segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Por que o brasileiro é tão corrupto?

Não sou eu que estou dizendo, é a Transparência Internacional que divulgou, no final do ano passado, um ranking onde o Brasil aparece na 72ª posição, com 42 pontos.

Beleza, não estamos no top five dos países mais corruptos, mas, pra mim, já não dá muito orgulho de ser visto assim pelo mundo.
2013 foi um ano em que fomos destaque nos noticiários internacionais por causa da nossa corrupção. Era nós abrirmos qualquer portal de internet que lá estava o nome mensalão em destaque.
E por que somos assim? Por que há esse sentimento que o Brasil é um país que não vai pra frente?

Um fato me chama atenção: lembram quando o imperador francês Napoleão Bonaparte estava prestes a invadir Portugal? Dom João VI, para defender seu pais, corajosamente, saiu fugido de Portugal carregando, junto, a família real. Uma atitude um tanto quanto heróica a patriota, não? (Ironia mode: on).
Ficou escondido explorando a colônia e, muito tempo depois, voltou a Portugal ainda na condição de rei. Como? Como isso? Como ele conseguiu?
Já ouviu falar no jeitinho brasileiro? Eu acredito que sua essência desse termo venha desta época. De uma maneira torta, mais ou menos, desestabilizada, não linear, desequilibrada, irregular, o rei fugido retornou ao trono.
Isso me lembra muito o “jeito brasileiro”. Poder não pode. Existem leis e regras, mas, com uma conversa aqui, uma sem-vergonhicezinha ali, um chazinho de cadeira acolá as coisas vão se aprumando. Talvez (geralmente) umas verdinhas fazem a diferença.

Então é o exemplo vindo da nossa “matriz”, digamos assim. “Afinal, se o Rei de Portugal conseguiu fugir e voltar como rei, talvez eu também consiga. Depende do meu talento em enrolar e levar as coisas.”
Quando um vereador, deputado, senador, político ou uma autoridade qualquer aparece em rede nacional… sei lá… um exemplo louco que nunca aconteceria aqui… vai… enfiando dinheiro na cueca e, através de leis, sai livre da cadeia, o cidadão comum provavelmente olha e pensa, talvez até de forma inconsciente:
- Se ele, que é uma autoridade que representa o meu pais, pode… Talvez eu também possa.
Aí esse cidadão rouba um pote de manteiga e… é posto atrás das grades porque não teve sorte na sua primeira empreitada fora da lei.
Então você ouve “se fosse rico”, “se fosse branco”, “se fosse influente”.
A questão não é bem essa. A mesma lei que reje os direitos do rico, reje os do pobre. Mas o advogado do rico está mais preparado, conhece mais as falhas da lei e as usa suas artimanhas para libertar seu cliente. E ele dorme bem, com a consciência traquila porque, afinal, ele está dentro da lei. É legítimo, mas muito pouco ético. E quem está ligando pra ética, né?
Se a TV veicula um político roubando e saindo livre e sorridente, o cidadão pobre, miserável… Não, mentira. Qualquer um: rico, pobre ou classe média. Qualquer um, na verdade, se sente encorajado a ser corrupto, desonesto. Afinal, é o nosso jeitão. O jeitão brasileiro.
- Ah, Oscar. Você está exagerando. Eu não sou desonesto…
Estou falando de pequenas infrações, as leves transgressões, sabe? Aquelas que “parecem” não fazer mal à ninguém… E, às vezes, é tão comum, tão corriqueiro e usual, que a pessoa sequer sabe que está sendo desonesta porque ela aprendeu a ser assim. “Recebi o troco errado… Ah, mas cinquenta centavos não vai fazer diferença pra padaria”.
Quando o Lula foi fazer campanha política quando não podia, foi multado. Valor da multa: R$ 15 mil… Bobagem quando muito dinheiro está em jogo, né? Se a multa para ultrapassar a velocidade fosse dois reais, não haveria papel suficiente para a emissão delas. Mas todos os outros políticos veem aquilo e pensam: “Esse Lula é demais! Que exemplo!”. Passa a ser enaltecido. Ele fez algo que todos queriam fazer e encontrou um jeito de agir dentro da própria lei. Legítimo, mas não ético. Mas, afinal…
Enquanto tivermos líderes que nos encoragem com maus exemplos, seremos assim para todo o sempre.
Por Oscar Filho (humorista e repórter do CQC)




sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Somos todos testemunhas

O que leva os jovens a expor 
nas redes sociais uma intimidade primeiramente consentida 
e só depois compreendida?


O homem é um animal falante e mortal, dizia Aristóteles. E, como ele, muitos outros filósofos associam a humanidade do homem à condição da fala. Heidegger dizia que construímos não só nossa humanidade, mas também nossa singularidade através da linguagem.

Para Hannah Arendt, falar nos iguala aos outros tanto quanto nos distingue deles. Ao falar, os homens se comunicam uns com os outros, e a palavra comunicar quer dizer tornar comum.  Como os homens falam e agem, falar e agir estão sempre associados, à medida que as palavras dão significado aos nossos atos e, assim, mostram nossas intenções, nossos princípios e motivos e, enfim, revelam a pessoa que somos. Assim, se palavras e atos estiverem divorciados, as palavras tornam-se vazias e os atos ficam brutais.

Tanta filosofia tem o propósito de encontrar argumentos para compreender por que nosso modo de comunicação precisa da exposição cada vez mais veloz e abrangente de nossos pensamentos, sentimentos, gestos e imagens. Um fio de luz para compreender essa necessidade não apenas de existir, mas de registrar e divulgar os passos e os traços da nossa existência. E uma razão para entender por que o suicídio se oferece como saída para uma exposição inadequada.

A filosofia contemporânea também revelou que a realidade não subsiste em si mesma, mas só aparece como realidade quando é percebida pela nossa consciência, e se essa consciência for compartilhada com outros. Do mesmo modo, a realidade do nosso eu só é assegurada quando outros nos veem, nos ouvem, quer dizer, nos testemunham. É o testemunho dos outros que nos torna reais, e que efetiva tudo o que e como fizemos e dissemos.

As redes sociais são redes de testemunho. Em todas as épocas as comunidades tiveram um espaço público, um cenário em que podiam aparecer para os outros e exibir sua excelência, ou seu virtuosismo. Os gregos inventaram a ágora e os modernos, os salões. Os artistas ainda têm palco e plateia. No período da monarquia francesa, os nobres cercavam os reis em seus palácios para vê-los dormir, comer, banhar-se, defecar, copular... Depois, instalada a República, aqueles que haviam conseguido superar a pobreza e enriquecer abriam suas casas para que todos pudessem ver os bens adquiridos. Durante a revolução americana, os homens se sentiam reconhecidos em sua mera existência e em sua excelência quando se tornavam representantes de seus concidadãos e se expunham nos âmbitos políticos. E isso era tão importante para eles que chamavam a essa exibição/testemunho de felicidade pública.  

Mas todos nós sabemos que feitos e discursos têm vida curta, duram apenas o tempo de sua própria realização. O virtuosismo de um violinista, por exemplo, dura somente o tempo da execução da música, assim como o vigor de um discurso termina quando o expositor para de falar, e a performance de um acrobata quando finda seu contorcionismo. A excelência e a existência de um gesto ou de uma palavra são fugazes e, por isso mesmo, podem ser esquecidas. Só quando ganham alguma forma de registro, como publicações, fotos, filmes... têm a chance de se perpetuar.

A febre de celebridade que toma conta do nosso tempo leva as pessoas a se lançarem ávidas sobre qualquer oportunidade de exibição e reconhecimento, mesmo sem nenhuma excelência ou virtuosismo. Mas se o testemunho dos outros e os registros salvam nossa existência e a afirmação de nossa singularidade da dissolução e do esquecimento, podem também dar uma persistência indelével ao que gostaríamos de manter no ocultamento. Ao garantir nossa exposição, esses registros e testemunhos também nos mantêm presas da interpretação e da memória dos outros.

Um gesto ou uma palavra que foram apenas testemunhados e revelados pela fala dos que nos presenciaram podem ser alvo de dúvida e negativas, ou mesmo ser considerados mentiras, difamações, maledicências. Mas isso não serve para os registros, sobretudo de imagem e sonoros, divulgados na mídia e, especialmente, nas redes sociais. Eles parecem ser incontestáveis.

Quanto mais idade temos, mais cresce o desejo de recolhimento e de estarmos abrigados da opinião pública. Isso não acontece com os jovens, que dependem dessa exibição como uma ponte para o mundo. Eles precisam se afirmar na sua mera existência e no que os tornaria menos infantis e submissos aos pais. Precisam mostrar sua ousadia, sua irreverência, sua sexualidade, sua insubordinação, seu poder de desacato às normas e à moral.

Talvez por isso se exponham sem pensar e sem querer, sem saber diferenciar o privado do que é público, sem ainda poder avaliar a preciosidade da intimidade e o valor inestimável da vida e da própria singularidade. A marca do testemunho é que ele torna os acontecimentos irreversíveis e o mal, sem remédio. Talvez seja por isso que, quando expostas nas redes sociais em uma intimidade primeiramente consentida e só depois compreendida, adolescentes tirem a própria vida.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A exaltação de um factoide

Pela terceira vez em menos de uma semana, O GLOBO me cita em seus editoriais. As diferenças do texto publicado ontem em relação aos demais são o tom menos arrogante e o alvo. Após a péssima repercussão das tentativas de associar a morte do cinegrafista Santiago Andrade a mim, o jornal assume postura mais cuidadosa, até porque o objetivo é explicar a cobertura da tragédia aos seus leitores.



Estranho é O GLOBO não demonstrar tamanho ímpeto editorial quando o assunto é, por exemplo, a comprovada ligação entre o ex-governador em exercício Sérgio Cabral e o empreiteiro Fernando Cavendish. Quantos editoriais foram dedicados ao fato de a empresa de advocacia da primeira-dama, Adriana Ancelmo, ter contratos com concessionárias estaduais? Quantos textos foram escritos sobre as relações entre o governador e Eike Batista?

Vamos fazer uma rápida retrospectiva. No editorial do dia 12 de fevereiro, o jornal me trata como inimigo da democracia. Achei interessante o grupo tocar no assunto. Afinal, no próximo 1º de abril, o golpe militar completa 50 anos e a empresa deve ter histórias palpitantes para contar.
Dois dias depois, o jornal afirma que meu gabinete tem comprovada proximidade com os black blocs. Comprovada proximidade? Creio que o manual de redação do grupo é mais criterioso do que levam a crer seus editoriais. A comoção provocada pela morte do cinegrafista Santiago Andrade não pode ser usada como instrumento de difamação.

Depois de tanta ferocidade, O GLOBO tenta justificar a série de matérias produzidas, com grande destaque, sobre a minha suposta ligação com os responsáveis pelo assassinato de Santiago. Num tom professoral e oportunamente sóbrio, o editorial “O dever de um jornal”, publicado ontem, se arrisca em novos malabarismos.

Primeiro, O GLOBO tenta justificar a manchete do dia 10 de fevereiro, que alardeia minha relação com os acusados, lembrando que a conversa telefônica entre o advogado Jonas Tadeu Nunes e a ativista Elisa Quadros foi registrada na 17ª DP (São Cristóvão). Logo, a existência do documento baseado num “disse me disse” seria suficiente para que uma denúncia grave como esta fosse divulgada. Tudo bem, se o argumento parece tão óbvio ululante e irrefutável para o grupo, por que os jornais “Folha de S.Paulo” e “O Dia”, por exemplo, não se comportaram da mesma forma e nada escreveram sobre o episódio? Então, a postura é, sim, controversa.

O tal Termo de Declaração registrado na delegacia foi produzido de forma irresponsável por um advogado extremamente suspeito e divulgado com destaque, no mínimo, inconsequente. Vejam que estranho: a conversa que suscitou as acusações ocorreu entre Jonas Tadeu Nunes e Elisa Quadros, como o próprio advogado disse, mas o documento foi assinado pelo estagiário Marcelo Mattoso. Além disso, o delegado Maurício Luciano não teve acesso ao conteúdo da conversa. Por que ele não passou o telefone ao delegado? Por que não pôs a ligação no viva-voz? Ou seja, o Termo de Declaração, grande “prova” do GLOBO, é frágil por ter sido produzido sem qualquer cuidado.

Até aquele momento, ainda não sabíamos que Jonas Tadeu Nunes já fora condenado por danos morais, enriquecimento sem justificativa, e danos morais e materiais em três processos distintos — não vi O GLOBO destacar isso durante a cobertura. Apesar disso, sua atitude, naquele dia 9 de fevereiro, é digna de estranheza. Jonas Tadeu Nunes não agiu como advogado nem como defensor dos interesses de seu cliente ao pegar o Termo de Declaração, imediatamente após o seu registro, e entregar nas mãos de uma repórter da TV Globo.

Por que O GLOBO não se interessa tanto pela conduta tão controversa e suspeita do advogado, como o faz quando ele dirige acusações sem provas contra mim? Enquanto veículos e colunistas de outros jornais, como Jânio de Freitas, da “Folha de S.Paulo”, acham tudo muito estranho, Jonas Tadeu Nunes reina sob os holofotes globais e leiloa informações. Quando acusa, o advogado recebe mais destaque que o delegado, responsável pelo inquérito.

O autor do editorial mente ao escrever que eu afirmei não saber de nada ao ser procurado por Artur, da equipe de produção da emissora, naquele mesmo dia. Em momento algum neguei ter falado com Elisa Quadros ao telefone. Ela me ligou exclusivamente para relatar que temia a possibilidade de Fábio Raposo ser torturado no presídio. Eu falei que isso não aconteceria e desliguei. Sou presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e dezenas de pessoas me procuram para fazer denúncias.

Também não criei obstáculos para dar entrevista. Pelo contrário, dar entrevistas é o que mais tenho feito nestes últimos dias. Só pedi que o tal documento me fosse encaminhado antes. Afinal, não posso falar sobre algo cujo conteúdo desconheço. O jornal cumpriu sua obrigação de me ouvir, mas foi leviano ao publicar uma manchete baseada em “provas” extremamente frágeis. No fim da chamada de capa, o fatal: “O parlamentar nega.”

O GLOBO insiste em dizer que foi imparcial e comedido ao tratar do assunto durante a semana. Não foi. Basta ler os editoriais publicados e citados aqui. Como não havia provas e mais informações para me associar a esta tragédia, os ataques saíram dos espaços de notícia para os de Opinião. Não me acho acima do bem e do mal, como insinuou o jornal, numa tentativa de desqualificar minha indignação. Mas não vou titubear em defender minha trajetória ante acusações estapafúrdias.

Agora, o jornal tenta se esconder sob o manto da “missão jornalística” para justificar o noticiário desmedido e leviano dirigido contra mim e o PSOL. O papel nobre que O GLOBO atribuiu a si mesmo ontem, numa linguagem tão prudente, é mais uma tentativa de subestimar a inteligência de seus leitores.

Se não houvesse tanta indignação social e manifestações de solidariedade a mim — inclusive de jornalistas da própria Rede Globo —, essa autocrítica mambembe sequer teria sido feita. Pedir desculpas é um gesto que exige grandeza.

Por 
MARCELO FREIXO, Publicado: 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A Copa do Mundo perdida

Gol contra mesmo são as obras de mobilidade urbana. As 56 intervenções previstas caíram para 39.



A seleção brasileira de futebol tem boas chances de ganhar a Copa do Mundo. Mas os titulares da política, em termos de conquistas permanentes para a sociedade, o propalado “legado social”, já desperdiçaram uma grande oportunidade.

Fico só no estritamente prometido pelos promotores do evento esportivo, já que iniciativas em educação e saúde, por exemplo, nem no banco de reservas ficaram. Recursos não faltaram, especialmente os públicos. As suntuosas “arenas” reformadas ou erguidas consumiram R$ 8,9 bilhões, dos quais só R$ 133 milhões da iniciativa privada. É a prova, de concreto e aço, de que, no Brasil, quando se quer, se faz. Mesmo os atrasos de praxe são resolvidos rapidamente, com aditivos contratuais. A junção de trabalho operoso, tecnologia de ponta e vontade política tudo realiza. E no padrão que a “mestra Fifa” mandou... O que fazer com os “elefantes brancos” fica para depois.

Não faltaram recursos também para os Centros de Treinamento ofertados às 31 seleções que chegarão aqui até junho. Foram preparados nada menos que 74 estádios e instalações, em cidades tão distantes entre si como Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul, e Boa Vista, em Roraima. Muitas delas também longe das sedes onde o torneio será disputado. Todas querendo o “privilégio” de acolher uma delegação estrangeira, com a movimentação que isso traz. Mais da metade ficará ociosa quando a “brazuca” rolar. Mas uma bolada de dinheiro público rolou para 39 desses CTs, num total de R$ 506,2 milhões, segundo dados oficiais.



Gol contra mesmo são as obras de mobilidade urbana. As 56 intervenções viárias e de transporte de massa previstas nas 12 cidades-sede caíram para 39 — das quais apenas meia dúzia está concluída. Seu impacto no dia a dia da população será pequeno. Entre o prometido e o que está sendo entregue há um abismo. É que, ao contrário do destinado aos equipamentos esportivos, os cortes foram de R$ 8,34 bilhões, quase 50% do investimento previsto em 2010. 

Assim, essas iniciativas resumem-se a acessos aos estádios e melhorias das vias nos seus entornos. Em Manaus, o placar das obras viárias não sai do zero, Brasília e Rio só terão uma e Cuiabá, Salvador e Porto Alegre, duas. Resultados frustrantes para quem anunciava verdadeiras “goleadas” na locomoção da população das regiões metropolitanas, de 2014 em diante.
O Brasil fora das quatro linhas não é uma “caixinha de surpresas”: como é de nossa má tradição, faltou o jogo coletivo, o respeito ao público. E, como em um time com setores desarticulados, sobrou distância entre o planejado e o realizado, entre o social de longo prazo e o ganho particular imediato. A Copa da Fifa será um evento ruidoso, agitado e... passageiro. Em matéria de legado, já fomos desclassificados.

Por Chico Alencar (deputado federal - RJ)



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Brasil: um país de merda

O Brasil não tem mais jeito, o maior problema desse país é o brasileiro, eu, tu, ele, nós, vós, eles... o brasileiro gosta de bagunça, gosta de levar vantagem em tudo, gosta de ter um esqueminha pra resolver os problemas, gosta de furar leis... enfim, o brasileiro é o grande culpado pela situação nojenta que nos encontramos. O país é sujo, corrupto, mal educado, pouco cidadão, pouco cortês, etc. Ahhhhhh Corey, vai dizer que você nunca fez nada disso? Claro que fiz! Sou brasileiro, mas não me orgulho disso e venho tentando fazer as coisas de maneira mais ética e honesta possível, mas infelizmente muita coisa nesse país foi feita pra funcionar debaixo dos panos. A cada viagem pro exterior vejo que meu lugar não é aqui, que jamais serei plenamente feliz por aqui simplesmente porque não vejo perspectiva de macro-melhora (essa palavra não existe, né?).  

Desculpe, mas se você já foi a qualquer país de primeiro mundo e não sentiu ao menos uma pontinha de vontade de ficar por lá, amigo, seu lugar é aqui no Brasil mesmo, você provavelmente é um brasileiro típico que se irrita com pessoas que cumprem leis, que acha exagero países onde a corrupção é combatida, que não vê necessidade de falar “por favor”, “obrigado”, “bom dia/tarde/noite”, que não se desculpa ao esbarrar em alguém, que se atrasa pra compromissos, que adora contar vantagem por ter dado algum golpe, que mete atestado no empregador no dia seguinte do jogo do corintians, que reclama da segunda-feira e abençoa a sexta, que só pensa no trio cerveja-futebol-buceta, etc. A atitude pseudo-patriota brasileira é ridícula, chega a ser patético alguém dizer “amo meu Brasil”, c'mon man, pare pra pensar nisso, como amar um lugar nojento como esse? Isso é quase como dizer que gosta de comer merda, é algo totalmente non-sense! 


Se você é um desses patriotas esquerdistas que idolatram Che e Marighella e acham que o governo deve te dar até um vale-cigarro, já deve estar se coçando pra falar a seguinte frase: “Se aqui é tão ruim, Corey, sai fora, vai pra outro país!!!”. Já vou responder como se fosse um FAQ. Sim, estou mexendo os pauzinhos pra fazer isso, essa ideia tem martelado muito na minha cabeça e na da Bia. O que antes eu achava impossível, que é pra poucos e que dá muito trabalho, o Google já fez o favor de me elucidar e me fez perceber que há sim várias possibilidades para imigrar e que não é tão difícil quanto parece a primeira vista. Felizmente temos muita coisa a nosso favor: um pouco de dinheiro, não temos filhos, não temos frescura com relação a trabalho, temos possibilidade de dupla cidadania, desapego de família, minimalismo de objetos, etc. 


O que nos falta? Definir um plano de ação bem delineado: Para onde ir? Como legalizar? Onde trabalhar? E o idioma? Quando? Nossa vida é quase uma aventura, fazemos um monte de planos e mudamos o rumo deles quase que 100% das vezes, esse tipo de plano é muito sério e as decisões na maioria das vezes não cabe arrependimento, tem que ser algo definitivo ou perto disso. 

Por não saber exatamente o que queremos e como queremos, estamos por enquanto na faze do brainstorm. Já sei a segunda pergunta: "Ahhhh Corey, até parece que você vai trocar sua vidinha de vagabundo que trabalha via remota 2 horas por dia pra trabalhar sabe Deus no que em outro país durante 20 horas por dia?!?!" Resposta: amigo, sou vagabundo sim, reconheço isso, mas pra viver num lugar decente eu trabalharia cuidando de criança no frio da Suíça (quem me conhece sabe o quanto "adoro" crianças e frio!). 

Admiro as pessoas que largam o Brasil e vão fazer suas vidas em outro lugar, muitos se dão muitíssimo bem, outros nem tanto, mas todos saíram da sua zona de conforto, pararam de reclamar e foram atrás de melhoria e só essa ação já é digna de todo respeito e admiração. Se você tem essa vontade, vá em frente! 


Os últimos acontecimentos no Estado do Rio de Janeiro, bem como outros fatos graves que ocorrem na região sudeste do País, nos levam a crer que estamos vivenciando, na fase “pré-copa”, um trailer de filme de terror. Não é pessimista afirmar, diante do que se vê, que tudo depõe contra o sucesso do evento; mortes aos montes, greves, sistema elétrico em colapso, tudo isso sem contar o frio polar que poderá atingir o Brasil na época do campeonato, como compensação ao calor saariano que nos aflige neste verão.


A nova bandeira do Brasil: Uma grande merda dentro de um vaso

A realização da Copa do Mundo no Brasil não foi definida ontem. O tempo necessário para a preparação de estádios e outros aspectos da infraestrutura necessária foi mais do que suficiente: o que não andou, mais uma vez, foi a máquina governamental, desta feita ladeada pela irritante CBF, que há muito tempo não consegue fazer nada de bom para a estrutura e administração do futebol brasileiro.


O cinegrafista da Rede Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, foi mais uma vítima da falta de preparo de agentes públicos encarregados de conter tumultos, os quais, por força de origem, não têm facilidade em tratar manifestações populares com firmeza, diplomacia e inteligência, já que vivemos em um Estado Democrático e de Direito.


Os locais escolhidos por seleções estrangeiras para se hospedar e treinar já são alvo de profunda reflexão por parte das delegações, sendo que, à boca pequena, comenta-se que algumas já teriam expressado o desejo de não vir ao Brasil, temendo pela falta de estrutura tupiniquim.


Uma terra em que a violência campeia, há anos seguidos, sem qualquer medida mais eficaz do governo federal em conjunto com os gestores estaduais; metrópoles que se prostram diante de categorias profissionais que dominam meios de transporte; combate ao tráfico de drogas que é repelido pelo próprio poder público, que desconhece a necessidade de ação social combinada com o incessante e rigoroso trabalho de investigação policial, e uma nova forma de arrastão denominada “rolezinho”, são poucos exemplos do que aguarda os estrangeiros que se aventurarem aqui.


Que outros se iludam com a idéia do sucesso é compreensível; mas nós, brasileiros, que sofremos diariamente todo o tipo de problema decorrente da ausência de uma boa gestão pública em diversos setores, não temos o direito de fazer isso. Somente aos alienados e gananciosos cabe, com total propriedade, enaltecer a Copa do Mundo em nossa terra. Que Deus nos ajude!


Há algum tempo, o papel desempenhado pelo Brasil na política mundial tem chamado a atenção não só de analistas internacionais ultraespecializados, mas, também, dos meios de comunicação de influência mundial. De ambos os lados, a versão é unânime e parece incontrastável: nada interromperá o sucesso do Brasil nos próximos anos – e isso não se refere exclusivamente aos eventos internacionais de 2014 e 2016, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Trata-se, antes, de um sucesso de estima que tem a ver mais com o desenvolvimento sócio-econômico a longo prazo; parece, enfim, que o futuro, pensado por intelectuais como Stefan Zweig, enfim, chegou.
Esse sucesso de estima ganhou espaço na mídia estrangeira desta semana, quando o The New York Times publicou uma reportagem sobre a cidade de São Paulo, conquistando o status de “nova capital cultural”. Com um epíteto desses, chancelado por um veículo da metrópole, a autoestima de governantes e governados da província fica revigorada, mesmo que os índices de violência no estado de São Paulo tenha crescido de forma sólida nos últimos 7 meses, conforme foi publicado nesta mesma semana.

Tão importante quanto o texto, foi a repercussão que a reportagem do NYT ganhou por aqui. De certa forma, a mentalidade mudou, mas não saiu do lugar. O Brasil e os brasileiros adoram e aceitam bem os elogios ao mesmo tempo em que rechaçam qualquer tipo de crítica. E, goste-se ou não, nos próximos anos, o País será alvo de boas recomendações e também de admoestações pouco edificantes, o que certamente motivará uma reação igualmente descabida: afinal, aos amigos,  tudo; e aos inimigos, nem a justiça, como disse certa vez o jornalista Tarso de Castro.
Pouco a pouco, esse hype chamado Brasil terá de prestar contas de toda essa expectativa que tem sido plantada por aqui: de fato, o que temos a dizer sobre os tempos que correm? Qual será a nossa grande contribuição? Quais são as ideias e os projetos que temos a oferecer? Em síntese, o País quer liderar, mas qual é o seu plano? São muitas perguntas a responder e, todas as vezes que elas aparecem, logo vem alguém da turma do “deixa disso” e sugere um improviso, a malemolência e, calcado no pensamento mágico, afirma: “relaxa, que vai dar tudo certo”.
E é evidente que as condições de vida, hoje, são melhores do que há alguns anos; é certo que o acesso à informação, à cultura e à educação está mais franqueado; de maneira equivalente, o brasileiro tem mais poder de compra do que no passado, fator determinante para a melhora dessa autoestima, que sugere esse feel good factor visível nas pesquisas de aprovação do governo. Ocorre que, mesmo assim, o improviso parece ser o único plano a longo prazo, concorrendo, talvez, com uma agenda essencialmente conservadora e pouco propositiva. Queremos conquistar o mundo, mas tem de ser do nosso jeito: sem contestação e de acordo com as nossas condições.
E lá vem aquele senhor de idade avançada, barba por fazer, roupas velhas e rasgadas, cabeça sempre pendente para o lado, talvez por causa de uma doença ou nascimento mesmo, empurrando seu velho carrinho de supermercado, com três galões de água de 20 litros, em sua rotina diária, buscar água para o seus companheiros de rua. Sim, este senhor é um morador de rua. Sempre o vejo. Nunca trocamos uma palavra se quer. É um senhor tranquilo e sempre simpático com o rapaz responsável pela limpeza do banheiro e que está, sem questionar nada, sempre a ajudar este bom senhor. O rapaz responsável pelo banheiro, é uma pessoa educada, trata a todos com simpatia e sorriso no rosto. É sua maneira de trabalhar. Com certeza, o funcionário padrão.

Este rapaz me diz algo que me é estarrecedor, sobre um outro funcionário, do período da tarde, que sem pensar na situação daquele senhor, cobra-lhe, descaradamente, um refrigerante " Dolly " para que. o senhor possa pegar mais água a tarde. Comento com o rapaz da manhã, que isso é o velho hábito da corrupção, já que a água, é uma dádiva sagrada e jamais deveria ser comercializada.

A companhia do ''Metrô'' já é o suficientemente rica para negar água a quem tem sede, mas o caso não é com a empresa em questão. Trata-se de uma funcionário de uma contratada do ''Metrô'' para a manutenção diária de seus inúmeros banheiros.

Percebo aí, uma prática pertinente a qualquer setor e classe da sociedade brasileira, a famosa e danosa corrupção.. É cruel e desumano que, um ser pobre de recursos, mas que trabalha, logo é um assalariado, corromper um outro pobre, sem qualquer recurso na vida e que vive a míngua da sociedade, negar- lhe o direito a um galão de água, porque este não pode lhe dar um refrigerante Dolly.

Qual é então, o caráter do cidadão brasileiro?
Onde está sua educação e bom senso?

Com que direito, o rapaz do turno da tarde, faz uma coisa desta?

Não é a toa que nossos políticos, fazem a " festa " com a vida dos brasileiros. E por que?
Porque o brasileiro é conivente.

Aprendem, desde cedo, a margem da pobreza, a arrancar do meio onde vivem, dentro de suas próprias comunidades, os que consideram ser seus irmãos da miséria.

O que se pode esperar de um povo deste, que se vale da falta de sorte alheia, para cobrar-lhe um medíocre guaraná?

Não se pode esperar absolutamente nada! É revoltante e degradante até.

Ouço isso e o silêncio me domina. Tenho vontade de gritar a plenos pulmões o que se passa em cabeça, ao ouvir algo assim, mas é melhor não. 

Eu jamais iria solucionar tal problema. Continuo por ali afim de terminar meu dia e voltar para a minha casa, e dar continuidade a minha vida.




Violência urbana não é Terrorismo

Olhar para o exterior ajuda a entender por que não se deve qualificar o crime comum no Brasil como terrorismo. 


A onda de criminalidade em São Paulo, cada vez mais acentuada, tem levado parte da sociedade a avaliar de maneira equivocada a situação e seu significado, tanto para a cidade quanto para o país. A crueldade dos fatos, ilustrada por execuções de quem nem mesmo reagiu e criminosos ateando fogo nas vítimas, talvez seja responsável por isso. Fala-se até que a violência urbana na maior cidade brasileira seria um tipo de terrorismo. Esse é um erro que pode ter consequências graves.
Na Ciência Política, definir terrorismo é uma tarefa delicada. Não há um conceito universal para o termo, mas muitas tentativas. No livro Terrorism - A Very Short Introduction, o historiador britânico Charles Townshend, professor da Universidade Keel, discute o relativismo no conceito de terrorismo e estabelece que a "essência de um ato terrorista é o uso de violência pelos que têm armas contra os que não têm armas". Por este ponto de vista, a violência urbana poderia se encaixar na definição, mas Keele salienta que o terrorismo não é só isso. Ele é também o uso de violência, geralmente ultrajante, por motivação política; e é uma estratégia política em si.
Salvo ondas de violência como a de maio de 2006, organizadas pelo Primeiro Comando da Capital, o que ocorre em São Paulo, apesar de aterrorizar as vítimas, não é terrorismo, mas é um problema social profundo. Os criminosos brasileiros não agem de forma política e muito menos em torno de uma causa. Trata-se de outro tipo de barbárie.
Para o indivíduo que sofreu uma grande violência ou tem um parente que passou por uma situação desta natureza, pouco importa a definição de terrorismo. Para uma sociedade, entretanto, o peso de classificar um ato ou um grupo como terrorista não pode ser menosprezado.
É atribuída ao escritor britânico Gerald Seymour, em Harry’s Game, a frase segundo a qual “o terrorista de um homem é o guerreiro da liberdade de outro homem”. Significa que, no ato de rotular uma pessoa ou um grupo como terrorista está embutido um juízo de valor. Um julgamento que, como também afirma Townshend, nunca é bom. Não há um grupo qualquer que deseje ser classificado como terrorista. O autor do ato de terror é sempre o outro.
Ao longo da história, foi e é assim com diversos Estados. O Sri Lanka com os tâmeis, o Peru com o Sendero Luminoso, o Reino Unido com o IRA, a Turquia com o PKK, a Colômbia com as Farc, a ditadura brasileira com os grupos armados e Bashar al-Assad na Síria. Nem sempre as taxações do outro foram legítimas, mas sempre tiveram a intenção de deslegitimar o rival político, autorizando o uso de força bruta e outros expedientes, como a tortura.
A designação como terrorista é, assim, o primeiro passo para o abuso. Num país com uma Justiça injusta, um sistema carcerário vexatório, uma polícia despreparada e violenta e uma desigualdade social ainda monstruosa, agrupar todos os criminosos nos rótulos de “outro” e “terrorista” não parece ser o caminho correto para reduzir a bandidagem, mas sim uma abertura para mais ações autoritárias de um Estado que já faz mal suficiente (e deixa de fazer o bem) a sua população.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

A lei antiterror ameaça a democracia

Resultado da ânsia por justiçamento e do desejo governista de evitar um novo junho de 2013, projeto transformará tragédia pessoal em tragédia nacional.


O assassinato do cinegrafista Santiago Andrade em uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus no Rio de Janeiro não vai abrir uma discussão para tornar a sociedade melhor ou gerar reflexões sobre a violência. No dia em que a família se despediu de Santiago, o Senado aproveitou a deixa e voltou a examinar o projeto de lei 499/2013, que tipifica o crime de terrorismo no Brasil e cuja aprovação abrirá as portas não apenas para mais autoritarismo das forças de segurança, mas também para a perseguição política.
A retomada do debate sobre PLS 499 é fruto de dois oportunismos distintos. O primeiro deles é a vontade dos parlamentares de reagirem ao assassinato de Santiago e mostrarem iniciativa aos eleitores em ano de votação. Para tanto, os congressistas agem como imaginam que a sociedade gostaria. Propor novas leis, assim, é quase que um reflexo instintivo em um país incapaz de garantir a segurança de seus cidadãos. A nova legislação é encarada como uma panaceia, mesmo diante do fato de muitas leis não serem cumpridas. Ao tentarem responder a quem, diante de uma tragédia, afirma que “alguém precisa fazer alguma coisa”, os senadores deixam escapar o óbvio: a atitude mais efetiva seria simplesmente cumprir as leis já existentes.
Tornar efetivas as leis em momentos de comoção nacional é sinal de maturidade de uma sociedade. Em 2011, quando Anders Behring Breivik massacrou mais de 70 pessoas em Oslo e na ilha de Utoya, a Noruega ficou traumatizada. Houve um amplo debate sobre o que fazer com ele, mas não foi preciso mudar as leis norueguesas. Ele foi condenado a 21 anos de prisão, a pena máxima do país. Nas palavras do então primeiro-ministro Jens Stoltenberg, o julgamento mostrou que Breivik falhou, pois não conseguiu o que queria: mudar a Noruega.
A demagogia da criação de leis está presente no PLS 499. Todas as infrações previstas no projeto poderiam ser enquadradas pela Justiça em crimes já tipificados, como sequestro, homicídio, dano qualificado, formação de quadrilha e apologia ao crime. A novidade é que essas infrações aparecem no projeto sempre atreladas ao crime de terrorismo, definido no artigo 2º do projeto como “provocar ou infundir pânico generalizado mediante ofensa ou tentativa de ofensa à vida, à integridade física ou à saúde ou à privação de liberdade de pessoa”.
Uma definição tão subjetiva e genérica como essa é temerária, pois abre precedentes para movimentos sociais e até mesmo oposições políticas serem enquadradas como terroristas. Pela definição constante no texto, uma invasão de terras por parte do MST poderia ser classificada como terrorista, da mesma forma como as manifestações contra as tarifas do transporte público. Para evitar tal disparate, seria preciso qualificar cada ato específico como terrorista ou não, uma atribuição do Estado. Ocorre que, historicamente, os Estados definem terrorismo de forma a usar seu aparato policial e judicial para conter a dissensão política.
Aqui entra o segundo, e mais perigoso, oportunismo por trás do debate do PLS 499. Criado por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o projeto não tem como alvo rede terroristas internacionais como a Al-Qaeda. O próprio ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou na semana passada que os crimes comuns preocupam mais do que atentados durante o mundial. Como mostram as declarações dos senadores Jorge Viana (PT-AC) e Paulo Paim (PT-RS) a Carta Capital, os alvos da lei são os black blocs presentes nas manifestações por todo o país que assustam o governismo, pois podem ganhar corpo, afetar as eleições e, no limite, alijar o PT do Planalto.
Sinais do que poderia vir a ser uma perseguição política no contexto do PLS 499 estão postos neste exato momento em que se debate a morte de Santiago Andrade. Há uma tentativa de se atrelar o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) aos assassinos do cinegrafista. Ao menos por enquanto não há qualquer prova sobre isso, mas ilações. Uma delas, feita pelo jornal O Globo, apresenta em tom de "denúncia" o trabalho de Thiago de Souza Melo, assessor parlamentar de Freixo. Melo é integrante do Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DHH), organização que, entre outras coisas, prestou auxílio a Rafael Vieira, o morador de rua condenado a cinco anos de prisão por carregar pinho sol e água sanitária. Como o DHH também defendeu, em outro episódio, Fábio Raposo, um dos assassinos de Santiago, a atividade do instituto, assim como Thiago e o deputado do PSOL são apresentados na reportagem quase como foras-da-lei. É como se Rafael, Raposo ou qualquer outra pessoa não tivesse direito legítimo à defesa. Estivesse em vigor a lei prevista no PLS 499, não é de se duvidar que, além dos assassinos de Santiago, seriam denunciados como terroristas Freixo e seu assessor, estes por “incitar” o terror, crime previsto no artigo 5º do projeto.
O Brasil tem em sua legislação todos os meios necessários para punir Raposo e seu comparsa pela morte de Santiago Andrade. Criar uma nova lei, ainda por cima de espírito autoritário, à luz desta tragédia, não apenas não vai resolver o problema como vai plantar as sementes para o Estado se tornar ainda mais autoritário. Santiago morreu exercendo as liberdades de imprensa e expressão. Se sua morte servir para lançar as bases de um estado de exceção, a tragédia pessoal se transformará em uma tragédia nacional.

QUEM TEM MEDO DE MARCELO FREIXO?

Estamos vendo um movimento sincronizado entre mídia e setores políticos saudosos dos tempos de AI-5, que tentam se aproveitar da comoção popular para pintar manifestantes de terroristas. Querem garantir a festa da FIFA. Até aí, já estava tudo previsto na cartilha do velho jornalismo; mas eis que o Globo, sagaz, começa uma campanha difamatória em editoriais e manchetes tentando ligar o Deputado Marcelo Freixo à morte de Santiago e ao Black Bloc. Por que ele?

Dois anos atrás, nas eleições municipais do Rio de Janeiro, Freixo já denunciava o rumo que a cidade iria tomar no projeto encabeçado por Eduardo Paes: o Rio se tornaria um balcão de negócios, onde os interesses especulativos se sobreporiam aos interesses da população, parte da cidade seria negociada para os grandes empresários e os obstáculos ao lucro seriam atropelados, justificando toda a bárbarie com a Copa e os Jogos Olímpicos. Não deu outra. Processos acelerados de remoção compulsória, Porto Maravilha, trânsito caótico, desrespeito aos direitos humanos e aos povos tradicionais, truculência, cinismo.

Em sua campanha de 2012, Freixo apostou nas redes e nas ruas, sem doações de empreiteiras e grandes empresários, sem campanhas milionárias na mídia e sem coligação com partidos políticos, conseguiu 30% dos votos. Mas sua vitória foi muito maior: mostrou que é possível quebrar o ciclo econômico da política, em que empresários doam milhões a candidatos, que gastam em publicidade com os barões das agências e produtoras, e lucram ainda mais em processos de licitações fraudulentas. Apostando nas pessoas, Freixo comprovou que existem alternativas à velha política.

Vamos para as ligações: o advogado do suspeito, Jonas Tadeu, defendeu milicianos, que por sua vez eram ligados a Sergio Cabral. A polícia conduz as investigações às escuras e a narrativa construída deixa ainda muitas dúvidas. O Secretário de Segurança José Mariano Beltrame propõe lei que tipifica manifestantes como terroristas. A Globo faz uma campanha criminosa, que evidencia seus interesses e o mau jornalismo praticado pela empresa. Quem eles atacam? A voz que denuncia, há anos, a promiscuidade entre mídia, poder e polícia.

Mas isso, por si só, não responde a provocação desse texto. O que eles temem, afinal? Com a explosão de manifestações que começaram em 2013, as redes e as ruas se estabeleceram como canal de questionamento e de construção de contra-narrativas à verdade hegemônica. A inteligência coletiva começou a disputar com o Jornal Nacional as pautas do país e inseriu um novo ator político na jogada: o interesse público. Quem melhor dialoga com o novo? A Globo? O Governo? A FIFA? Um estagiário me disse que o que eles temem é que, de pergunta em pergunta, de ligação em ligação, comecemos a encontrar as respostas.


‪#‎temostodosligaçãocomfreixo‬



OS BLACK BLOCS? UM BANDO DE ZÉ NINGUEM A SERVIÇO DO GOVERNO

Afinal não é preciso ser um cientista político ou um sociólogo para adivinhar quem se esconde de baixo dos lenços pretos dos black blocs.

O perfil dos dois responsáveis pela morte do trabalhador da Band diz tudo: de famílias pobres, vivendo no subúrbio, sem conotação ideológica nenhuma e praticamente semi-analfabetos..

Mas que direta ou indiretamente estão a serviço dos governantes..

E por dois motivos:

Por um lado, amedrontam e afastam os manifestantes pacíficos que lutam para que os serviços públicos deste pais saiam de uma vez da posição de quinquagésimo mundo para alcançar um mínimo de decoro e respeito para com a população..

E, por outro lado, “juridicamente” falando, fazem com que a arrogância do atual governo se traduza em um endurecimento das leis para com as manifestações, especialmente em vista da Copa do Mundo..

Portanto, trate-se de manipulação ou não, uma coisa é certa: só tem um beneficiário em toda essa historia miserável: o governo e seus afiliados poderosos.


No ano passado eu via com bons olhos o movimento dos Black Blocs, foi uma das forças positivas para o sucesso dos movimentos; porém, com a crescente infiltração de baderneiros e vândalos (sejam de onde for...), o movimento perdeu força e passou a não ser visto com bons olhos, principalmente por ser um movimento onde aparentemente não há uma liderança concreta. Tornou-se uma organização violenta, isso não pode, principalmente perante aos olhos da opinião pública.


Por Guido Mattina (colunista convidado)


terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Morte de Cinegrafista e (também) Morte do Camelô

- Um camelô que estava trabalhando, tenta fugir das bombas que a polícia estava lançando a esmo na Central, é atropelado e morre;



- Ato contra o aumento das passagens;

- Catraca liberada com amplo apoio da população;


- PM faz o de sempre (tiro, porrada e bomba);


- A Rede Bandeirantes envia um trabalhador sem nenhuma proteção para cobrir o Ato;

- O trabalhador da band é atingido por um rojão;


- Um Black Block malvadão e assassino, que deu o rojão para outro Black Block malvadão e assassino acender, simplesmente se entrega a polícia e diz que vai cooperar de boa;


- Surge uma denuncia que o autor do disparo do rojão é ligado ao Freixo;


- Do nada, como um super herói, surge um Advogado pra ajudar o Black Block e acusar o Freixo;


- Este Advogado é o mesmo que defendeu uma das maiores máfias da história do RJ, os irmãos milicianos que foram presos graças a CPI das Milícias liderada pelo Freixo.

Resumo da ópera: 


Todo mundo esqueceu que a passagem aumentou e que o protesto era legítimo, a Band não vai ser responsabilizada por enviar um trabalhador sem segurança para cobrir o Ato, a PM não vai ser responsabilizada pela morte do camelô, o Eduardo Paes vai rir a toa porque além de a passagem ter aumento de boa ainda vai se livrar de um adversário político (Freixo), a milícia vai se vingar do Freixo e um bando de retardado sem o mínimo de senso crítico vai achar isso tudo coincidência e vai compartilhar intensamente que os manifestantes são assassinos, pois tem a memória curta e esqueceram as centenas de P2 infiltrados nos Atos desde junho fazendo merda e colocando culpa em manifestante.