hoje em dia é mais fácil ainda, pra provar isso, escreve agora no google, "como fazer um aborto" tem no minimo 15 sites que te dizem exatamente como é o procedimento, e se feito da maneira correta, é bastante seguro. Quem quer o aborto, vai fazer esse aborto, porque não permitir que essas mulheres possam fazer de uma forma mais segura e com acompanhamento medico?

A estimativa é de um milhão de abortos por ano no Brasil, 300 mil mulheres são atendidas no SUS por ano por complicações na tentativa do aborto clandestino, mais de 50 mil morreram nos últimos 10 anos com essa prática, por falta de informação, enfiando agulhas de crochê no útero ou tomando remédios depois de 4 ou mais meses de gestação, mais de 80% foram de jovens menores de 18 anos, 30% entre 10 e 14 anos.

E vamos pensar a respeito da liberdade de um país democrático, se você é contra o aborto, ótimo, não faça o aborto, só em condições extremas eu aceitaria minha parceira a fazer algo assim. Mas a partir do momento q você inibe e impõe esse pensamento na sociedade, não permitindo que o governo aprove o aborto, você esta negando atendimento medico as milhões de mulheres no Brasil que são a favor do aborto, ou simplesmente não tem condições financeiras e emocionais pra arcar com uma responsabilidade tão grande no momento, faz da maternidade, algo que deveria ser um momento feliz e lindo, um calvário onde a família sempre vai ver a criança como um problema, um obstáculo para seus planos originais. Os pais deixam de sentir amor, só se sentem responsáveis pela criança, não querem ver a criança feliz, querem ver ela viva até os 18 anos, depois que ela se vire e ajude em casa.

Todos contra o aborto, só levam em consideração a moralidade deles, o que não é ruim, mas não se pode impor sua moralidade a uma sociedade inteira, é loucura, ignorância e presunção afirmar que isso é o melhor pra uma pessoa que você nunca viu na vida! E o pior, só levam em consideração enquanto o feto está na barriga da gestante, quando nasce ninguém quer mais saber dessa criança.

Quer outro exemplo que ninguém pensa? No interior, cidades onde toda a formação moral vem da igreja local, postos de saúde abarrotados de camisinhas, tem pra todo mundo, é só ir buscar, mas quem vai são mulheres casadas que não querem ter filhos, e as jovens não casadas? Numa cidade pequena, onde todo mundo se conhece, se uma jovem dessa entrar num posto e pegar 10 camisinhas, e tiver alguém que ela conhece lá, em 1 hora a cidade toda já sabe. Pronto, virou a vadia da cidade, uma jovem que começa a vida sexual cedo, em alguns bairros de grandes cidades também é assim, garotas que tem vida sexual ativa e querem se proteger já são vistas como vadias, e se você distribui camisinhas nas escolas e de porta em porta o quê dizem? "Estou incitando o sexo entre os jovens", e ficam culpando o jovem sem instrução nenhuma, por não querer ter um filho cedo? PELO AMOR DE DEUS!!!

Claro que o maior problema hoje é o planejamento familiar, precisamos trabalhar pesado nisso, mas pensa comigo, obrigar uma jovem pobre de vida difícil sem instrução nenhuma a ser mãe? Mulheres com 30 anos casadas, e 7 filhos, loucas pra fazer uma laqueadura na fila do SUS, até ela fazer, ela já chegou nos 10 filhos, estou falando de mulheres casadas, é imbecil pensar que eles não vão fazer sexo, a mulher não tem acesso a remédios contraceptivos, e nem sempre a camisinha é uma opção, quem diz nunca fazer sexo sem camisinha, ou não se lembra quando fez ou está mentindo.

Mas ai você me diz: "o aborto não resolve o problema". Claro que não, mas é o caminho certo pra resolver. Nos anos 80 o índice de criminalidade nos Estados Unidos eram assustadores. Mais assustador ainda foi a queda desse índice em 15 anos, depois que legalizaram o aborto, depois de uma pesquisa severa em que descobriram que a maior parte dos criminosos nasceram em famílias desestruturadas, onde a mãe era menor de idade, pai ausente, sem uma criação observada. Te lembram algum país hoje? A matemática é simples. quanto mais crianças planejadas em famílias preparas, maior a qualidade de vida delas, melhor qualidade de futuro.

Com a população crescendo desenfreadamente como está, o aborto não é só necessário, é algo inevitável. Em algum momento num futuro próximo os governos do mundo vão ver o aborto como caso de saúde publica, social e econômica, uma visão que já deveria existir sobre o assunto. Países super populosos como a China e Índia, o aborto não é só permitido, como é necessário, porquê quanto mais pessoas existem, menos valor ela tem, pensem, onde está a mais barata mão de obra do mundo, a menor idade pra se começar a trabalhar? Na China. Um dos piores saneamentos básicos do planeta e qualidade de vida? Na Índia

Resumindo o assunto, no ponto de vista médico, não importa se você é a favor ou contra o aborto, quem quer fazer o aborto, vai fazer, e se a garota vai fazer o aborto, ela tem, TEM o direito de fazer sobre os cuidados de um medico especializado. Você sendo contra, só esta impedindo o medico de fazer o seu trabalho, não da paciente de fazer o aborto. Por isso eu sou totalmente a favor do aborto até o terceiro mês de gestação, momento em que o aborto não causará nenhuma seqüela grave para a mulher, e que o bebê ainda não tem um sistema nervoso capaz de ter alguma consciência ou de sentir qualquer coisa. O ideal seria não existir aborto, mas no mundo real não se deve pensar no como as coisas deviam ser, temos que pensar em como elas podem ser. Não podemos pensar no que devíamos fazer, temos que pensar no que podemos fazer. É infantilidade não pensar assim, ou no minimo, alienação sobre o assunto em questão. Mas geralmente é só negação moral mesmo, fecham os olhos para os fatos só por não acharem o ato algo certo.

No Brasil, o aborto é legalizado em 3 situações: Feto Anencéfalo, Risco de morte materna e Gravidez por estupro. Tomemos o último caso, de estupro. Não se trata também de "uma vida inocente"? Porque as pessoas sempre apoiam o aborto nesse caso? Porque inclusive isso está na lei? Aborto é uma questão de saúde pública e discursos assim como o seu fomentam a ideia machista de que o corpo da mulher não é dela, provavelmente por razões mais religiosas do que humanas. Já parou para pensar em quantos milhões de mulheres morrem por ano em clínicas clandestinas anualmente?

Se trata de um problema de saúde pública e religiões não devem fundamentar este tema!

Admiro muito esse cara e sua frase:

"Da morte escapamos quantas vezes for necessário, mais da vida nunca mais nos livraremos." 
(Chico Xavier)


E você, é contra ou a favor da legalização do Aborto prevista com segurança e sem sofrimento para mulheres e fetos?


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Afinal, o que é a Operação Lava Jato?

Deflagrada em 14 de novembro, a sétima fase da Operação Lava Jato causou um certo choque pelo ineditismo de seus alvos: executivos de algumas das maiores empreiteiras do Brasil foram parar na cadeia por envolvimento naquele que pode ser um dos maiores escândalos de corrupção da história do País. A ação é o desdobramento de uma investigação que chegou ao público em março e que pode, a depender de seu andamento, levar políticos para a prisão. Abaixo, algumas perguntas e respostas a respeito da Lava Jato.

O que é a Operação Lava Jato?É uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal a respeito de uma organização criminosa formada por políticos, funcionários públicos, executivos de empreiteiras e doleiros. As empreiteiras distribuíam entre si contratos com órgãos públicos, em especial a Petrobras, mediante o pagamento de propina e desvio de dinheiro público, que era repassado a partidos políticos.
Por que a Lava Jato está na sétima fase, o que aconteceu antes?A Lava Jato foi deflagrada em 17 de março de 2014 e se concentrava no combate ao crime de lavagem de dinheiro, com foco na atuação do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa era um dos alvos e foi preso em 20 de março. A partir de grampos, documentos apreendidos e dos depoimentos, a PF e o MPF chegaram ao esquema de desvio de dinheiro público. Desde então, conforme avançam as investigações, novas fases da operação são realizadas.
Como funcionava o esquema?De acordo com o MPF, as empreiteiras se reuniam e decidiam previamente quem executaria cada uma das obras oferecidas pelo poder público. Ao valor da oferta apresentada nas licitações era acrescentado um determinado porcentual, que era desviado para funcionários públicos e partidos políticos. Essa verba era repassada pelas empreiteiras à quadrilha por meio de empresas de “consultoria” ligadas aos integrantes do esquema, “lavando” o dinheiro.
Quem comandava a quadrilha?De acordo com a PF e o MPF, o doleiro Alberto Youssef era o operador financeiro do esquema, enquanto o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa era o operador político. Em depoimentos à Justiça, Costa afirmou que o esquema funcionava também em outras diretorias da Petrobras, como Serviços, Gás e Energia, Produção e Internacional. Há suspeitas também de que a quadrilha agia na Transpetro, subsidiária da estatal. Na sétima fase da Lava Jato, um dos presos foi Renato de Souza Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras.
Quais empreiteiras faziam parte da quadrilha?Em novembro, na sétima fase, a Lava Jato investigou executivos de nove empreiteiras: Camargo Corrêa, OAS, UTC/Constram, Odebrecht, Mendes Júnior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa Óleo & Gás e Galvão Engenharia.
Quanto dinheiro o esquema desviou?Segundo as investigações, o esquema de lavagem de dinheiro investigado originalmente movimentou até 10 bilhões de reais. Não há, por enquanto, informações a respeito de quanto dinheiro público foi desviado.  Em despacho divulgado em novembro, o juiz federal Sergio Moro, responsável pelo caso, afirmou que os danos sofridos apenas pela Petrobras “atingem milhões ou até mesmo bilhões de reais”. Em março, quando Youssef foi preso, a PF encontrou com ele uma lista de 750 obras que envolviam grandes construtoras e obras públicas.
Por que a maior parte das notícias sobre a Lava Jato envolve só a Petrobras?Porque toda investigação precisa de um foco e a apuração da PF e do MPF teve início com Youssef e Paulo Roberto Costa. À medida que mais informações forem obtidas por esses órgãos, a investigação deve ser ampliada. Ainda que o foco esteja na Petrobras, outras empresas públicas já apareceram nas investigações, como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), uma das principais concessionárias de energia elétrica do Brasil, que teria firmado contrato com uma empresa de fachada pertencente a Alberto Youssef.
Quem foi beneficiado pelo esquema?Até aqui, depoimentos de Costa e Youssef indicam que o dinheiro repassado a partidos políticos serviu para irrigar os cofres de PT, PMDB e PP. Segundo as declarações de Costa à Justiça Federal, no caso do PT quem recebia e distribuía o valor era o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. No caso do PMDB, o operador seria Fernando Soares, conhecido como “Fernando Baiano”.

Paulo Roberto Costa também afirmou que intermediou o pagamento de 20 milhões de reais para o caixa 2 da campanha do então candidato à reeleição ao governo de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2010. Outro nome citado é o da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), cuja campanha ao Senado, segundo Costa, recebeu 1 milhão de reais do esquema de desvios da estatal.
Outro envolvido no esquema seria o ex-presidente do PSDB, Sergio Guerra, morto em março deste ano. Segundo Paulo Roberto Costa, ele teria pagado propina a Guerra em 2009, para que ele esvaziasse uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pretendia esclarecer as denúncias de corrupção na Petrobras. Segundo Costa, Guerra o procurou e cobrou 10 milhões de reais para que a CPI, aberta em julho de 2009, fosse encerrada. O pagamento, que teria sido feito depois do encerramento da CPI, teria sido feito pela Queiroz Galvão. Além disso, Leonardo Meirelles, um dos donos do Labogen, laboratório usado por Youssef para lavar dinheiro ilegal, disse acreditar que "o PSDB e eventualmente algum padrinho político do passado e provável conterrâneo ou da região do senhor Alberto" foram beneficiados nos desvios de dinheiro da Petrobras.
Todos os partidos e políticos citados negam envolvimento no esquema.
Desde quando existe o esquema?O Ministério Público Federal afirma que o esquema de cartel das empreiteiras em obras da Petrobras existe há pelo menos 15 anos. “Muito embora não seja possível dimensionar o valor total do dano, é possível afirmar que o esquema criminoso atuava há pelo menos 15 anos na Petrobras" escreveram os procuradores na petição em que pedem autorização para a deflagração da sétima fase da Operação Lava Jato.
Existe alguma relação entre a Lava Jato e o "mensalão"?Assim como o "mensalão", a Lava Jato é uma nova tentativa de entender a promíscua relação entre partidos políticos, doações eleitorais e licitações milionárias. Até aqui, a relação entre os dois casos se dá pelo fato de que Youssef, segundo o MPF, lavou 1,16 milhão de reais repassados pelo empresário Marcos Valério, operador do "mensalão", a José Janene (PP-PR), então líder do PP na Câmara e um dos réus do "mensalão".
Qual é o futuro da Lava Jato?Os processos e investigações referentes à Lava Jato seguirão em duas mesas distintas. Enquanto o juiz federal Sérgio Moro continua com suas diligências em Curitiba a fim de provar o esquema criminoso envolvendo as empreiteiras, doleiros e empresas públicas, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, debruça-se sobre as provas para, perante o STF, conduzir a investigação dos detentores de foro privilegiado, os políticos.